
É já relativamente tarde, pelo menos para quem a alvorada será daqui a menos de sete horas, mas tenho o Rufus a martelar-me a moleirinha com a sua interpretação do Hallelujah e que diabo, torna-se complicado não dizer algumas daquelas coisas já tornadas inconsequentes pelo cansaço.
Pegando na fantástica muleta que esta música significa, surge no meio desse mesmo cansaço uma percepção geral do estado de coisas. E não é sem alguma surpresa, mas muito mitigada por um mais perigoso senso de cansaço, que se verifica o quão de pantanas a nossa vida pode ficar de um momento para o outro. Surge como um processo de acumulação subtil mas em breve, como dizia um professor de latim que tive, as pequenas pedras acumulam-se e tornam-se uma rocha que acaba por pesar como uma falésia.
E esse estado de percepção, em que as pontas são bem mais que soltas e não há mãos para agarrar tudo e mais alguma coisa, parece-me que mais não somos que corredores de fundo. Sabemos que cada passo que dói é apenas reflexo de uma aceitação desse percurso já sem uma lógica clara de vitória, restando apenas uma verificação de progressão. A incerteza da nossa própria finalidade é apenas combatida com uma teimosia em ignorar e contrariar tempos que se desejam felizmente esquecidos. Definições de monstros que ficaram algures perdidos nos medos que os criaram.
É impossível para alguns duvidarem de si mesmos. Para outros, é impossível questionarem-se, reiterarem a sequência dos seus passos e entenderem o local onde se achavam inseridos à guisa do que a sua necessária imperfeição poderia originar. E se bem que é com certeza mais fácil culpar que definir, sê-lo-à bem mais fácil se estiver já aqui à mão, em voz interna, ainda que se substituam as acusações por perguntas.
É na percepção desapontada (sem saber totalmente com o quê ou quem e que se julgava desajustada de certo estágio etário) que reside a capacidade de ver o grande cenário. O cenário em que a tristeza é apenas debilitante no que concerne à energia para explicar os seus factores de produção, e não no que concerne aos meios de combate. E aí, mais do que nunca, a focagem deve ser claramente direccionada para o entendimento feito do despir do próprio. Pelas irregularidades da pele, as faltas de pontaria da voz, as incorrecções necessárias das mil interpretações conceptuais, conseguir raspar a pele ao ponto de nos vermos à transparência.
E perceber que uma vez analisadas as lógicas, e efectuadas as auto-punições, restará avaliar aquilo que, ainda que possa parecer perdido, se possa repetir em conceitos de amor variado, ainda que não nos mesmos habitáculos humanos.
Mais perigosa que a desilusão é o cansaço, apenas alternado pela teimosia de ver em poucos outros o inalterado estado de uma realidade que nos deixa um pé no material, ao invés de transpor a insubstancialidade de uma tristeza tão imensa para todas as manifestações de um ser auto-consciente.
E sinceramente, esta é uma reflexão direccionada aos poucos que ainda teimam em conhecer-me, pelo que fará todo o sentido do mundo para esses, e nenhum para praticamente ninguém.
E com todo o respeito, isso não me importa grande coisa a esta altura, nem nesta circunstância particular.
Amanhã, como diz o cliché, é outro dia. E em breve, serão todos eles outros e todos bem diferentes.
As marcas são afinal como chicotadas. Provocam a reacção, e a reacção é movimento que se define como vida.
So get busy living, or get busy dying... That's goddamn right.
Pegando na fantástica muleta que esta música significa, surge no meio desse mesmo cansaço uma percepção geral do estado de coisas. E não é sem alguma surpresa, mas muito mitigada por um mais perigoso senso de cansaço, que se verifica o quão de pantanas a nossa vida pode ficar de um momento para o outro. Surge como um processo de acumulação subtil mas em breve, como dizia um professor de latim que tive, as pequenas pedras acumulam-se e tornam-se uma rocha que acaba por pesar como uma falésia.
E esse estado de percepção, em que as pontas são bem mais que soltas e não há mãos para agarrar tudo e mais alguma coisa, parece-me que mais não somos que corredores de fundo. Sabemos que cada passo que dói é apenas reflexo de uma aceitação desse percurso já sem uma lógica clara de vitória, restando apenas uma verificação de progressão. A incerteza da nossa própria finalidade é apenas combatida com uma teimosia em ignorar e contrariar tempos que se desejam felizmente esquecidos. Definições de monstros que ficaram algures perdidos nos medos que os criaram.
É impossível para alguns duvidarem de si mesmos. Para outros, é impossível questionarem-se, reiterarem a sequência dos seus passos e entenderem o local onde se achavam inseridos à guisa do que a sua necessária imperfeição poderia originar. E se bem que é com certeza mais fácil culpar que definir, sê-lo-à bem mais fácil se estiver já aqui à mão, em voz interna, ainda que se substituam as acusações por perguntas.
É na percepção desapontada (sem saber totalmente com o quê ou quem e que se julgava desajustada de certo estágio etário) que reside a capacidade de ver o grande cenário. O cenário em que a tristeza é apenas debilitante no que concerne à energia para explicar os seus factores de produção, e não no que concerne aos meios de combate. E aí, mais do que nunca, a focagem deve ser claramente direccionada para o entendimento feito do despir do próprio. Pelas irregularidades da pele, as faltas de pontaria da voz, as incorrecções necessárias das mil interpretações conceptuais, conseguir raspar a pele ao ponto de nos vermos à transparência.
E perceber que uma vez analisadas as lógicas, e efectuadas as auto-punições, restará avaliar aquilo que, ainda que possa parecer perdido, se possa repetir em conceitos de amor variado, ainda que não nos mesmos habitáculos humanos.
Mais perigosa que a desilusão é o cansaço, apenas alternado pela teimosia de ver em poucos outros o inalterado estado de uma realidade que nos deixa um pé no material, ao invés de transpor a insubstancialidade de uma tristeza tão imensa para todas as manifestações de um ser auto-consciente.
E sinceramente, esta é uma reflexão direccionada aos poucos que ainda teimam em conhecer-me, pelo que fará todo o sentido do mundo para esses, e nenhum para praticamente ninguém.
E com todo o respeito, isso não me importa grande coisa a esta altura, nem nesta circunstância particular.
Amanhã, como diz o cliché, é outro dia. E em breve, serão todos eles outros e todos bem diferentes.
As marcas são afinal como chicotadas. Provocam a reacção, e a reacção é movimento que se define como vida.
So get busy living, or get busy dying... That's goddamn right.
3 comentários:
Está na altura de gravar um sol na pele.
....
:')
Obrigada pelas certeiras palavras.
Às vezes é preciso... sabes... nem de propósito.... a vida tem destas coisas: a semana passada estive a rever o fantástico "Shawshank Redemption"..........
Todos nós temos aquele quê cá dentro... e os olhos postos numa Zithuatanejo....
Beijo grande, meu amigo
"Todos nós temos aquele quê cá dentro... e os olhos postos numa Zithuatanejo...."...
A mais absoluta das verdades.Mas tristemente às vezes abandonamos aqueles que possuem o mapa que nos pode lá levar, aquele lugar secreto onde somos absolutamente livres. Conscientemente ou não...
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