ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, abril 29, 2008

Sometimes you just get the feeling that someone went to the trouble of creating something that places you in touch with an entire sense of perspective. Within the threads of the world fabric. In touch with what you really are, as a person who simply has to accept the contribute of life’s electric shock, just to stay (in) sane.
É refrescante e muito animador poder conversar com alguém sem merdas. Dizer as coisas, mesmo aquelas que de alguma forma poderiam ter um conteúdo mais complicado de gerir ou que criam constrangimentos. Isto porque as empatias têm uma forma muito engraçada de se ajustarem, ainda para mais quando se fala uma linguagem que mais parece grego para os restantes.
Há determinado tipo de insanidade dita saudável, julgo eu, que torna tudo válido. Não é fácil falar do insubstancial, especialmente quando só faz sentido num contexto pessoal de esperança.
E espera-se o quê?
Bem, em que alguém perceba.
Que alguém aja.

terça-feira, abril 22, 2008

"O antes e o depois.
A percepção de algo que fomos, e que num instantinho deixamos de ser. Uma entrada de luz, lenta, como o processo de criação de um daguerreótipo. E a imagem parece eternizar-se, exactamente como aquelas maravilhosas mas assombradas “fotografias” com as quais nenhuma fotografia recente pode competir. A nossa lâmina de prata vai-se expondo e a superfície intocada, plena de uma constância tão clara como o uso inconsciente da linguagem, vai moldando em pretos e brancos, formando contornos impassíveis de reproduzir da mesma forma.
Um daguerreótipo é único. Singular. Irrepetível. Um outro será sempre um segundo à frente ou atrás, ainda que pareça idêntico. A reprodução de tal coisa fica então sujeita ao toque do digital, da repetição infinda, de uma qualidade e transparência que parecem levar o mundo ao colo até ao entendimento da forma das coisas, mas que lamentavelmente é uma reprodução denunciada antes mesmo de se apresentar.

Há um antes e depois. Não quer dizer que haja um melhor e um pior. Há um antes e um depois, uma cor constante e lisa, sucedida por luzes brancas e negros eternos. Esses negros são edifícios do inconsciente que ruem e não há, em muitos casos, como os reerguer.

E se tivermos azar, estamos entalados."



E afinal de contas, chegamos à terrivel, bela e implacável lógica.
Quem teve alguém nas garras sabe até que ponto a luta por emergir ileso acabou por deixar as marcas. Marcas do que recordado como amor, foi apenas o caldo primevo do nascimento de pessoas que deambulam de corações partidos em meio à reconstrução de imagens, sons, cheiros e passagens pelo lado vivo de todas as coisas.
Olhamos para o lado e vemos a encantadora burrice de quem supostamente deu uns passinhos dentro do caldeirão e se atreveu a pensar em sorrir para sempre. Somos mais pequenos perante eles, no medo do esclarecimento, nos toque compassados da vida após aquilo que supostamente lhe deu origem.
Essa lógica são os nossos passinhos, pequenos, insignificantes, no seio do que nos atrevemos a imaginar. É o jogo de parada e resposta com o ritmo cadenciado das rendições e medos, que marcham à vez como pés calçados com botas impensavelmente diferentes. E o encanto do ser que assim coxeia é feito das histórias de que se compõe. Essas histórias acabam por ser contadas, sossegadamente, perante o inferno de um mundo ilusório que até as palavras passadas torna em estranhas, desentranhadas, como filhos paridos em total ausência de laço, mas plenos de reconhecimento.
Respirar torna-se difícil. É tudo tão maior, tudo tão fugidio, tudo tão impassível de abarcar, tudo feito de dedos ágeis em algumas cordas e o inexplicável em poucos minutos que nos enche. Enche-nos como se nascemos, ainda que morramos. Desenha-nos como se nos tivesse visto, no tremendo e cruel truque de quem afinal nunca nos imaginou.
E, ("Meu Deus" diria eu se o pudesse ver, fosse lá quem o que fosse), só posso olhar para cima. Ver ao alto os gestos de quem se canta frases simples acerca desses temores. Da cumplicidade branda e triste das visões passadas, da partilha de algo que só inspira o terceiro e definha o portador. Da enormidade do amor simples, da ausência sentimentalista feita dos pormenores inamovíveis, um sorriso de prisioneiro consciente.
E imaginando como podemos sentir em abstracto, dou comigo a recitar uma cartilha. Um algoritmo para todos os dias e cada um, para ser-me suportável. Para deixar cada palavra sem que ela me envergonhe demasiado, e cada instante em que me tocam realmente sem horrizar-me como ingrato.
Somos sempre pistas. Indícios. Escadinhas.
Apagadas. Confusos. De mármore escorregadio.




