ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, maio 30, 2008

A propósito de uma conversa com uma amiga acerca do combate entre razão e emoção, ficou-me algo a roer a pinha. Porque não entendo muito bem o antagonismo que algumas pessoas se esforçam em manter relativamente a algo que deveria ser complementar. Eu modestamente julgo que se trata de uma batalha dos equilíbrios. A ideia não se centra na desconfiança somente, mas naquela que se gera a partir dos exageros. No que me diz respeito, as pessoas excessivamente emotivas entram num registo onde a emoção parece justificar tudo, e aí o respeito pelas pessoas e pelas sensibilidades deverá prevalecer. Alguns emotivos (excessivamente, reitero) vestem uma espécie de casaco de impunidade, como se o facto de sentirem qualquer coisa justificasse qualquer entorce se personalidade ou de atitude perante outros, especialmente os que estejam mais próximos. E eu não afino de todo por esse diapasão. A emocão não deverá, em meu ver, claro, nunca por de parte o outro ou outros e encerrar a pessoa numa espécie de estado de inimputabilidade.


A emoção é apenas uma parte do laço que une as pessoas. A afeição intelectual, o reconhecimento pelas qualidades, os gestos, a lógica do fazer bem e fazer por não podem, mais uma vez na minha perspectiva, estar afastados da relação com as pessoas, quer as amemos, sejamos grandes amigos, ou qualquer estágio intermédio. E alguns emotivos são incapazes de fazer isto. Com todo o respeito por eles, são pessoas que normalmente não me puxam, assim como eu provavelmente não os puxarei a eles.


Claro que por racional nunca se deve traduzir insensível. Racional é quem consegue sentir, no meio do sentir consegue ter alguma percepção do mecanismo que a aproxima de alguém, e até trabalhar nesse sentido.


Mas claro está, essa é a minha visão. Não tenho nenhuma guerra contra os Camilianos ;), mas gosto de os ver como parte de um ecletismo em sermos humanos. Coração e razão numa tentativa de sermos melhores ao (também) tornarmos melhores os outros. Nunca esquecer que amar e gostar é também entender, e só com o coração dificilmente se entende coisa alguma para além da pulsão própria. A ideia da dita paixão cega é, em meu ver, própria de um sectarismo emocional onde bem espremido só sobra o egoísmo de uma voracidade sentimental. Voracidade essa onde o próprio acaba por anular todos os outros porque só o que ele sente acaba por ser importante. E eu cá não dou para esse peditório. Podemos amar rendidos, e isso é algo muito bonito, mas nunca à custa de tudo aquilo que pareça não obedecer a esse apetite.


Equilíbrio. Emoção, sensibilidade, intelecto, entendimento, paixão, acção, dádiva. Tudo isto.


Mas cada um terá a sua ideia, claro. Desde que não prejudique ninguém com isso, preferencialmente.


O seu a cada um.




terça-feira, maio 27, 2008

Sydney Pollack morreu hoje.
Grande realizador, também não se safava mal como actor. Vi-o pela última vez no excelente Michael Clayton, na sua classe serena de sempre.
É mais um daqueles nomes chave, recorrente em conversas sobre cinema, que necessita de passar à galeria das memórias e ser referido no pretérito.
Não tenho qualquer perspectiva romântica sobre a morte, ainda para mais sendo agnóstico. Parece-me, em muitos casos, sempre um fim injusto, e a injustiça revolta-me.
Ainda que não seja grande fã de "Out of Africa", fica aqui um vislumbre de um senhor do cinema para quem agora passam os créditos finais.

Corta...






