
A ausência de expectativa é impossível.
Esperamos sempre alguma coisa de alguém, assim como esperam de nós. E ainda bem, acho eu. Que mundo seria este onde as pessoas simplesmente não conseguissem criar uma qualquer espécie de laço mutualista ou cúmplice. A liberdade de acção é sagrada, mas o descaso hedonista (faço quando me apetecer mesmo e viva o velho), leva a coisas complicadas como o espaço vazio na necessidade. A mim já me chamaram generoso, mas eu tenho-me apenas por normal. Por alguém que faz o que é normal, quando o que está em causa é afeição entre as pessoas.
O cuidado que se tem com alguém revela a atitude que se tem com a maioria das coisas na vida. E esse cuidado cria amizades, amores, laços intemporais, porque certa forma de sorriso ou surpresa, nenhuma naturalidade ensina aos que se julgam verdadeiramente próximos. Por isso sim, acho que a gratidão e a acção espontânea criam um senso de singularidade e união num mundo cada vez mais umbiguista e escondido. E posso exigir das pessoas apenas que elas tenham cuidado comigo e com outros. Não que gostem de mim ou percam tempo a fazer-me seja o que for. Mas se gostam, têm de ter (algum) cuidado, alguma atenção. Não há laço que sobreviva sem que nos coloquemos um pouco na pele do outro, e façamos nascer quase do nada a vontade de lhe fazer alguma coisa. E se isso não podemos exigir, o que concordo, elegemos. Mas aqueles a quem fazemos bem, e que se revêem agradados nesse bem, a inércia não pode ser resposta, nem o descuido. Daí a ontologia da exigência e a selecção dos realmente importantes.
1 comentário:
"O Princípezinho". Há que revisitá-lo, todas as vezes que for preciso. Beijo.
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