ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, abril 18, 2008


Há de facto um erro nas pessoas que não se precavêm. Aquelas que, como eu, têm pouco cuidado com os actos passados e não os conseguem reverter em cautelas ou certos distanciamentos as interacções do presente ou futuro.

Cansa muito manter a perspectiva negativista. A lógica de que a nossa incapacidade de fazer certas coisas coloca as pessoas no mesmo comprimento de onda, é uma imprudência levada a cabo por um afecto que opera num equilibrio dinâmico e sempre em regime de compensação. Se forem como eu, fecham estupidamente os olhos ao lado negativo até onde puderem, e tentam simplesmente beber todas as gotas do positivo para que ele se torne dominante. O que me vale é que não o faço perante a maioria das pessoas.

Mas esta é uma perspectiva muito discutível. Muito sujeita a debate e contestação, porque afinal de contas tem como géneses e consequências coisas pouco bonitas. Coisas como a eterna roda vida da auto-avaliação e posicionamento versus as afinidades de pele e palavra. E é uma merda chegar à conclusão que em várias ocasiões estaremos sempre a perguntar-nos se o equilíbrio positivista que fazemos fará bem a todos os envolvidos.

É muito chato chegar à conclusão que, na maioria dos casos, a malta vai aproveitar-se. Porque pode. Porque não vê mal nenhum, porque não conhece outro registo, ou porque a mente, no esforço por esquecer e avançar, limpa o cadastro e aceita novas inscrições dos mesmos candidatos.
Mas o que vale é que nunca é o mesmo. E de cada vez que isso acontece, este processo acirra-se, porque se a boa vontade tem memória curta, a inocência perde-se na sua incapacidade de esquecer.

E afinal de contas, a bem ou a mal, vamos aprendendo...






3 comentários:

The F Word disse...

Temos um problema, sim. Quem sabe que tocar no lume queima... já queimou... e continua a chegar-se à frente... é, no mínimo, tótó.

Se calhar, merecemos mesmo os chapadões pedagógicos... :)

A disse...

Esta questão que levantas fez-me pensar muito muito nos últimos dias, por razões que talvez te sejam óbvias se fores pensar bem nos meus dias.

April is the cruelest month.

Apaixonei-me perdidamente três vezes na minha vida por três pessoas distintas em Abril. Correu tudo mal. Jurei em cada uma delas que não voltaria a acontecer. Aconteceu sempre. Ou sou muito burra ou caio muito facilmente ou o meu pessimismo de copo cheio já teve melhores dias :) pensei em tudo. Ouvi sempre as mesmas músicas, levantei-me de três formas diferentes. Nenhuma delas foi justa, fui sempre o elo mais fraco e senti-me sempre a mais no fim de contas.

A culpa da vida acontecer de forma a magoar-nos nunca é culpa de mais ninguém a não ser de nós mesmos, do pouco que queremos para nós mesmos, do pouco que achamos que merecemos, da merda da nossa auto-estima.

Constatar isso é o primeiro passo para nos levantarmos e seguirmos em frente, porque não há outro remédio. Seria isso ou o suicídio. E isso seria uma pena e um desperdício.

Tudo passa e é necessário algum tempo e muitas experiências para que nos apercebamos disso. E o rancor é algo que não traz bem à vida de ninguém.

Stephen King disse...

Não, mas já a cautela e a justiça distributiva... :)