
foto - Paul Mahder
Alguém se deu ao trabalho de comentar este texto já antigo. Reli-o, e curiosamente, encaixa perfeitamente em situações com as quais me cruzei ultimamente.
À consideração...
"A liberdade não é uma opção. Nem uma dádiva. Nem um pressuposto. É uma naturalidade, é inviolável, e é nela que a pessoa revela o carácter mais genuíno da sua personalidade. Para algumas pessoas é necessário entender que a liberdade que se atribui à cara metade é apenas mais um sinónimo do respeito que lhe tem. A pessoa livre toma de forma natural as suas atitudes, sem constrangimentos que redundam em artificialidade ou, em última instância, conflito.
As pessoas controladoras normalmente demonstram uma insegurança que não é atraente, e uma falta de respeito pela individualidade do outro baseada num juízo de controlo. No fundo, há um tremendo egocentrismo nesta atitude, porquanto se julga que o compromisso que deve ser entregue por amor, passa a ser assumido por obrigação quase contratual. Com cláusulas específicas.
"Não olhes, não faças, não tentes."
Julgo que é mesmo um dos mais gastos dos lugares comuns, mas é na liberdade que as pessoas encontram o seu caminho até nós. É nessa liberdade que cada um de nós encontra realmente a motivação para gostar e exercer essa afeição junto dos outros, e haverá coisa mais satisfatória do que verificar que a pessoa opta por nos incluir, por fazer ou ria algo por nós. Além disso a vida exterior torna-se necessária para trazer contributo a qualquer esfera composta por duas pessoas. Evoluir também significa aquilo que se faz com o que trazemos do mundo para dentro de um relacionamento. Ver a evolução da pessoa de quem gostamos faz parte de tudo aquilo que nela acabamos por prezar, porque é um desenvolvimento das bases que nos apaixonaram.
Os controladores são precisamente os que mais se arriscam a sofrer infidelidades ou desinteresses, porque a liberdade é uma espécie de prisioneira paciente, mas nunca se remete sempre a esse estado. Aqueles que vêm a sua liberdade constrangida tendem a reagir mais cedo ou mais tarde, porque se vêm privados de algo que lhes é essencial. A manifestação da totalidade da sua pessoa. A tentação do controlo é de fácil aceitação interna. Especialmente se num primeiro momento existe um assentimento a essa lógica de corrente e grilhão. Mas como em todas as situações de circuito fechado, a inundação leva á erupção, e com ela, os intuitos que se poderiam conseguir de forma livre, acabam por perder-se em fragmentos de um projecto de controlo que em nada redunda senão perda. O contrário absoluto do objectivo inicialmente prentendido.
Não tenham dúvidas. É na iniciativa não solicitada que reside um dos laços mais importantes entre as pessoas. O querer fazer, querer dar, querer estar.
Claro que um pouco de ciúme também conforta. De preferência muito pouco(!)
Porque quem não se sente, não é filho de boa gente.
Mas é a velha e costumeira história.
Equilibrio e moderação.
Nada de grandes segredos."
23/05/2007
3 comentários:
Foi uma belissima ideia teres posto este texto aqui.
....Eu agradeco!
:D
Pois é...suponho que numa bolha de perfeição, nada mais queremos senão que nos adivinhem.
E o ciúme acaba por ser uma manifestação de um receio pequenino, do canto escuro da alma, de que a nossa metade, que eventualmente não nos adivinha a nós, teça oráculos com um terceiro...
Julgo que é esse o pior dos ciúmes; o da partilha de uma proximidade e identidade que connosco não ocorra. E é inevitável, quando tal acontece.
E justíssimo, julgo eu.
Pelo menos como eu o vejo, nada tem a ver com quartos de cama, cenas de faca e alguidar, ou sequer com a pessoa em si.
É silencioso e pessoal e terá, também inevitavelmente, perdoa-me a repetição, um desfecho.
Eu cá sou tão ciumenta de tudo e de todos na minha vida que vou ficar caladinha no meu canto
lol
Ao mesmo tempo, gosto de dar, de estar, de acontecer, de ser, de partilhar. A intimidade é algo de tramado; se há coisas que não dizemos à cara-metade, também as há que não contamos a ninguém, e claro está: muito do que se vive acaba-se sempre por partilhar. E isso depende em muito do grupo de amigos que se tem e da própria família, já para não falar da maneira de ser e de estar.
E muitas vezes, isso não tem nada a ver com ciúme...
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