Não sabia que a bordo se podia fumar, diz o nosso 1º.
A não ser que tenha estado num coma profundo nos últimos meses, esta é apenas mais uma demonstração de como a lei é mesmo só para alguns, o que entristece num país onde se começa a perder totalmente a vergonha perante tanto desmando e arbitrariedade.
Triste...
Sendo nós um país que tem como embaixador e principal referência um tipo que profere palavras como se eu não "Querrresse" mas se apresta a ganhar 86.000€ por semana, onde se passa de ano sem aproveitamento, onde os ícones são maus actores com meio palminho de cara que se passeiam por histórias de uma mendicidade intelectual inenarrável e onde a ideia de sucesso entre pares é dar uns chutos numa bola, cantar na televisão ou participar em "concursos-realidade", a verdade é que as estatísticas não mentem e as notas também não. A iliteracia e o total desinteresse pelas páginas são uma realidade, e tirando a menina J.K. Rolling, a verdade é que muitos autores vêm-se e desejam-se para por a malta a ler. Não vou entrar em nenhuma diatribe relativa à suposta literatura "light", porque acho que essa é uma realidade auto-demonstrativa. Cabe a cada autor inquirir acerca da honestidade da sua voz ou a preferência por qualquer fórmula que funciona.
Falo mesmo em pegar num livro. Ler, interessar-se por uma história. Criar um amigo, alguns inimigos, sentir que o mundo abre mais uma porta não pensada ou antevista. Sentir-se desconfortável e discordar veementemente. Torcer por um desgraçado qualquer ou perder o pio perante aquele desconhecido que juntou as letras até nos virar no avesso.
Falo na tristeza hoje em dia se verifica na falta de incentivo à leitura, à criação de pontos de vista, à curiosidade intelectual, ao gozo pela história. Na forma como a cultura e o conhecimento são vistos como luxos quando a bolsa supostamente aperta.
Mas a tristeza é genérica, internacional.
E deixo-vos com a resposta do homónimo perante um comentário de uma certa malta de direita que espero que o amigo Obama corra a pontapé nas próximas eleições, e que demonstra uma lógica que se não se denuncia a si mesma, pelo menos mostra a falta de vergonha de certas orientações e lógicas onde cada vez mais cada pessoa é vista como carne para o paté.
Só espero estar a fazer tijolo quando esta merda for toda mesmo ao ar...



"A message from Stephen
While serving as an ambassador for reading, I made a statement that was construed by certain right-wing bloggers and commentators as a knock on the US military. That wasn't my intention. I like the troops just fine, and respect the hell out of their brainpower. I know that most of them read, because I send them books when they ask, and a lot do. I will continue to provide this service. It's the war our politicians--many of whom have never heard a shot fired in anger--have sent them to fight that I have a problem with. But that is neither here nor there. What concerns me is how many high school students either read poorly or choose not to read at all, unless forced to do it. Part of the reason is cutbacks in educational money that the national government used to provide. Part of the reason has to do with mistaken initiatives like No Child Left Behind, which teaches kids to pass tests but not to think or to rejoice in the language arts. Most teachers loathe the No Child program, and I don't blame them. Kids who read poorly do poorly on their SATs and have bad or barely acceptable grade-point averages. Many will be faced with entry-level jobs like clerking and handing out burgers from the drive-thru window. The best option for many is the armed services, because they see a chance to continue their educations and/or learn a marketable skill. Many will wind up in Iraq and Afghanistan. Some will die, because this is an entry-level position where kids wind up getting shot at. I love their courage, I wish they were there for a better reason, and most of all I hope that my remarks won't detract from the real problem: too many kids in America read for pleasure on the text-screens of their phones and hardly anywhere else."
Escrito a 14 Maio 2008 em http://www.stephenking.com/news.php

segunda-feira, maio 26, 2008

Por vezes existem pessoas que não conseguem mais.
Ou só conseguem até ali.
Quantas vezes se consegue imaginar " e se o meu limite fosse aquele?" ou " e se naturalmente só gostasse daquilo"?
E penso até que ponto as mortes de tais recortes de vida, vestidos de soluções, não são tão equiparados ao que fazemos nascer ou morrer no decurso de cada um dos dias em que escolhemos ser diferentes de todos os outros. Ou melhor dizendo, sendo nós?



