ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, fevereiro 26, 2008


A ausência de expectativa é impossível.

Esperamos sempre alguma coisa de alguém, assim como esperam de nós. E ainda bem, acho eu. Que mundo seria este onde as pessoas simplesmente não conseguissem criar uma qualquer espécie de laço mutualista ou cúmplice. A liberdade de acção é sagrada, mas o descaso hedonista (faço quando me apetecer mesmo e viva o velho), leva a coisas complicadas como o espaço vazio na necessidade. A mim já me chamaram generoso, mas eu tenho-me apenas por normal. Por alguém que faz o que é normal, quando o que está em causa é afeição entre as pessoas.

O cuidado que se tem com alguém revela a atitude que se tem com a maioria das coisas na vida. E esse cuidado cria amizades, amores, laços intemporais, porque certa forma de sorriso ou surpresa, nenhuma naturalidade ensina aos que se julgam verdadeiramente próximos. Por isso sim, acho que a gratidão e a acção espontânea criam um senso de singularidade e união num mundo cada vez mais umbiguista e escondido. E posso exigir das pessoas apenas que elas tenham cuidado comigo e com outros. Não que gostem de mim ou percam tempo a fazer-me seja o que for. Mas se gostam, têm de ter (algum) cuidado, alguma atenção. Não há laço que sobreviva sem que nos coloquemos um pouco na pele do outro, e façamos nascer quase do nada a vontade de lhe fazer alguma coisa. E se isso não podemos exigir, o que concordo, elegemos. Mas aqueles a quem fazemos bem, e que se revêem agradados nesse bem, a inércia não pode ser resposta, nem o descuido. Daí a ontologia da exigência e a selecção dos realmente importantes.

1 comentário:

Anónimo disse...

"O Princípezinho". Há que revisitá-lo, todas as vezes que for preciso. Beijo.