ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, novembro 06, 2007


foto - Paul Mahder
Alguém se deu ao trabalho de comentar este texto já antigo. Reli-o, e curiosamente, encaixa perfeitamente em situações com as quais me cruzei ultimamente.

À consideração...


"A liberdade não é uma opção. Nem uma dádiva. Nem um pressuposto. É uma naturalidade, é inviolável, e é nela que a pessoa revela o carácter mais genuíno da sua personalidade. Para algumas pessoas é necessário entender que a liberdade que se atribui à cara metade é apenas mais um sinónimo do respeito que lhe tem. A pessoa livre toma de forma natural as suas atitudes, sem constrangimentos que redundam em artificialidade ou, em última instância, conflito.
As pessoas controladoras normalmente demonstram uma insegurança que não é atraente, e uma falta de respeito pela individualidade do outro baseada num juízo de controlo. No fundo, há um tremendo egocentrismo nesta atitude, porquanto se julga que o compromisso que deve ser entregue por amor, passa a ser assumido por obrigação quase contratual. Com cláusulas específicas.


"Não olhes, não faças, não tentes."


Julgo que é mesmo um dos mais gastos dos lugares comuns, mas é na liberdade que as pessoas encontram o seu caminho até nós. É nessa liberdade que cada um de nós encontra realmente a motivação para gostar e exercer essa afeição junto dos outros, e haverá coisa mais satisfatória do que verificar que a pessoa opta por nos incluir, por fazer ou ria algo por nós. Além disso a vida exterior torna-se necessária para trazer contributo a qualquer esfera composta por duas pessoas. Evoluir também significa aquilo que se faz com o que trazemos do mundo para dentro de um relacionamento. Ver a evolução da pessoa de quem gostamos faz parte de tudo aquilo que nela acabamos por prezar, porque é um desenvolvimento das bases que nos apaixonaram.


Os controladores são precisamente os que mais se arriscam a sofrer infidelidades ou desinteresses, porque a liberdade é uma espécie de prisioneira paciente, mas nunca se remete sempre a esse estado. Aqueles que vêm a sua liberdade constrangida tendem a reagir mais cedo ou mais tarde, porque se vêm privados de algo que lhes é essencial. A manifestação da totalidade da sua pessoa. A tentação do controlo é de fácil aceitação interna. Especialmente se num primeiro momento existe um assentimento a essa lógica de corrente e grilhão. Mas como em todas as situações de circuito fechado, a inundação leva á erupção, e com ela, os intuitos que se poderiam conseguir de forma livre, acabam por perder-se em fragmentos de um projecto de controlo que em nada redunda senão perda. O contrário absoluto do objectivo inicialmente prentendido.


Não tenham dúvidas. É na iniciativa não solicitada que reside um dos laços mais importantes entre as pessoas. O querer fazer, querer dar, querer estar.
Claro que um pouco de ciúme também conforta. De preferência muito pouco(!)
Porque quem não se sente, não é filho de boa gente.
Mas é a velha e costumeira história.
Equilibrio e moderação.

Nada de grandes segredos."


23/05/2007

3 comentários:

rachmaninov disse...

Foi uma belissima ideia teres posto este texto aqui.
....Eu agradeco!
:D

Anónimo disse...

Pois é...suponho que numa bolha de perfeição, nada mais queremos senão que nos adivinhem.
E o ciúme acaba por ser uma manifestação de um receio pequenino, do canto escuro da alma, de que a nossa metade, que eventualmente não nos adivinha a nós, teça oráculos com um terceiro...
Julgo que é esse o pior dos ciúmes; o da partilha de uma proximidade e identidade que connosco não ocorra. E é inevitável, quando tal acontece.
E justíssimo, julgo eu.
Pelo menos como eu o vejo, nada tem a ver com quartos de cama, cenas de faca e alguidar, ou sequer com a pessoa em si.
É silencioso e pessoal e terá, também inevitavelmente, perdoa-me a repetição, um desfecho.

A disse...

Eu cá sou tão ciumenta de tudo e de todos na minha vida que vou ficar caladinha no meu canto


lol

Ao mesmo tempo, gosto de dar, de estar, de acontecer, de ser, de partilhar. A intimidade é algo de tramado; se há coisas que não dizemos à cara-metade, também as há que não contamos a ninguém, e claro está: muito do que se vive acaba-se sempre por partilhar. E isso depende em muito do grupo de amigos que se tem e da própria família, já para não falar da maneira de ser e de estar.

E muitas vezes, isso não tem nada a ver com ciúme...