Devido a uma lógica de limitação e a parcialidade necessária das empatias, pela sua raridade, existem obviamente pessoas mais próximas e outras que o serão menos. Existem fenómenos de distância, nos quais as conversas ressuscitam como se os interregnos não mais tivessem sido que um "até logo" mais longo. Comigo existem aqueles de quem me lembro muitas vezes, mas que a vida acabou, em parte, por levá-los para outras paragens. Algumas vezes combato isso, mas na esmagadora maioria a coisa sai-me ao lado ou os resultados estão emersos das idiossincrasias dos dias de cada um.
Ainda assim, existe um núcleo restrito para quem essa proximidade é simultaneamente efeito e caracteristica necessária. Sim, atrevo-me a dizer necessária. A sensação que tenho é que com essas pessoas o eco das intenções e formatos internos, expressos nas palavras que lá vão saindo, tem de ter alguma constância. São próprios das intenções até dos referidos, numa espécie de familiaridade à qual nos pertencem os dias.
Assim sendo, torna-se complicado quando alguém nos retira esse estatuto. Alguém que temos como uma palavra no nosso dia, uma constância nas nossas vivências, um quotidiano recebedor de coisas que vão desde os nossos disparates a pequenas mortes.
A liberdade é feita disso mesmo. As pessoas movimentam-se consoante aponta a sua naturalidade feita do interesse que lhes é instintivo. É por isso que quando isso sucede, surge a sms espontânea, a pergunta ainda que não se adivinhe novidade alguma, a troca de cromos perante aquilo que os dias nos vão trazendo aos gostos, paixões e preferências. E é por isso mesmo que quando a inclusão parece transformar-se numa espécie de clube de acesso livre, quebra-se a elegante mas delicada linha na qual surgem as palavras que adivinhámos sem saber como.
E se é certo que isso é um direito que lhes assiste, o inverso também o será. Tornar-me intencionalmente (talvez até mais por subtil omissão) apenas mais um numa certa passagem dos dias parece a coisa certa. Não posso nem quero de forma nenhuma reclamar automatismos e actos que não nascem sem que precise de os recordar. Especialmente quando os alertas são tantos que já se confundem com aquilo que deveria ser a comunicação desejada.
Talvez seja mesmo uma lógica acertada, e não me pouparão aqueles que me brindam sempre com a exposição objectificada da minha suposta racionalidade. No fundo parece-me justo, certo, e sobretudo, respeitador de algo que em caso algum pode estar em causa - a liberdade de cada um em descobrir-se a dar por impulso, fundamentado em parte pelo reconhecimento da base que sustenta essa inexplicabilidade que "força" o próprio aos actos.
Rendição forçada é violência.
Para isso, comigo não contem.
Ao contrário, aprecio que mo digam e perante a minha suposta imobilidade, ajam em conformidade. Aí, como em muitas outras coisas, eu não sou mais que ninguém. Nem quereria. E se me permitem o atrevimento, acho que ninguém deveria querer.



domingo, maio 25, 2008

Vão ver isto... A sério. Saiam de casa e vão ver este filme.
Existirão muitas pessoas que olharão para este filme e, à semelhança de uma parte considerável da sala onde estava, deixarão escapar risos de nervosismo e incredulidade. Deixarão que esse riso talvez tape a idea absolutamente tresloucada, brilhante e arriscada que este realizador conseguiu transformar num filme tão (pessoalmente) belo que se tornou no primeiro a fazer-me engolir em seco desde o "Big Fish" de Tim Burton.
Este filme, esta pérola indie de humanismo é talvez a antítese de Dogville, se me é permitido o antagonismo. É uma história magnífica acerca da solidão, dos efeitos da culpa, das intensidades do sofrimento interno e da quietude da própria desagregação interna, que afinal pode acontecer sem histrionismo. É uma narrativa tocante acerca de algo que talvez possa parecer pouco provável mas é, gosto de acreditar, ainda plausível num microcosmo como aquela cidade cheia de neve, cinzentos e becos sem saída. As pessoas podem de facto escolher ser tolerantes e dar uma ajuda. E isso vai chatear a corneta a muita gente cuja tradução de qualidade ou honestidade é, hoje em dia, traduzida em niilismo.
Patricia Clarkson e Ryan Gosling são luminosos. Aquela brilha em qualquer filme em que entre, em qualquer frase que diga. Este é certamente um talento seguro da nova geração de actores e compõe aqui um personagem desconcertante e afável.
Até a porra da boneca faz um papel muito bom, destronando certamente a bola de voleibol de o náufrago como melhor personagem inanimado.
No fundo a ideia que me fica é muito simples.
É um filme que dividirá consoante a capacidade ou desejo de imaginar e perspectivar de cada um. Acho que de certa forma apela à capacidade de cada um em formar juízos improváveis, no meio de ciclones pessoais, no meio dos quais é necessário continuar a viver. Mesmo que doa, ou no caso de Lars, mesmo que queime.
Saí da sala de cinema com aquela sensação própria das coisas que realmente nos tocam. Aquela ideia de que digam o que disserem, algo neste filme é impassível de ser destruido ou vilipendiado. É tão internamente imenso que fica e resiste a tudo. De forma simples, despretenciosa e bela.
"Pequeno" grande filme.






