ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, dezembro 19, 2007

O melhor momento de Humor natalicio de produção nacional.

Brilhante!

Quando o Herman era o Herman...



terça-feira, dezembro 11, 2007

Ok, Somos homens....


E então???





Os relatos sobre os comportamentos disfuncionais entre casais dão que pensar. Especialmente no campo sexual, porquanto leva a reflexões complicadas. Reflexões que entram pela lógica da relação, pelo partilhar de espaços, pela descoberta mútua, pelo ensinamento do corpo e a percepção do outro através de coisas tão básicas e essenciais como o cheiro ou os movimentos típicos.

A verdade é que ouço todo o tipo de histórias. De mulheres pouco interessadas em sexo, de homens sempre cansados, de relações que se vão defrontando com problemas derivados, quero eu crer, não do conhecimento mútuo, mas da entrada nas vivências quotidianas, e dos seus efeitos. O elemento confiança e partilha parece ter aí uma espécie de campo minado, pois aos que vão conhecendo, mostra-se a dimensão daquilo que não se reveste necessariamente de mistério ou sofisticação. Ao aceder ao nosso básico, as imperfeições sobem como uma espécie de crachá brilhante, e torna-se impossível que este não ofusque o olhar de quando em vez.

Mas se pensarmos, as disfunções sexuais, as incompatiblidades, a montanha russa dos interesses mútuos não se colocam nunca nos relatos de situações limitadas no tempo ou na disponibilidade. Também é um mito que a aventura não assuste ou intimide, porque bem vistas as coisas, a percepção de alguém novo, de um calor de corpo que não conhecemos, de um cheiro que não nos é familiar, coloca toda a espécie de ansiedades em jogo, o que acaba por poder provocar problemas "funcionais".

Mas a verdade é que a mais das vezes cavalga-se sempre na lógica da descoberta, e a disfuncionalidade fica de fora quando a confiança é sempre limitada. Talvez alguns considerem que isso é uma espécie de opção instintiva, de ganhos e perdas necessários a qualquer fenómeno relacional.

Nunca generalizando, a verdade é que conheço cada vez mais casos em que a convivência sã ( ou não) ganha um poder considerável sobre as pulsões. Mas a verdade é que elas vêm ao de cima, mais cedo ou mais tarde. Podem ou não concretizar-se, mas é a capacidade de equilibrar os variados instintos que safará a pessoa. O contra-balanço, porque é inegável que o amor progride na sua dupla face de fenómeno ternurento com dentes.

Em consequência, multiplicam-se os relatos, especialmente de mulheres (que são os que mais me intrigam e interessam), que expressam em alto e bom som a dureza da sua condição face à sua auto-determinação e ganho social. E algumas dessas histórias parecem demasiado caricatas para serem reais, mas a expressão nos olhares e o tom das palavras parecem deixar pouca margem para dúvidas. A sua frustração emerge, não raras vezes, como a manifestação do inegável poder sexual que assombra o homem desde a antiguidade, e como tal, escora-se na força de uma emocionalidade sexuada, que é bem mais complicada de satisfazer devidamente. E quem é quem para poder negar aquilo que cada um acha satisfatório? Há uma margem de tolerância ou parcimónia? De selecção de argumentos e atributos da pessoa? Brincando, diria que o tamanho interessa sempre, não importa o que me digam as visadas. Mas também interessa o tamanho do interesse instilado, da variação das perspectivas, da criação de caminho para caminhar, passo a redundância, ao que se junta um pouco de sorte. E aí todos são responsáveis, perdedores ou vencedores. Perguntar e exigir não são petulâncias. São rações de sobrevivência.

As disfunções, às quais chamaria apenas desencontros parciais e cronológicos, surgem-me muitas vezes como pecados de preguiça, mas também é certo que a natureza pessoal de cada um pode ser mais ou menos consentânea com a capacidade e vontade de retirar várias águas da mesma fonte, e sempre frescas e correntes.

Ao estagnar, surge o cheiro, e nada sobrevive.

Fácil?

Claro que não!

