ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quinta-feira, março 20, 2008

Embora seja um reflexo estúpido, e a bem dizer, inútil, algumas pessoas (present company included) julgam que se consegue ter uma atitude conciliadora na maioria dos casos. Atitude onde se consegue levar a lógica da inclusão ao ponto de sublimar as positividades para que as negatividades e inconsistências inter pares simplesmente se esboroem, ou pelo menos não sejam impeditivas de nada. Claro que isto é pior que pregar ao deserto, e a ilusão de que não haja um elemento de umbiguismo ao analisar a situação de cada um perante aquilo que é o quotidiano escolhido acaba por ser remada em lago seco.
É uma estupidez porque a lógica da liberdade pessoas permite fazer essas escolhas, bem ou mal fundamentadas na análise do outro é certo, e as consequências são próprias de um posicionamento único na vida que cada um tem e relativamente às pequenas e grandes escolhas que fazem. Pode custar que a inclusão, ou exclusão, sejam produto da autonomia de cada um, mas é um mistério que nasce na infância e perdura, para alguns, durante uma vida inteira.
Mais complicado é ainda achar que as formas de experienciar paixões (porque as paixões em si são gostos, e esses são mesmo de cada um) são partilháveis, ou que aquilo que por vezes faz uma diferença crucial na nossa vida pode ser entendido como tal por terceiros. Pior ainda é tentar dissertar acerca dessa importância, mencionando os homens ou mulheres em que nos tornamos em consequência desses eventos.
Triste é ter de remeter ao silêncio ou ao eco. Ter de achar no isolamentos dos pequenos milagres do gosto e preferência, a impossibilidade da universalização. Sentir que, afinal de contas, o entusiasmo que quase nos rasgou ao meio é uma experiência estético/anímica profundamente solitária, tem duas vertentes. Acirra o isolamento do que deveria ser o mais importante, e torna manca a inclusão.
Dizem que a vida nunca cessa de nos surpreender. Mas é curioso, penosamente curioso acrescento, verificar que as experiências mais singulares de cada um e as motivações que geram as paixões que por sua vez deram origem a uma personalidade são os elementos dissociativos. E coisas às quais voltamos quando a vida aperta, ou quando tudo e mais o céu parecem acizentandos, encontram esses fenómenos, esses amores internos, são (quase) a única presença de escuta activa.
No fundo, quase ninguém quer saber o que alguém realmente é, ou que pode ser, e sobretudo, porque se quer continuar a sê-lo.
E no entanto há tanta gente dizer o contrário...
Porque será?

3 comentários:

Rafeiro Perfumado disse...

O lixado é que se eu concordar contigo estou tecnicamente a cair no erro que referes...

egodependente disse...

Porque a vida assim é uma seca e sonhar é bom (desde que se saiba, bem no fundo, que é isso mesmo; ilusão.)

Boa páscoa (ou férias)

Flávio disse...

Não consigo ouvir a música que colocaste na coluna ao lado, surge sempre erro. Se ainda não conheces, sugiro este site para músicas de blogue:

www.deezer.com

Um abraço de urso e boas Páscoas!