Ainda que quisesse ou pudesse estar no topo do mundo, pedia que me deixassem aprender com as palavras e ouvir os risos de quem por lá já passara e as imaginações ansiosas de quem viesse a caminho.
O vento do alto só diz uma palavra e passado pouco tempo, já não interessa.
Outra forma, para mim, faz pouco ou nenhum sentido.


(Vale a pena ver aqui, em necessária e rendida correlação...)
Existem pessoas que, e respeitando a sua honestidade, declaram que adoram ser o centro das atenções. Pessoas que, quando não são sujeitas ao holofote das atenções, entram em processo de insuficiência e chegam ao ridículo de tentar disfarçar, desgraçadamente mal, uma espécie de birra causada pelo desviar do olhar ou palavra para outras paragens.
Muitas delas são pessoas com um tom de voz que faria concorrência à sirene dos bombeiros que anuncia o meio dia. Gesticulam e tomam determinadas atitudes estrategicamente colocadas para que o foco retorne à sua pessoa.
São claramente pessoas a quem a mamã não deu palmadas suficientes no rabo. Pessoas para quem a subjugação dos outros à sua atitude e influência se calhar deveria ser uma normalidade, já que não encontram no meio da sua frequente cabotinice qualquer motivo para que o seu resplandecer não seja uma evidência.
Além de não ter a mínima pachorra para tais criaturas, que encaram os outros como nada mais que uma audiência que não pode senão comportar-se de forma ávida, vejo frequentemente atitudes de desprezo para com aqueles que supostamente deveriam constituir o séquito tão desejado. O que, peço desculpa, me confunde claramente.
Obviamente que ninguém gosta de ser invisível, mas será que essas pessoas não se tocam quando à ridicularia? Que o alarido só as torna uma espécie de alarme de incêndio avariado, e que algumas pessoas podem não acorrer numa lógica adaptativa à lá Pedro e o Lobo?
Será que essas pessoas não entenderão que é o encanto, uma espécie de casaco de personalidade invisível, que por vezes torna as pessoas interessante, charmosas, encantadoras e atraentes, seja em que registo for?
Tenho cada vez menos paciência para esta moda que confunde a afirmação de preferências com um pingo supostamente encantador de politicamente incorrecto com os berrinhos e atitudes afectadas de pessoas que lidam mal com o facto de que interessaremos sempre a uns e nada a outros.
Normalmente quando entram por uma porta, eu estou a sair pela outra. Ou fico silencioso, a ver até onde vai o espalhafato.
Enfim...

segunda-feira, abril 21, 2008

sexta-feira, abril 18, 2008

Em duas penadas de inexplicável, algumas pessoas aprendem a ler-nos, ainda que as instruções que sobrem sejam em árabe, e estejam de trás para a frente...
E só isso daria para a elaboração de um tratado acerca da proximidade entre o desejo e o temor, o contorno real e a imagem projectada.
E mais não digo.
Porque não saberia o que acrescentar, diga-se...

Há de facto um erro nas pessoas que não se precavêm. Aquelas que, como eu, têm pouco cuidado com os actos passados e não os conseguem reverter em cautelas ou certos distanciamentos as interacções do presente ou futuro.

Cansa muito manter a perspectiva negativista. A lógica de que a nossa incapacidade de fazer certas coisas coloca as pessoas no mesmo comprimento de onda, é uma imprudência levada a cabo por um afecto que opera num equilibrio dinâmico e sempre em regime de compensação. Se forem como eu, fecham estupidamente os olhos ao lado negativo até onde puderem, e tentam simplesmente beber todas as gotas do positivo para que ele se torne dominante. O que me vale é que não o faço perante a maioria das pessoas.

