ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, abril 15, 2008

Acerca da sexualidade masculina, ocorreu-me aqui há dias, num outro espaço, dizer umas coisitas que sempre pensei e que darão desenvolvimento certamente. E quanto mais reflito nessa matéria, mais o que se segue tem enquadramento, pelo menos para mim...
"É curioso verificar que as "igualdades" de género são realmente um discurso para talk show e nada mais. Ou seja, o que para alguns funciona como prerrogativa, para outros enferma de "descaracterização". Tirando os meus 16 anos, "abrir as pernas" nunca foi suficiente fosse para o que fosse. A coisa nunca foi mecânica e embora grasse a ideia de que a sexualidade masculina se assemelha à caixa de velocidades de uma acelera - ou sobe ou não sobe e siga - a verdade é bem mais complexa do que isso. Sim, porque uma vez desfeita a curiosidade, é a arte e o mindfuck que faz o resto. É o jogo da criação de vontade no meio da familiaridade, coisa que não é fácil, certamente. Nada tem a ver com ausência de líbido ou quejandos, mas apenas a retribuição da complexidade que desde sempre foi atribuida e perfeitamente defendida por uma vasta feminilidade.
And payback's a bitch, eu sei.
Não, não basta a perna aberta ou o tease da perna fechada. É preciso que outros factores entrem em acção,e que a malta saiba levar a água ao seu moínho, porque essa ideia de que o homem está sempre pronto é chão que já deu uvas. As meninas tambem têm de se chegar à frente com arte e inovação e piada, porque estas coisinhas das favas contadas era uma doce ilusão que felizmente começa a acabar. A malta também precisa de ser convencida, mimada e provocada. E por vezes, como acontece convosco, pode até não resultar. E é aí que a arte toma conta do assunto, e as dificuldades se transformam em desafios.
O que é óbvio gera condescendência, e não há maior quebra tesão que isso mesmo, digo eu..."

3 comentários:

Clepsydra disse...

Se há chão onde as uvas passadas não movem moinhos, esse é inequivocamente um deles. "A norma" aqui (se algum dia existiu) estilhaçou-se de vez. Há um “Não” que, agora assiste a ambos. Há caminhos e funções de sedução e de conquista paritários. Há socializações primárias e secundárias que gritam dissonância em todos os papéis, em todos os modelos e referências.

Confesso, eu perco-me (mas também me encanto) no doce jogo da mudança e da ambiguidade…

The F Word disse...

Essa velha questão de "abrir as pernas" continua a padecer do habitual problema de "deslocalização", porque o epicentro da questão não está entre as pernas, mas sim entre as orelhas... :)

Beijinho.

Stephen King disse...

No fundo, é preciso saber jogar, mas sempre com a ideia da autonomia do outro.
Só que a sexualidade é, agora, ou talvez sempre tenha sido, arma a duas mãos e dois lados.

Obrigado pela visita. :)