Possível?

Parece que sim...



segunda-feira, dezembro 10, 2007



É complicado quando a nossa natureza combate o que deveriam ser os nossos instintos. Especialmente quando essa natureza abarca em si genuinidades que se mordem entre si, como irmãos conflituosos mas de essência necessariamente conjunta.

Resta-me então amar o que posso, da forma que me é possível, sentir que viajo, e agradecer dando aquilo que me surge natural, conquistado sem rendição.

Pé ante pé, cá vem, e lá vai.

Estou cá, sou eu, e no meio que fica entre este e aquele espaço mais além, estou, não mais pedra, mas mudando em pulsações entre o toque da carne, as palavras do que tenho o descaramento de chamar de alma, e a herança ígnea.

O mistério nunca somos nós, mas aquilo que provocamos em quem poderia fazer, ser e dar tantas outras coisas a tantos outros.

E no entanto.

Cá estamos. Naturalmente presentes, e sensíveis.

A todos aqueles que ainda que se julguem idos, permanecem, e aos que estando, ainda mais entram.

Siga.

Sou português, mas a antiquíssima e belíssima "Scotland the Brave" provoca-me sempre arrepios.
Tirando o facto de que há um álbum novo dos Puscifer (MJK está definitivamente a passar-se, mas nada do que ele faz tem o mínimo de banalidade) e que vêm aí os Ashes Divide, o que são grandes notícias para os amantes, como eu, dos saudosos Perfect Circle, hoje é um dia estranho. A meio caminho da vida útil da quadra, vejo que o espírito generalizado tarda a instalar-se. E isto não seria para mim uma perplexidade que não achasse que tal situação contamina grande parte das atitudes e das lógicas com que me confronto no dia a dia.
Os míudos passam a vida a dizer-me que isto de crescer é uma seca, o que, em meio ao terrorismo ocasionalmente saudável que são as mentes livres das criancinhas, parece ter alguns argumentos a favor. Vejo muito cansaço, muita manutenção de lógicas vivenciais, muita procura por algo que vai sendo minado por um cansaço subtil mas omnipresente.
Tenho a perfeita noção, talvez porque esteja doente e o dia não esteja assim a correr grande merda, que isto não passam de maus fígados de uma tarde demasiado parada devido à paralisação antecipativa de grandes mudanças, mas a verdade é que o entusiasmo tarda, derivado talvez da paralisia urbana que observo à minha volta, relativa, claro está, aos fenómenos de puerilidade que a espaços julgo tão necessário. O estritamente adulto parece-me seco, cinzento e perdido numa amálgama de coisas inertes, de sequências, dos dias que se seguem uns aos outros como dominós demasiado roídos por dentes entediados.
Mas, claro está, há um audiobook no carro, e talvez a noite precoce traga os brilhos das cores de encontro ao cenário que se pinta de escuro. Em casa há embrulhos para fazer, acompanhado a filmes (que não há treino hoje), algo quente numa chávena, e a ideia de que existem um ou outro par de malucos que também vêem coisas onde elas não estão, e deixam-se enlevar num espírito que, nos dias de hoje, reúne um estranho e organizado concenso detractor.
Isto é só um mau dia com expectativa de gripe.
Passando, passa tudo.
Espero.