Mas esta é uma perspectiva muito discutível. Muito sujeita a debate e contestação, porque afinal de contas tem como géneses e consequências coisas pouco bonitas. Coisas como a eterna roda vida da auto-avaliação e posicionamento versus as afinidades de pele e palavra. E é uma merda chegar à conclusão que em várias ocasiões estaremos sempre a perguntar-nos se o equilíbrio positivista que fazemos fará bem a todos os envolvidos.

É muito chato chegar à conclusão que, na maioria dos casos, a malta vai aproveitar-se. Porque pode. Porque não vê mal nenhum, porque não conhece outro registo, ou porque a mente, no esforço por esquecer e avançar, limpa o cadastro e aceita novas inscrições dos mesmos candidatos.
Mas o que vale é que nunca é o mesmo. E de cada vez que isso acontece, este processo acirra-se, porque se a boa vontade tem memória curta, a inocência perde-se na sua incapacidade de esquecer.

E afinal de contas, a bem ou a mal, vamos aprendendo...






quinta-feira, abril 17, 2008

O que é um laço?
É uma dialéctica total que se manifesta de muitas formas diferentes. Mas talvez os automatismos cúmplices o expliquem melhor que outra coisa. Aqueles que completam e criam as piadas e os que tornam uma conversa que parece repetir-se numa infinidade de desenvolvimento de um tema que parece o mesmo, mas nunca tem a mesma perspectiva.
Depois a percepção. A leitura do terreno acidentado, feito da pequena surpresa que cai tão bem como uma chuva de Verão num incêndio florestal. Aquele inesperado de quem prestou atenção e intervém no momento certo. Um reconhecimento. Uma preocupação feita de ternura sem finalidade cobiçosa.
O que é um laço?
É perceber.



Existem pessoas que assumem um papel de transversalidade que lhes cola à pele como uma identidade iconográfica. São pessoas que atravessam toda uma passagem do tempo, dos eventos e das coisas que ficaram connosco porque outras ficaram para trás.
Existe uma que surge sempre imbuída do que lhe é característico, exibindo o brasão de uma forma muito especial de inconformismo. Viajante, instala-se onde for que o vento a possa levar e como este, faz desse local casa, levando sempre algo à sua passagem.
Pessimista com copo cheio, rende-se aos afectos com a dignidade de quem sabe que pode ser vítima deles, mas nunca os guarda no negro das suas gavetas de memória. Se caso disse for, faz como o vento que a carrega. Desaparece e sopra noutras paragens.
Rende-se aos ícones que a lêem à distância, o que, num confesso desconhecimento, a fazem sentir no entanto retratada. Cohen dixit e sabe que ele sabe desde sempre, e come é que isso se passa é que não sabemos.
A temperatura é feita dos passos por onde passou. A curiosidade fez-se histórias. As histórias fizeram opinião e acolheram as pessoas que não sabem como não se renderem. Umas dança, outras escrevem, outras imaginam. As palavras estão lá, potenciadas por um reconhecimento que tempo algum obriga, e explicação alguma abarca totalmente.
Ela sabe. Não sabe bem como, mas sabe.
Irrita-se. Vocifera. E como qualquer mar indisposto, também se recolhe e faz navegar nesse tapete alternativo onde certas coisas ainda queimam e pouco se explicam.
Essa pessoa faz anos hoje.
E não lhe desejo a melhor das sortes e felicidades, porque seria redundante perante quem, a duras penas por vezes, sabe como tal coisa se procura, ainda que conheça perfeitamente a natureza incompleta de todas as coisas.
Feliz Aniversário!
Dia Feliz!
Keep your essence invisible for those who are, nonetheless, always able to draw it. I know you know what I mean. Keep that kind of faith, sister!

