Ainda acerca do tabaco, andam os tabágicos em grande polvorosa, feridos de morte naquilo que dizem ser o seu direito a fumar. Ora bem, vou tecer apenas mais algumas considerações breves:
1 - Obviamente que é uma idiotice não se fumar em esplanadas, mas ao contrário do que acontece em Espanha, não é proibido por esta legislação, como tal, por aí não há controvérsia.
2 - Durante pelo menos uma década de educação, de instrução quanto aos efeitos, malefícios e sobretudo, o dever de acrescido de respeito que o tabaco impõe, os fumadores mudaram zero dos seus comportamentos. A lei permitia-lhes, e como tal, vai de acender, e se o gajo da mesa ao lado não fuma, e por acaso até está a comer, azaretes. Portanto, enquanto a coisa lhes ia de maré, o incómodo dos outros, dos não fumadores, das pessoas que têm direito a respirar um ar decente enquanto comem, não significava nada. É preciso ter uma lata do caraças vir reclamar agora contra aquilo que supostamente sempre fizeram, sem apelo nem agravo.
3 - Sou claramente a favor das salas com locais destinados a fumadores, desde que a extracção seja suficiente. E existem casos em Lisboa, onde vivo, que o ilustram, e estive no outro dia num deles. Se a eficiência dos outros locais for a mesma que verifiquei no local onde estive, então todos ficam felizes. Agora se a extracção não for suficiente, a simples separação entre zona fumadores ou nao fumadores não funciona, e como tal, reclamar essa falsa barreira é um puro exercício de quem acha normal sobrepor suposto prazer sobre o bem estar e a integridade física dos outros. Se houver condições para todos, óptimo. Se não, pois parece-me que o direito a respirar oxigénio em detrimento de poder expelir monóxido de carbono (e alcatrão) parece impassível de discussão.
4 - Hoje pude entrar na pastelaria situada no meu prédio. Respirava-se. O ar era claro, conseguiamos sentir o cheiro do pão, e não tossir como se não houvesse amanhã, antes das oito da manhã!!! É apenas uma nota pessoal, mas de grande satisfação.
5 - Uma nota à malta com quem falei que fala de fundamentalismo. Sempre fui a favor do exercício das liberdades cívicas e individuais, principalmente. Mas nunca advoguei que essa liberdade pudesse sobrepor-se ao bem estar mais elementar dos outros. Daí que sou a favor das drogas leves, do carácter opcional do uso de capacete em motociclos (excepto crianças, claro), entre outros exemplos. E porquê? Porque é a integridade pessoal de cada um, e não afecta outros. Se me quero charrar ou partir os cornos no asfalto, é um problema meu. Mas empestar o ar dos que me rodeiam, já deixa de ser um problema só meu. Isto parece-me claro. Fundamentalista é este brado contra uma situação que afinal vem tutelar aqueles que nunca foram tutelados.
Fumem em casa, na rua e nos locais com devida extracção. Não tenho nada contra mesmo. Fora isto, o ar é de todos. Respirável, claro.
1 comentário:
Toma lá disto ;)
Portugal não é, e penso que nunca foi, um país de gente civilizada. Ponto assente. Nível zero em cidadania e boas maneiras. Consideração pelos outros. Respeito pela Liberdade de cada um. Deveria ser proibido, tal como o fumo de cigarro, as pessoas comerem de boca aberta, fazerem ruídos estranhos aquando da degustação, arrotarem, levarem criancinhas aos berros e sobejamente mal educadas e, já agora, dizerem palavrões (tipo "o jogo de ontem foi uma merda, aquele árbitro é um cabrão..." e por aí fora)... isto em locais públicos. Já para não falar do lixo em abundância nas matas do nosso querido país livre, bem como nas praias que nos distinguem como um dos principais pontos turísticos do mundo. Não estou a brincar. Este país é uma vergonha. Você, caro leitor, sabe disso. Pode levar algum tempo a discordar, e mesmo assim, a afirmação de que somos um país de gente incivilizada, como é referido no início do texto, é muito suave. Arrisco mesmo a dizer que somos um país de selvagens. Selvajaria.
Eu concordo com a nova lei. Não tenho de concordar com o facto de termos todos de respirar aquelas coisas todas muito más que vêm no fumo dos cigarros dos outros, e nem sequer tenho de partilhar os malefícios da minha escolha enquanto fumadora suicida com os outros, os que optaram por dizer NÃO naquele momento em que os mais fortes e portatores de grande carácter pessoal e humano, se distinguem dos outros, os fracos, os que sucumbiram ao pecado de fumar um cigarrinho. Faz mal à saúde e isso já todos nós sabíamos. Que a proibição seria um mal necessário, é um facto eminente que mais cedo ou mais tarde, assim teria de ser, e não há volta a dar. Eu sou fumadora e reconheço que nalgum momento (vá, em bastantes) da minha vida, deverei ter acendido algum cigarro perto de muitas criancinhas e sim, fui má cidadã, egoísta e hedonista de pacotilha, coloquei o meu vício antes do bem-estar dos piquenos, mas merecerei o Inferno por isso?... tal como eu, a grande maioria dos fumadores que conheço. É proibido fumar, não se fuma. E ponto. Nem coloco em causa algo que me parece ser do genuíno interesse de todos.
O pior é mesmo o resto. É todo um conjunto de leis que indicam a proibição de algo bem mais precioso que isto, e todos calam, consentem, e daí eu achar que é uma idiotice falar-se nisto e não se falar no resto. O lixo, a poluição, a falta de consciência cívica e ambiental, de animais que se dizem pessoas e não passam de portugueses idiotas, que sujam tudo e não respeitam ninguém, levam os filhos a fazer piqueniques e ensinam-nos a sujar o que é de todos. Para estes não há leis, e estes são a grande maioria daquilo que é chamado de povo português. E o pior é que nem com proibições e leis contra o fumo estas pessoas vão apagar os seus cigarros. O fumo do cigarro é apenas a ponta do iceberg. Não dá trabalho e não custa dinheiro ao Estado chamar um GNR e fazer a denúncia daquele gajo que está ali, armado em estúpido a fumar o seu cigarro do contra (acontece, infelizmente). O que já dá trabalho e custa dinheiro, é colocar mais guardas florestais e polícia marítima a dizer à senhora que não deixe a fraldinha cagada do puto no meio do chão que é de todos. Ou chamar à razão os energúmenos que vão fazer barulho para o cinema, a comer ruidosamente pipocas. Ou mandar calar a criancinha aos berros durante uma refeição em que não tenho simplesmente de sofrer pelos tímpanos. E um sem número de coisas que supostamente são proibidas, mas que não são respeitadas porque dão muito mais trabalho e custam muito mais dinheiro ao mesmo Estado que abre noticiários todos os dias com uma não-notícia. É no fundo, uma falsa questão, ou deveria ser uma falsa questão, que nem em causa deveria ser colocada.
Com o tempo, as proibições serão cada vez maiores e mais pesadas. Fôssemos nós um povo civilizado e nada disto seria necessário. Desde a falta de bom senso até à falta de consideração, os portugueses só entendem a mão da proibição e o delinear de limites bem definidos. E ainda se admiram de ter sido Salazar a figura escolhida pelo povo?
Besos
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