Cloverfield - (Atenção, Spoilers!!!)
O que muita gente dirá, provavelmente, que é mais do mesmo, e que New York (não escrevo Nova Iorque porque acho que o Y é necessário ) não precisa de levar mais porrada, especialmente por parte de uma qualquer criatura que desafia todas as capacidades artisticas e dementes da natureza.
Bem, em meu ver, aquilo que retive foi precisamente o contrário. Nunca vi nada assim. Este é o filme que Blair Witch gostaria de ter sido, embora se deva dar o crédito do conceito "bicéfalo" a esse filme. E bicéfalo porquê?
Bem, em primeiro lugar, pela espantosa campanha de marketing viral que durante seis meses levou inclusivamente à criação de clubes de especulação acerca do que se veria neste Cloverfield. de J.J. Abrahams. Como seria a criatura, o que seria, e por aí fora.
Em segundo lugar porque a aparentemente caótica realização, usando uma "handycam", resulta brutalmente na criação do medo, do desespero, e do mal estar que poderia ser passar por algo como o que é retratado neste filme. Não é bem o enredo, mas as emoções que vão perpassndo pelo mesmo, associado ao magnífico ambiente que cheira a real em cada segundinho. A cena imediatamente anterior à entrada no metro, onde podemos ver um vislumbre da criatura que se ergue bem acima deles, emitindo o rugido ensurdecedor, é de parar a respiração. Mas há muitas mais. E o horror parece real. O barulho, o sangue, a devastação.
Sim, tem algo de reminiscência do 9/11, e que ao que parece, levantou alguma celeuma em alguns sectores da crítica e opinião pública dos EUA. Mas sinceramente, não entendo este excessivo pudor em torno de tudo o que possa ser semelhante aos eventos das torres gémeas. Que diabo, um monstro derruba prédios não é verdade? E neste filme não me parece existir qualquer ideia de aproveitar o subcontexto dos ataques à cidade de forma rentabilizar a ideia. A ideia vive por si mesma, e baseia-se na relação entre várias pessoas em meio ao medo, ao despespero, e a uma viagem alucinante que parece real.
A câmara é tão errática que se aconselha a tomada de um Vomidrin antes da sessão, mas é precisamente essa sensação de "in your face" que torna a experiência ainda melhor.
O marketing viral acerca desta produção não atingiu Portugal como os EUA, nem nada que se pareça. Por isso o efeito do "hype" passou ao lado de muita gente que não os maluquinhos do youtube, leia-se eu, que espremem todos os trailers de todos os filmes que estejam em projecção. Mas ainda que não tivesse tido contacto com o trailer, o impacto seria o mesmo, talvez até maior.
Este é o monstro assustador que Godzilla não foi, e o filme que Blair Witch não trouxe.
Recomendo, sem reservas, apesar das reservas de tantos.
1 comentário:
É como dizes, meu caro. A sensação do real (como seria se existisse mesmo um monstro à solta) é a nota mais positiva do filme, mesmo com um ou outro pormenor mais inverosímil, nomeadamente perto do fim. E isso foi o que me agradou mais. Saí um pouco desapontado, tendo em conta que o criador foi o J.J., tenho de confessar que estava à espera de algo mais, em termos de argumento. O medo de haver sequelas também me parece algo menos positivo, mas cada um pode imaginar o final que quiser...
Tirando todo este paleio, é um monster movie e ou se gosta ou não.
Abraços, SK.
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