terça-feira, abril 15, 2008


Não tinha ainda falado acerca da situação da aluna e da professora em pleno WWF na sala de aula, ou da tradução situacional implícita nesse acontecimento. A verdade é que, conhecendo vários amigos professores, aquela foi uma situação que em alguns (muitos ) locais se considera menor.
E não me alongarei acerca das lógicas de disciplina nas escolas e quejandos.
Digo apenas que a chamada progressão académica sem exame é um perfeito disparate, bem como a ausência de consequências por faltas. São lógicas de facilitismo que poderiam aplicar-se a pessoas equilibradas e não a uma população que ainda não sabe muito bem o que fazer com as hormonas, e cujos parafusos não estão ainda bem apertados.
O que digo é que a surpresa não pode ser total, já que a iconografia do sucesso é veículada a esses miudos através de uma conjugação de três factores.
Fama desmiolada, futebol e reality/soap-opera shows.
A imagem do sucesso em Portugal ( e sejamos justos, não só) são jogadores de futebol com carros e gajas, ainda que não saibam produzir uma frase, ou gajas e gajos giraços que têm tanto talento para a representação como eu tenho para o crochet, ou os tipos que andam aos pulos que nem macacos nos mais variados reality shows para aparecerem na imprensa da especialidade, cuja indigência de conteúdos não raras vezes roça o inenarrável.
A cultura da pedagogia apoiada em exigência e elogio da evolução não é minimamente consagrada. Que diriam estes miúdos agora dos fantásticos filmes do John Hughes nos saudosos oitentas, onde a "moral" poderia ser óbvia, mas tinha tudo muito mais nuances que os desastres que a televisão cospe todos os dias. (No outro dia tentei ver um episódio dos Morangos com Açucar e fiquei claramente convencido que não passa de material masturbatório para miúdos de 13 anos. Escusado dizer que não passei dos dez minutos, estando a essa altura já à beira de uma quebra de tensão, tal era a ausência de actividade cerebral ou sequer entretenimento fornecido.)
A chamada rebeldia não é invenção de hoje, e todos nós temos a nossas histórias de coisas complicadas nos processos de crescimento. Mas hoje em dia as coisas são mais assustadoras, mais complexas e muito mais danosas, porque os limites foram parar às urtigas e os meninos confundem pedagogia com bandalheira...
Enquanto o modelo de sucesso não for (também) associado a inteligência, humanidade, imaginação e espírito crítico, situações como a do telemóvel são só a ponta do iceberg, e qualquer professor saberá disto. Claro que isto não significa que as escolas de repente se tornaram um antro de malfeitores e pequenos facínoras. Mas a mensagem que se passa para baixo, de pouca exigência e estímulo a pensar e criar só agora começou a gerar aloendros. E esses são, de uma ponta a outra, venenosos, além de crescerem nas condições mais adversas.
A educação começa em casa? Certamente que sim. Mas pouco poderão fazer os pais quando a contra ou subcultura dominante assenta no retorno alto e facilidade.
E quanto a isso...
P.S. - O "menino" que se juntava a outros para "dar porrada na Gi" foi condenado a 8 meses de cadeia por "omissão de auxílio". Não vou obviamente comentar os méritos da sentença, porque não conheço o processo, mas isto é um sinal assustador. Sinal de que já não são pedras às janelas ou palitos nas campaínhas ou porrada no campo de futebol. É malta que arreia nos professores sem hesitação e pode limpar o sarampo a um colega num gesto mais impensado. Malta que traduz uma noção de que não é preciso pensar em nada, ou ter cuidados absolutamente elementares. A desumanização do quotidiano combate com a alteração da natureza das coisas, ou evidenciando o que ela tem de melhor. E apesar de tudo, ainda somos capazes de coisas boas.
Acerca da sexualidade masculina, ocorreu-me aqui há dias, num outro espaço, dizer umas coisitas que sempre pensei e que darão desenvolvimento certamente. E quanto mais reflito nessa matéria, mais o que se segue tem enquadramento, pelo menos para mim...
"É curioso verificar que as "igualdades" de género são realmente um discurso para talk show e nada mais. Ou seja, o que para alguns funciona como prerrogativa, para outros enferma de "descaracterização". Tirando os meus 16 anos, "abrir as pernas" nunca foi suficiente fosse para o que fosse. A coisa nunca foi mecânica e embora grasse a ideia de que a sexualidade masculina se assemelha à caixa de velocidades de uma acelera - ou sobe ou não sobe e siga - a verdade é bem mais complexa do que isso. Sim, porque uma vez desfeita a curiosidade, é a arte e o mindfuck que faz o resto. É o jogo da criação de vontade no meio da familiaridade, coisa que não é fácil, certamente. Nada tem a ver com ausência de líbido ou quejandos, mas apenas a retribuição da complexidade que desde sempre foi atribuida e perfeitamente defendida por uma vasta feminilidade.
And payback's a bitch, eu sei.
Não, não basta a perna aberta ou o tease da perna fechada. É preciso que outros factores entrem em acção,e que a malta saiba levar a água ao seu moínho, porque essa ideia de que o homem está sempre pronto é chão que já deu uvas. As meninas tambem têm de se chegar à frente com arte e inovação e piada, porque estas coisinhas das favas contadas era uma doce ilusão que felizmente começa a acabar. A malta também precisa de ser convencida, mimada e provocada. E por vezes, como acontece convosco, pode até não resultar. E é aí que a arte toma conta do assunto, e as dificuldades se transformam em desafios.
O que é óbvio gera condescendência, e não há maior quebra tesão que isso mesmo, digo eu..."

