Existem pessoas que, e respeitando a sua honestidade, declaram que adoram ser o centro das atenções. Pessoas que, quando não são sujeitas ao holofote das atenções, entram em processo de insuficiência e chegam ao ridículo de tentar disfarçar, desgraçadamente mal, uma espécie de birra causada pelo desviar do olhar ou palavra para outras paragens.
Muitas delas são pessoas com um tom de voz que faria concorrência à sirene dos bombeiros que anuncia o meio dia. Gesticulam e tomam determinadas atitudes estrategicamente colocadas para que o foco retorne à sua pessoa.
São claramente pessoas a quem a mamã não deu palmadas suficientes no rabo. Pessoas para quem a subjugação dos outros à sua atitude e influência se calhar deveria ser uma normalidade, já que não encontram no meio da sua frequente cabotinice qualquer motivo para que o seu resplandecer não seja uma evidência.
Além de não ter a mínima pachorra para tais criaturas, que encaram os outros como nada mais que uma audiência que não pode senão comportar-se de forma ávida, vejo frequentemente atitudes de desprezo para com aqueles que supostamente deveriam constituir o séquito tão desejado. O que, peço desculpa, me confunde claramente.
Obviamente que ninguém gosta de ser invisível, mas será que essas pessoas não se tocam quando à ridicularia? Que o alarido só as torna uma espécie de alarme de incêndio avariado, e que algumas pessoas podem não acorrer numa lógica adaptativa à lá Pedro e o Lobo?
Será que essas pessoas não entenderão que é o encanto, uma espécie de casaco de personalidade invisível, que por vezes torna as pessoas interessante, charmosas, encantadoras e atraentes, seja em que registo for?
Tenho cada vez menos paciência para esta moda que confunde a afirmação de preferências com um pingo supostamente encantador de politicamente incorrecto com os berrinhos e atitudes afectadas de pessoas que lidam mal com o facto de que interessaremos sempre a uns e nada a outros.
Normalmente quando entram por uma porta, eu estou a sair pela outra. Ou fico silencioso, a ver até onde vai o espalhafato.
Enfim...
5 comentários:
Ficar pode valer a pena. É surpreendente observar a crescente elasticidade do espalhafato.
Nota: Folgo em saber que não estou só no subtil repúdio pelos faroleiros sociais.
Mas afinal por onde é que tu andas ou quem te dás?...
Não entendo. eu não me dou com esse tipo de malta. só até ao ponto de os desprezar e quererem cravar-me uma faca nas costas.
Mas confessa: tb tens um quê de faroleiro e tb gostas de dar nas vistas (eu sei que sim...lol)
Clepsydra: Sim, vale a pena ficar em várias ocasiões. E os faroleiros sociais são como as mulheres fatais. Vão de passar-me ao lado a irritar-me. :)
A: Não são exactamente pessoas com que me dê, mas que vou encontrando. Com quem esbarro.
Nope. Dar nas vistas? Não me importo de disparatar, ou fazer ocasionalmente um pouco de cagaçal, é verdade, mas não gosto, nem nunca tive a paranóia do centro das atenções. :)Dá demasiado trabalho e nunca saberia como o manter, caso o conseguisse, por alguma improbabilidade.
E tu sabe-lo bem, porque nisso, temos a mesma aversão às esponjas egocentricas. :)
Ah pois é!
Por acaso até gostei :)...a entrarem por uma porta e tu a saires por outra.
Eu por acaso fiquei para ver...silenciosa , claro. Não havia espaço para mais ninguém conversar!
Cada vez tenho mais falta de pachorra, palavra.
Como já tinhamos comentado claro.
Pois, essas pessoas são normalmente do signo leão.
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