Acerca da sexualidade masculina, ocorreu-me aqui há dias, num outro espaço, dizer umas coisitas que sempre pensei e que darão desenvolvimento certamente. E quanto mais reflito nessa matéria, mais o que se segue tem enquadramento, pelo menos para mim...
"É curioso verificar que as "igualdades" de género são realmente um discurso para talk show e nada mais. Ou seja, o que para alguns funciona como prerrogativa, para outros enferma de "descaracterização". Tirando os meus 16 anos, "abrir as pernas" nunca foi suficiente fosse para o que fosse. A coisa nunca foi mecânica e embora grasse a ideia de que a sexualidade masculina se assemelha à caixa de velocidades de uma acelera - ou sobe ou não sobe e siga - a verdade é bem mais complexa do que isso. Sim, porque uma vez desfeita a curiosidade, é a arte e o mindfuck que faz o resto. É o jogo da criação de vontade no meio da familiaridade, coisa que não é fácil, certamente. Nada tem a ver com ausência de líbido ou quejandos, mas apenas a retribuição da complexidade que desde sempre foi atribuida e perfeitamente defendida por uma vasta feminilidade.
And payback's a bitch, eu sei.
Não, não basta a perna aberta ou o tease da perna fechada. É preciso que outros factores entrem em acção,e que a malta saiba levar a água ao seu moínho, porque essa ideia de que o homem está sempre pronto é chão que já deu uvas. As meninas tambem têm de se chegar à frente com arte e inovação e piada, porque estas coisinhas das favas contadas era uma doce ilusão que felizmente começa a acabar. A malta também precisa de ser convencida, mimada e provocada. E por vezes, como acontece convosco, pode até não resultar. E é aí que a arte toma conta do assunto, e as dificuldades se transformam em desafios.
O que é óbvio gera condescendência, e não há maior quebra tesão que isso mesmo, digo eu..."
3 comentários:
Se há chão onde as uvas passadas não movem moinhos, esse é inequivocamente um deles. "A norma" aqui (se algum dia existiu) estilhaçou-se de vez. Há um “Não” que, agora assiste a ambos. Há caminhos e funções de sedução e de conquista paritários. Há socializações primárias e secundárias que gritam dissonância em todos os papéis, em todos os modelos e referências.
Confesso, eu perco-me (mas também me encanto) no doce jogo da mudança e da ambiguidade…
Essa velha questão de "abrir as pernas" continua a padecer do habitual problema de "deslocalização", porque o epicentro da questão não está entre as pernas, mas sim entre as orelhas... :)
Beijinho.
No fundo, é preciso saber jogar, mas sempre com a ideia da autonomia do outro.
Só que a sexualidade é, agora, ou talvez sempre tenha sido, arma a duas mãos e dois lados.
Obrigado pela visita. :)
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