sexta-feira, maio 23, 2008


Por razões que dizem respeito à delicadeza do assunto e algum sigilo que deve assistir, quanto mas não seja, às pessoas que são forçadas a trabalhar em antros destes, não serão mencionados nomes. Mas uma vez que pretendo meter-me pessoalmente nesta trapalhada e pelo menos chatear os cornos a este idiota, fica pelo menos a exposição de uma das muitas situações que este país permite, e que deverá ser um recado para os liberais que tanto apregoam a liberalização da lei laboral, que, como já vários especialistas, incluindo o professor Monteiro Fernandes, vieram denunciar como uma falácia no que diz respeito ao favorecimento da economia. Bem sei que para uns quantos, tratar as pessoas como números é apenas uma consequência da chamada economia global, mas só espero já estar a fazer tijolo quando as consequências da objectificação selvática das pessoas der os seus frutos.
Uma amiga, fotógrafa, foi contratada em regime de "prestação de serviços", ou seja, uma treta muito conveniente supostamente suportada por recibos verdes para justificar a ausência de um vínculo laboral. O idiota do empregador, além de não ter sequer uma casa de banho utilizável pelos funcionários ou clientes, deixar que a luz seja cortada por falta de pagamento, e utilize estagiários como trabalho escravo que dá muito jeito, não paga contribuições à Segurança Social, dá ordens, indica local de trabalho, contrata uma actividade e não uma tarefa isolada, paga sempre ao mesmo dia ou quase, o mesmo montante por transferência, exige horário de trabalho e estabelece folgas. Ou seja é o protótipo do prevaricador imbecil, porque nem prevaricar sabe.
Ou seja, ao comunicar a "cessação do contrato de prestação de servições", está, claramente, a despedir ilicitamente porque, como imaginam, isto não é um contrato de prestação de serviços nem aqui nem na China (bem, lá vale tudo, mas aqui, por enquanto, ainda não).
Escusado será dizer que o trabalho nunca esteve atrasado, a moça nunca faltou, e comete apenas o pecado de custar uma centena de contos ao mês, quando afinal há aí tanto estagiário para espremer durante uns meses.
Estes casos repetem-se por toda a parte, à mão de gente que certamente alinhará pelo discurso de que com a flexibilização, nada disto acontecia. Claro que não. Com a flexibilização, a arbitrariedade é clara, e assim a moça poderia ser mandada às urtigas dentro da lei.
Gostaria de perguntar à malta mais "liberal" se este tipo de exemplos não comprova que muitos tipos com uma chafarica aberta, se puderem poupar uns cobres, fá-lo-ão seja á custa de quem for? É lamentável que tanta gente, do alto dos seus gabinetes simpáticos e polidos mandem postas de pescada acerca do que deveria ser a liberalização de uma protecção que tem simplesmente a ver com a sobrevivência de todos os dias, quando a grande maioria dos exemplos assenta numa lógica economicista e ponto.
Este é o exemplo das "boas intenções" da liberalização. Energúmenos como este com cheques em branco.
E o mais caricato, apenas para dar um exemplo, é o facto de bancos exigirem uma situação estável para concederem empréstimos para habitação que são afinal de contas um dos seus objectos de negócio mais relevantes. Se isto não é esquizofrenia, não sei o que será.
Por enquanto ainda se consegue, pelo menos, assustar cabrões destes. Não sei o que será quando a "maravilha" do flexível puder deixar as pessoas completamente desamparadas, sem qualquer espécie de direito ou ideia de reconversão para, sei lá, ter uma vida. Mas para alguns isso é um luxo incomportável no admirável mundo novo.
É nestas alturas que me lembro da Tenente Ripley - "Ao menos (os Alien) não se fodem uns aos outros por uma percentagem...)
Pois...

quarta-feira, maio 21, 2008

Conheci em tempos uma moça que, à semelhança das crianças, não demonstrava qualquer contenção no olhar. Aplicava um beijo etéreo nos contornos, uma pergunta ininterrupta mas sem preconceitos ou respostas aguardadas. A ausência de razões ajudava-a a entender os factos daquela maneira e agir em coerência com aquilo que poderia ser um entendimento cru, mas era no fundo um jorro de sentir que matava todas as questões. A sensibilidade não era um contributo para ela, mas em certa medida, uma simbiose entre chegada e partida. Os conceitos indistintos, as sensações mescladas, tudo era justificável numa única vontade, que dançava ilícita face à racionalidade.
Sentia, e era tudo.
E ainda assim, lá ia eu tentado cartografar nem que fossem ondas...
Conheci algumas pessoas que teimavam em definir a importância das histórias. Criavam uma espécie de padrão de qualidade das narrativas que iam bebendo ao longo dos dias. No entanto esse padrão era aplicado de forma mais rigorosa aos contadores, relatores ou inventores de histórias. O que não me parece muito exacto.
Existem de facto pessoas que conseguem cativar um interesse quase hipnótico mesmo quando lêem a lista de compras a fazer no hipermercado. Outras podem fazer do seu relato da versão inédita do Ovo de Colombo algo tão interessante como ver as ervas crescer.
Mas a história é sempre a história.


