Há de facto um erro nas pessoas que não se precavêm. Aquelas que, como eu, têm pouco cuidado com os actos passados e não os conseguem reverter em cautelas ou certos distanciamentos as interacções do presente ou futuro.
Cansa muito manter a perspectiva negativista. A lógica de que a nossa incapacidade de fazer certas coisas coloca as pessoas no mesmo comprimento de onda, é uma imprudência levada a cabo por um afecto que opera num equilibrio dinâmico e sempre em regime de compensação. Se forem como eu, fecham estupidamente os olhos ao lado negativo até onde puderem, e tentam simplesmente beber todas as gotas do positivo para que ele se torne dominante. O que me vale é que não o faço perante a maioria das pessoas.
Mas esta é uma perspectiva muito discutível. Muito sujeita a debate e contestação, porque afinal de contas tem como géneses e consequências coisas pouco bonitas. Coisas como a eterna roda vida da auto-avaliação e posicionamento versus as afinidades de pele e palavra. E é uma merda chegar à conclusão que em várias ocasiões estaremos sempre a perguntar-nos se o equilíbrio positivista que fazemos fará bem a todos os envolvidos.
É muito chato chegar à conclusão que, na maioria dos casos, a malta vai aproveitar-se. Porque pode. Porque não vê mal nenhum, porque não conhece outro registo, ou porque a mente, no esforço por esquecer e avançar, limpa o cadastro e aceita novas inscrições dos mesmos candidatos.
Mas o que vale é que nunca é o mesmo. E de cada vez que isso acontece, este processo acirra-se, porque se a boa vontade tem memória curta, a inocência perde-se na sua incapacidade de esquecer.
E afinal de contas, a bem ou a mal, vamos aprendendo...
3 comentários:
Temos um problema, sim. Quem sabe que tocar no lume queima... já queimou... e continua a chegar-se à frente... é, no mínimo, tótó.
Se calhar, merecemos mesmo os chapadões pedagógicos... :)
Esta questão que levantas fez-me pensar muito muito nos últimos dias, por razões que talvez te sejam óbvias se fores pensar bem nos meus dias.
April is the cruelest month.
Apaixonei-me perdidamente três vezes na minha vida por três pessoas distintas em Abril. Correu tudo mal. Jurei em cada uma delas que não voltaria a acontecer. Aconteceu sempre. Ou sou muito burra ou caio muito facilmente ou o meu pessimismo de copo cheio já teve melhores dias :) pensei em tudo. Ouvi sempre as mesmas músicas, levantei-me de três formas diferentes. Nenhuma delas foi justa, fui sempre o elo mais fraco e senti-me sempre a mais no fim de contas.
A culpa da vida acontecer de forma a magoar-nos nunca é culpa de mais ninguém a não ser de nós mesmos, do pouco que queremos para nós mesmos, do pouco que achamos que merecemos, da merda da nossa auto-estima.
Constatar isso é o primeiro passo para nos levantarmos e seguirmos em frente, porque não há outro remédio. Seria isso ou o suicídio. E isso seria uma pena e um desperdício.
Tudo passa e é necessário algum tempo e muitas experiências para que nos apercebamos disso. E o rancor é algo que não traz bem à vida de ninguém.
Não, mas já a cautela e a justiça distributiva... :)
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