"Aqueles" Amigos não são sobrevivência. São vida, e daí a sua raridade.
Constância ou não, omnipresença ou ausência frequente, são o sustentáculo de uma escolha que tem de se fazer. Alguma dedicação às pessoas é difícil, exige trabalho e uma grande capacidade e persistência. Exige uma crença simples, um gosto por gostar e é muitas vezes esta a particularidade mais difícil de manter verificável ou operacional. O desejo talvez se mantenha, mas a paciência morre e com ela a capacidade de agir. O marasmo é uma espécie de fatiota semi-colorida de normalidade, e cedo ou tarde, insuportável.
Essas pessoas, de quem nós gostamos, às quais temos alguma capacidade de dizer isso mesmo, (e cuja cortesia nos é efectivamente retribuída), são afinal o produto de uma escolha extremamente simples. Existem quando os temos e quando sentimos a sua falta. Não nos dão escolha e só os podemos ignorar até um certo ponto. São perigosos. São inconstantes. São necessários. São vida. Quando desaparecem, prenunciam algumas mortes emocionais enquanto metafóricas. Quando estão, são quase tudo o que resta.
1 comentário:
Subscrevo cada palavrinha. Cuidar dos afectos é a essência.
Beijinho :)
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