segunda-feira, abril 14, 2008


Dizer que não se exige é uma falácia. Pior, é uma hipocrisia acidental. Isso mesmo, esse conceito paradoxal mesmo. Uma hipocrisia acidental. A exigência faz parte da noção de sobrevivência que leva miúdos de tenra idade, sem a lição civilizacional do respeito pela partilha, a subjugar o semelhante porque a vontade surge soberana - Golding dixit.
A exigência é um instante de vontade potencial que mapeia o desejo.
E se para alguns, o amor explica todas as listas, desadequando-as, e para outros, as listas inabilitam a necessidade do amor, a verdade é que a exigência não surge sempre traduzida. Ela emana da percepção partilhada, de ondas de qualquer coisa que se parece com matéria. A exigência feita desejo é como uma luz que se deixa tocar. E para percebermos até onde estamos, o mínimo contorno tem de ser visível, o que, para mim, torna algo como o amor inteiramente inexplicável uma falsidade autocrática.
É naquilo que vemos e percebemos, perante os semelhantes, que o inexplicável cria os únicos. O amor, como o esquematismo kantiano, é a matéria que escolhe escorrer para moldes que de alguma forma existem, ainda que julguemos que só nos apercebemos deles no instante em que se enchem...
Quanto mais vivo, mais creio nisto, e mais o defendo.
Valoramos várias pessoas com milhões de características. Amamos aquelas que, "iguais" às outras, se tornam únicas, sem fazerem ponta de corno de ideia de como o fazem.
Ninguém é o que fazemos dessa pessoa, julgo eu, mas antes aquilo com que consegue insurgir-se, na petulância inconsciente da criação em que se torna, enganando-nos maravilhosamente ao obriga-nos a pensar que, afinal, conhecêmo-los desde sempre.
E exigimos porque num real amigo, amante ou familiar, é sempre isto que acontece.
Os inadaptados fazem as histórias.
Pensem nas rotinas dos vossos dias, as necessidades de contar e trazer recortes de vidas que não se conhecem a uma conversa. E quem surgirá? Os inadaptados, aqueles que vão fazendo a asneirada em catadupa, como uma espécie de folhetim da vida privada que está ali à nossa mercê. Em sequência, destilamos todas as sensações ou noções perante aquilo que uns e outros nos vão mostrando, justificando a forma como supostamente nos distanciamos dos "horrorzinhos" e pequenos crimes diários, próprios daqueles cuja vida parece lá longe.
A verdade é que as histórias que nos surgem, aparecem vindas dos corações destroçados, das familias de violência não declarada, das argúcias próprias de quem decidiu a certa altura pôr pés ao caminho e encher-nos de receio com todas as histórias e ameaças de solidão que parecem poder cair-lhes na cabeça como a espada de Dâmocles.
Falamos de todas essas coisas, que nos enchem de medo ou perspectiva, que por vezes lançam a confusão pequenina nos automatismos que guardamos por segurança e lealdade às várias conquistas de todas as formas de amor de que somos capazes.
Mas as histórias que trazemos, que ornamentam as mesas onde todos nos sentamos, ávidos de algo que nos é trazido por quem faz a nossa esfera, são postes de luz na escuridão do improvável. Daquele improvável que, como qualquer história, se porta como uma capa eficaz, que se fecha no momento em que os conceitos formados pelas letras se tornam insuportáveis. Quer pelo medo, quero pelo desejo. Embora seja terrível viver em função de qualquer um deles, a verdade é que temos uma corda atada a cada um deles e por vezes simplesmente não esticamos mais. Só as histórias vão para além dos limites da nossa materialidade. Como a necessidade de termos o mar à porta, ainda que nada façamos nele durante a maior parte do tempo.
Temos viajar.
Dê lá por onde der.
E as histórias são feitas de caminhos, que quanto piores forem, mais enredo produzem á necessária reinvenção que torna suportável a vivência dos dias em que o sol se levanta e se põe, e não nos apercebemos que aquele momento único já foi.
As histórias são feitas de peregrinos confusos.

