ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com

terça-feira, janeiro 08, 2008


"Alguns consideram que tal coisa não existe. Que somos todos passíveis de remendos que nos transportam para uma dimensão imaculada da personalidade que supostamente temos. Mas os que assim pensam estão errados. Pelo menos parcialmente. A evolução não aponta apenas para um sentido. As pessoas danificadas não estão de forma alguma absolutamente incapazes. Ou tolhidas. Se for a pensar bem, elas simplesmente colocam um problema complicado aos que ainda assim as amam e aceitam. Abanam a cabeça em segredo, aceitam a punição e fazem o melhor que podem.
A avaria pode tornar a pessoa diferente, evoluída e pejada de uma percepção de si mesma ao ponto de nem sempre fazer aquilo que supostamente faz sentido. A dor é de marés, e ninguém pode parar a rotação da terra. Simples. Mas a humanidade condicionada é dolorosamente real. Por vezes, aposta fortemente. E é efectivamente capaz de sentir ou esperar. Mesmo em meio ao desespero da confusão, isso consegue prevalecer, ou a tristeza produzida pela denúncia que fazem de si mesmos não passaria de um fait-divers. E se gritamos, existe, se existe, tem efeito, e se tem efeito reconhece-se. Está vivo.
Ela pareceu ter lido isso a partir do meu silêncio, pois passou a mão pelo meu rosto e exibiu um sorriso estranho. Era o sorriso de quem põe Betadine num joelho esfolado. A repreensão surgia como a lógica de causa efeito, sem os panos quentes da cegueira benévola ou o abandono do repúdio. É o direito sagrado de cada pessoa poder lixar a sua vida conforme lhe aprouver, mas a liberdade não parecia garantir-me palmadinhas nas costas ou pontos no cartão da gasolineira. Ela era o beijo de retribuição, a entrega da mais simples ternura pelo esforço na perseguição da mesma. E a vergonha que sentia pela minha imobilidade não era suficiente para lhe dar espontaneidade. Bebia pelo sono, e adormecia pela facilidade."


... a caminho da via sacra da rejeição editorial :)

2 comentários:

Simone disse...

Pelo que escreves,
Pela tua atitude
Pela tua participação
Porque sim,
Deixei-te uma coisita lá no meu espaço

Beijoca

Mrs. Jones disse...

Venho sempre. Mas em silêncio. Há sítios onde gosto de estar, sossegada, a degustar...
Onde não deixo palavras, de tão redundantes que seriam.

Espero ter entendido mal e que a via sacra da rejeição não se refira a este espaço. Big, big mistake.