Se há coisa que aprecio é que me digam as coisas. Que se há tais coisas para dizer, desde que pareçam minimamente justas e adequadas aos seus emissores, que as digam. Que as veiculem. que as deixem sair. Que diabo, se a intenção é justa e honesta, ninguém será obrigado, pelo menos nas relações pessoais, a manter construções convenientes ou adequadas, porque cai bem, porque é simpático e civilizado.
No meu caso pessoal, gosto que me mandem passear assim que as pessoas achem genuinamente que é o destino que me cabe. Existem poucas coisas mais decentes que mandar à merda (ok, polidamente de preferência) quando a pessoa acha que é só isso que resta fazer. Os subentendidos, normalmente formados por silêncios, descasos, e desconsiderações, são como pequenas cobardias disfarçadas de polidez descontraída. O que está muito bem, já que não será surpresa para ninguém que tal forma de agir está impregnada em quase todas as morfologias de relação pessoal/social, mas acho que tal deve ser para quem quer, e para quem acha adequado. O que não é o meu caso.
Sim, custa. E não parecerá, numa primeira análise, nem simpático nem sequer próprio de boa pessoa. Mas se alguém que nos quer mandar à merda o fizer de forma polida e directa, a verdade é que o sentimento inicial de choque e tristeza será rapidamente substituído por um respeito distante mas sólido pela sagrada escolha que cada pessoa tem em escolher o que quer para si. Prefiro claramente isso a uma espécie de polidez vazia e oleosa, onde o sujeito de tal prática olha para o céu, assobia, e apresenta um manancial de desculpas perfeitamente adequadas, educadas e, helas(!), polidas. Pode parecer que fica bem, mas não passa de adubo para mal-entendidos, frustração constante do mínimo de expectativas existentes em qualquer forma de proximidade. Em última análise, alguém vai estar sempre no seio das questões que o assaltam em instantes como estes, emerso em dúvidas e baralhado sobre os comportamentos que deverá ter. E isso não é simpático.
Não julgo que a civilidade dos comportamentos se meçam pela adequação subjectiva que cada um fará deles. Acho, pelo contrário que o esclarecimento deve ser tónica de todo este tipo de comportamentos. Aqueles que fazem, que agem, que aparecem, podem, ao fazê-lo, estar a violar ou perturbar uma forma de estar de alguém que quer redefinir o espaço que é destinado a tal visitante. E, pelo menos para mim, existem poucas coisas piores que a sensação do penetra, daquela pessoa que toda a gente andava a torcer para que se esquecesse de aparecer, pelo que acho que não se justifica deixar o dito por não dito. Não ponho de parte a ideia do afastamento pela inacção. Parece boa estratégia. Mas o que não é de todo aceitável é mascarar as acções com palavras desdramatizadoras, qualificando de "gestão normal" aquilo que é claramente uma perda de interesse, naturalmente imcompatível com qualquer relação de proximidade.
Sinceramente, mais vale ir pregar para outra freguesia, nem que seja acompanhado de uma máxima algo zen onde sabemos que hoje mandaram-nos pastar, mas amanhã podemos ser nós a mandar outros ruminar.
Convinha era esclarecer.
Não será?
3 comentários:
Será, claro que sim.
A verdade, sempre. Corta, sangra, dói, sara. Deixará cicatriz ou não. Acho que este é o processo saudável.
:0) BJ.
Estou contigo a 100%. No entanto, acho que precisamos de ser elasticos em relacao a isso porque as pessoas pensam todas de forma diferente.
Mas de facto, as pessoas nao dizerem as coisas, nao serem honestas e esconderem-se no silencio e' das coisas que mais me irritam. Porque gera muita confusao e frustracao.
E este tipo de silencio, que nos vai remoendo por dentro nao e' nada saudavel. Para nos. Mas para quem impoe o silencio, nao.
Infelizmente ja me surgiram casos assim em que nao soube como agir. O mais sensato a fazer e' nao insistir... acho eu.
Interessante mesmo é a importância dessa malta a que te referes se dá. Porque efectivamente acham-se muito importantes. E interessantes. E tudo e tudo... por acaso já pensaste que pode ser porque tentam esconder algumas lacunas de personalidade ou porque não se acham realmente assim tão interessantes e têm medo q descubras as fraudes q são?
Conheci alguns casos assim...
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