quinta-feira, dezembro 06, 2007



No outro dia, quanto seguia de carro, ouvia um programa na rádio (estatal) chamado conversas de raparigas, o qual me causou alguma estranheza, confesso.
Primeiro porque no painel se ouvia uma voz masculina e profundamente afectada, para quem tudo era uma seca. Tudo. E depois porque o tom que sobressaiu de alguns membros da tertulia radiofónica foi tradutor de uma ideia que, à falta de melhor termo, me parece idiota, como tudo o que se torna moda porque sim.
Tornou-se cool falar mal do Natal. Maldiga-se aquele que caia na piroseira de gostar da quadra, de achar piada às cores, ao escuro, ao nevoeiro, à comida e a mimar um pouco aqueles de quem gosta. O que fica bem é denunciar o mercantilismo, achar que a atitude enfadada a relembrar velhos tempos (que provavelmente para alguns eram be piores que estes) e assumir uma nostalgia quase cínica pelas couves e o caldo de galinha de outros tempos.
Tornou-se sofisticado pôr todos os rituais em causa, porque, de certa forma, é no esclarecimento da era moderna que se produz a magnífica ideia de que tudo é uma seca. Tudo é enfadonho, e ai daquele que por acaso até sentir um calor qualquer no espírito com as decorações citadinas de Natal.
Sinceramente não percebo, e tenho uma teoria já anteriormente referida por muitas pessoas, estou certo. E esta assenta na falta de capacidade de suportar o peso da culpa. Como alguém me disse, as ausências constantes e absolutas não podem ser compensadas com uma aparição anual, por muito bom que seja o bacalhau. Mas parece-me que são precisamente aqueles que tanto denunciam o quão "un cool" é a quadra natalícia que mais parecem surgir com uma consciência pesada. São aqueles que não perdem tempo algum realmente a escolher algo para alguém especial, seja no Natal seja durante o ano. Ou são outros que nao tensão que a quadra inflige, que sucumbem perante os descasos que não quiseram colmatar no seu comportamento anual.
Claro que toda a gente tem direito e legitimidade para gostar ou não da quadra, mas falha-me entender este tom demolidor relativo à mesma, muitas vezes numa tentativa de denúncia que não tem de facto essa aplicabilidade generalizadora. Há quem, felizmente, possa e queira sentir-se bem nest altura, ou deveria dizer, sentir-se melhor. E para os que apanham a seca há umas viagens muito baratas para destinos tropicais, ou o interior de casa com qualquer electrodoméstico que não seja a a televisão, ou qualquer livro sem menção ao mês de Dezembro.
E assim agrada-se a todos. O cool, e os absolutamente bregas, como eu, que já montei a árvore e leio o Cântico de Natal do Dickens, anualmente, desde há vinte anos. Por falar nisso...
"Marley was dead: to begin with. There is no doubt whatever about that. The register of his burial was signed by the clergyman, the clerk, the undertaker, and the chief mourner. Scrooge signed it: and Scrooge's name was good upon 'Change, for anything he chose to put his hand to. Old Marley was as dead as a door-nail.(...)"

segunda-feira, dezembro 03, 2007




«Pais e Educadores Reforçam campanha contra "A bússola dourada", filme que promove ateísmo entre crianças

WASHINGTON DC, 30 Nov. 07 / 12:00 am (ACI) .


A Liga Católica dos Estados Unidos lançou uma campanha para advertir dos perigos do novo filme "A bússola dourada" (The Golden Compass) que se estréia na próxima semana e que pretende "conduzir aos crianças ao ateísmo".

O filme, interpretado por Nicole Kidman e Daniel Craig, é a adaptação do primeiro de três livros intitulados "Os Reinos do Norte", no qual o poder está nas mãos do "Magisterium" (alusão ao Magistério da Igreja) que deveria ser uma espécie de "ordem religiosa que sufoca a individualidade e controla as almas das crianças , atitude contra a qual se erige a menina Lyra Belacqua, possuidora da bússola dourada" que contém a verdade suprema.

Conforme explica o Presidente da Liga Católica dos Estados Unidos, Bill Donohue, Pullman promove assim o ateísmo e busca "denegrir a cristandade aos olhos das crianças" com sua trilogia intitulada "Fronteiras do Universo". Por essa razão exorta aos cristãos a "afastar-se deste filme, porque sabe que o filme incitará a ler os livros: Pais ingênuos que levam seus filhos a ver o filme podem ser impulsionados a comprar os três livros como presente de Natal".

O segundo livro, "A Faca Subtil" é mais "explícito no seu ódio ao cristianismo que o primeiro, e a terceira entrega ("A luneta âmbar") é mais flagrante" destaca Donohue, quem também explica que o filme está apoiado na menos ofensiva das três obras.

