Embora seja um reflexo estúpido, e a bem dizer, inútil, algumas pessoas (present company included) julgam que se consegue ter uma atitude conciliadora na maioria dos casos. Atitude onde se consegue levar a lógica da inclusão ao ponto de sublimar as positividades para que as negatividades e inconsistências inter pares simplesmente se esboroem, ou pelo menos não sejam impeditivas de nada. Claro que isto é pior que pregar ao deserto, e a ilusão de que não haja um elemento de umbiguismo ao analisar a situação de cada um perante aquilo que é o quotidiano escolhido acaba por ser remada em lago seco.
É uma estupidez porque a lógica da liberdade pessoas permite fazer essas escolhas, bem ou mal fundamentadas na análise do outro é certo, e as consequências são próprias de um posicionamento único na vida que cada um tem e relativamente às pequenas e grandes escolhas que fazem. Pode custar que a inclusão, ou exclusão, sejam produto da autonomia de cada um, mas é um mistério que nasce na infância e perdura, para alguns, durante uma vida inteira.
Mais complicado é ainda achar que as formas de experienciar paixões (porque as paixões em si são gostos, e esses são mesmo de cada um) são partilháveis, ou que aquilo que por vezes faz uma diferença crucial na nossa vida pode ser entendido como tal por terceiros. Pior ainda é tentar dissertar acerca dessa importância, mencionando os homens ou mulheres em que nos tornamos em consequência desses eventos.
Triste é ter de remeter ao silêncio ou ao eco. Ter de achar no isolamentos dos pequenos milagres do gosto e preferência, a impossibilidade da universalização. Sentir que, afinal de contas, o entusiasmo que quase nos rasgou ao meio é uma experiência estético/anímica profundamente solitária, tem duas vertentes. Acirra o isolamento do que deveria ser o mais importante, e torna manca a inclusão.
Dizem que a vida nunca cessa de nos surpreender. Mas é curioso, penosamente curioso acrescento, verificar que as experiências mais singulares de cada um e as motivações que geram as paixões que por sua vez deram origem a uma personalidade são os elementos dissociativos. E coisas às quais voltamos quando a vida aperta, ou quando tudo e mais o céu parecem acizentandos, encontram esses fenómenos, esses amores internos, são (quase) a única presença de escuta activa.
No fundo, quase ninguém quer saber o que alguém realmente é, ou que pode ser, e sobretudo, porque se quer continuar a sê-lo.
E no entanto há tanta gente dizer o contrário...
Porque será?
3 comentários:
O lixado é que se eu concordar contigo estou tecnicamente a cair no erro que referes...
Porque a vida assim é uma seca e sonhar é bom (desde que se saiba, bem no fundo, que é isso mesmo; ilusão.)
Boa páscoa (ou férias)
Não consigo ouvir a música que colocaste na coluna ao lado, surge sempre erro. Se ainda não conheces, sugiro este site para músicas de blogue:
www.deezer.com
Um abraço de urso e boas Páscoas!
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