sexta-feira, abril 11, 2008

Naquele primeiro instante, percebe-se.
Tanta gente desesperadamente ocupada a tentar sentir alguma coisa que nem sequer arranja tempo para perceber os hiatos gigantescos em que tal não acontece.
E disso são feitos os caminhos, em meu ver, para as melhores, as maiores e as mais numerosas perguntas.
Deixo a qualificação disso para outros mais capazes, mas desejo tal experiência a todos.

quinta-feira, abril 10, 2008

Existem pessoas capazes da mais rasteira malícia por propósitos que me escapam. Pessoas que usam cada grama de uma hipocrisia imensa para fazer desfilar uma série de (julgam eles) pequenos actos que deixam os destinatários sem reacção. Existem pessoas capazes de justificar, por uma soberba idiota e um senso de cobardia insustentável, cada atitude em detrimento de algo que não seja o próprio. Justificam-se por uma pretensa superioridade que tem como suporte apenas uma espécie de poder artificial, onde concorrem apenas as relações hierárquicas de sobrevivência ou a ameaça de violência. Justificam-se pela ilegitimidade de quem simplesmente acha que se for feito por si, está justificado, e ponto final.
A maldade, que a mim sempre me apareceu vestida como um egoísmo absurdamente potenciado, é real, e há quem o faça sem qualquer condicionamento, razão, ou justificação. Como a estupidez, parece justificar-se a si mesma na cegueira própria dos doidos que se corrompem a si mesmos à custa daquilo que espoliam a outrem.
Algumas pessoas simplesmente tiram sem autorização, concluem sem argumentos, usam sem cuidado, e destroem sem ser como consequência de uma ameaça.

segunda-feira, abril 07, 2008

quinta-feira, abril 03, 2008

Num país onde os miúdos se matam uns aos outros por um par de sapatilhas de basquetebol, alguém teve uma ideia absolutamente fantástica, devolvendo à sociedade aquilo que ela lhe providenciou, não se esquecendo de onde vem, sem manias de superioridade.

Stephon Marbury e Steve Berry resolveram criar uma linha de sapatilhas acessíveis aos miúdos, sem as exorbitâncias de preços que a Nike e quejandos praticam de forma que por vezes roça o risível.


Fica aqui o
site que vale bem a pena ver.

Dá gosto ver pessoas que ainda se preocupam realmente em fazer algo pelos outros.

Obrigado X., pela referência!

quarta-feira, abril 02, 2008


Provavelmente, a peça de teatro e consequente produção cinematográfica mais detestada por César das Neves e Cia.

Uma obra esplendorosa, corajosa e belíssima que deveria incrementar todos os amargos de boca referentes às vergonhas inerentes a qualquer forma de preconceito, aqui retratado de forma arrepiante e brilhante.
Bate aos pontos o ensaio de porrada gore que aquele moço indicou para crianças de terna idade na megalomania sanguinária do Mel Gibson... Espera... bate não, é diferente, coisa que para o pároco da aldeia é certamente para os perdidos... Mas tem anjos, deve ser blasfémia, pois claro...



terça-feira, abril 01, 2008

Amigos, foi apenas uma pequena brincadeira de 1º de Abril.

Poderia ter sido algo mais inspirado, é facto, mas foi o que me ocorreu.

Muito obrigado a todos pelos simpáticos comentários e solicitude. É uma sensação indescritível o que se sente quando alguém realmente se interessa pelo que martelamos no teclado e ecrã.


Peço desculpas pela partida.


Um abraço a todos!

O programa segue dentro de momentos.
"This is the end...

My only friend...."

E eis que o Estações Diferentes chega finalmente ao fim. Com tautologia e tudo...

Obrigado por tudo, por todos, e especialmente por me motivar a conseguir manter um diário, coisa que sempre fora impossível. Pela fantástica experiência e pela paciência...

See you all soon, some other time, some other place.