"Como raio é que exteriorizamos quando não nos dá para gritar e partir bibelôs mandando-os contra a parede? Quando não há lagrimas e estridências, nem cenas para câmaras imaginárias? Quando não existem discursos irrepetíveis prestes a sair da boca em fotografias temporais que se imortalizam? Como é que se conta a outrém da dimensão da perda, para que não pareça tão igual a tantas outras? A dor real parece-se um pouco como uma mordaça. Quem ouvir os grunhidos talvez a queria tirar e ouvir os gritos, mas à partida não permite que seja evidente o que se passa com cada um.
Com ela era exactamente assim. Com demasaida gente, creio."
4 comentários:
Oh aqui outra. E à falta de mordaça, temos os dentes para trincar os lábios.
Bem... eu parti a mão a dar uma murro na parede... para não dar em certa pessoa do meu passado...
Por vezes não há mordaças que aguentem a fúria interior !
...
[Enquanto limpas as feridas, perguntas-me se a
memória é solúvel em água. Eu desvio os olhos
e calo-me baixinho. Há perguntas que são
respostas. Quem te partiu em dois?]
...
http://a-skim.blogspot.com/2007/02/blog-post.html
...e um abraço.meu.
*
One Art
The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
-- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.
Elizabeth Bishop
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