Ante esta agressão à fé católica, a Liga põe à disposição dos fiéis o relatório "A bússola dourada: propósitos desmascarados", que se pode adquirir na Internet.»





O disparate completo está aqui. O artigo e as palavras de Donahue seriam rísiveis, se a sua ridicularia não fosse perigosa. É disparate atrás de disparate, próprio de quem nao tem ideias para combater ideias, mas sim a censura e dogmas como resposta à discordância com a cartilha.


Não só o teor de todo site é assustador (para além de involuntariamente cómico) , como de resto faz lembrar aquilo que os católicos não gostam de relembrar, que ainda hoje em dia existe algo impensável, ainda que em conceito, designado "Index Librorum Prohibitorum."

Este index vigorou até 1966 enquanto parte da lei canónica, mas que ainda assim, tendo sido banido como norma, permaneceu como sustentáculo de referência moral contra o que será supostamente conhecimento passível de ferir as ideias pré-feitas da doutrina católica. Nessa data, a Congregação para a Doutrina da Fé cessou a publicação desse Index, mas afirmou que o conceito subjacente ao mesmo ainda serviria como "guia moral para relemebrar as consciências dos fieis para que estes evitem ler aquilo que pode ser perigoso para a fé e a moral", podendo a Igreja emitir um Admonitium ou um aviso aos fiéis sobre a suposta periculosidade de um determinado livro. Referências aqui.



Eu sempre pensei que o verdadeiro perigo fosse a ignorância e a ingerência na liberdade de pensamento individual, mas estou certamente errado. Ou segundo estes moços, herético, o que já não me chateia nada. Se Cristo realmente existir, eu pergunto-me se ele estará realmente preocupado com o que eu leio, se isso representar pensamento ou o impulso para crescer e aprender, com o contributo de ideias novas, e a capacidade de perguntar para avançar. Se realmente for essa a posição dele, não contém comigo para o pão e vinho.



Estes amigos da Liga Católica Americana (que se diz protectora dos direitos civis.. hum... censura, direitos civis... há aqui qualquer coisa que não joga...), que já antes perseguiram o desgraçado do Harry Potter (com os resultados que se viu - JK Rowling deve uma boa fatia do seu pecúlio aos irados do Vaticano, com certeza. A ironia faz bem ao sangue e estes moços, melhor do que ninguém, deveriam saber que Deus não dorme...), resolveram agora virar-se para a saga de Phillip Pullman, começar a descascar na suposta "anti-religiosidade" que a obra encerra, e a óbvia censura que deve ser feita à mesma. Sobre a manutenção pelo menos do espírito do Index, ler por exemplo aqui a propósito da antiga polémica Dan Brown...


Se eu já tinha vontade de ler as obras, confesso que a mesma redobrou. Porque aquilo que qualquer religião organizada ataca tão ferozmente é normalmente interessante e faz pensar. Pensar nem que seja no que levará instituições que já deveriam ter crescido a continuarem ataques pífios e ridículos à liberdade de pensamento, enfiando a carapuça cada vez que alguma obra supostamente ataca uma religião de massa. Dir-se-ia mania da perseguição, ou outra coisa mais sinistra, em meu ver. Pullman agradecerá. Quanto mais a Igreja descascar nas suas obras, mas elas se venderão, o que em meu ver parece um tiro no pé, mas enfim. A verdade é que argumentação para tais virulentos ataques é, normalmente, pouco menos que ridícula.

A verdade é que as religiões de massas, de cariz ainda profundamente dogmático, continuam a dar contínuos passos atrás, e se de facto é verdade que até partilho de muitos valores das designadas religiões "principais" - Amor ao próximo, exercício da bondade, etc - a liberdade de pensamento é algo que deveria ser sagrado, embora para muitos na comunidade religiosa, continue a ser sacrílego.
E assim não me parece que cheguem lá...







É uma grande verdade, e sem ponta de ironia, juro-vos.

É uma raridade absoluta e de uma estranheza a toda a prova... Mas, e não sei porque razão, não gosto do Seinfeld.

E ando há anos a tentar perceber porquê.
A sério!