O retorno de um velho amigo.
Adoro muitos outros quadros, mas este leva-me sempre a melhor.
Não sei bem porquê. Há algo de uma tristeza, beleza e conforto que jorram deste quadro como se o agigantassem para mim cada vez que o fito. Uma espécie de emoção real, sincera, que paira como uma névoa digna, irrecuperável, solene.
Ou então não sei porquê, mas adoro este quadro.

terça-feira, maio 20, 2008

Ele não era exactamente uma pessoa macambúzia ou tristonha. Sim, era algo aluado, mas sempre o fora. No entanto, se pudessem olhar para ele de frente, veriam a marca de algo que passou momentaneamente mas que perduraria sempre. Marca subtil, expressa naquela qualidade indefinível que são os olhos mergulhados em intensidade. Uma intensidade triste, sofrida, mas plena da forma suave que todas as dores realmente importantes assumem. E digo isto porque creio que qualquer dor real acaba por tornar-se muda e discreta. Nem que seja por necessidade. Revela-se com clareza, mas sem alarde, como uma espécie de impermeável impossivelmente diáfano. Mostra-se como algo omnipresente, mas enraizado na pessoa que domina, sem que esta no entanto perca as suas características. Conheci em tempos uma outra pessoa assim e sei as marcas que cá ficaram.
Tais pessoas tendem a vasculhar-nos, penso eu.

segunda-feira, maio 19, 2008

Aumento de emigração. Ausência de futuro. Medo e expectativas baixas.
No nosso país, demasiados dias são demasiado parecidos como este para demasiadas pessoas...
"O André deambulavava de um lado para o outro, com o fato um pouco salpicado apesar do chapéu. Apesar de tudo parecia composto, à excepção dos olhos avermelhados e a palidez da pele. As mãos apertavam a mala de pele já um pouco coçada com nervosismo. Faltavam cerca de cinco minutos para a entrevista. A porta do prédio pareciam enorme, como uma bocarra falsamente convidativa. Uma planta carnívora de betão, espelhando o cinzento da cidade como um fatalismo surdo e pictórico. O som da água nas poças parecia mais convidativo que o silêncio abafado que André ouviu depois de cruzar as portas.
Perto das escadas ouviu uma voz polida e educada, mas pouco empática. A menina que controlava a recepção perguntava-lhe o seu destino, e ele respondeu de forma ausente, mostrando uma carta. Ela pediu que se aproximasse, retirou-lhe a carta da mão com toda a delicadeza e pediu-lhe que se sentasse num dos cinco sofás que ladeavam o balcão da recepção. No meio uma mesa com revistas desactualizadas e cupões para cursos à distância.
Ela falou ao telefone e mandou-o subir.
André subiu pelo elevador até ao sétimo andar. Quando as portas se abriram, deparou-se com um corredor revestido a mármore, com longos tapetes de motivos árabes no espalhados pelo chão. Uma mulher de óculos na ponta do nariz e uma saia deliciosamente curta cruzou-se com ele e sorriu. Deixou cair um pouco do aroma de um perfume que André não sabia qual era. O desespero e o anseio tocaram uma vez à porta, mas ele consegui correr com eles. Não queria comprar nada. Naquele momento queria era vender-se. Esperava que a mercadoria pudesse de alguma forma interessar.
Na sala estavam quatro homens. Envergavam fatos escuros e dispensavam olhares inexpressivos mas que fitavam com firmeza. André sabia que estava a ser analisado desde o momento em que entrara. Queria pôr os pés para dentro mas não conseguia. Tentou sentar-se com segurança, mas deixou os ombros caírem um pouco para a frente. O cansaço era agora tão visível como o desespero e por mais que soubesse que tudo o que havia a fazer era engolir mais uma dose de desprezo antecipado e mostrar-se brilhante e fresco, deu consigo a ser incapaz de o fazer. Recordava o sono constante que tinha, aliada à dificuldade em dormir. Como uma espécie de picada constante que impedia o descanso de fazer aquilo para que servia.
No entanto, o instinto de preservação, moribundo mas incrivelmente teimoso, lançou um único alerta, fazendo com que André abrisse a mala e mostrasse o curriculum impecavelmente impresso, inserido em capas de plástico tornando o manuseamento mais simples e agradável.
Os olhares dos supostos entrevistadores amenizaram um pouco. O silêncio era feito de pedaços de realidade palpável e invisível, e ele viu-se forçado a baixar os olhos muito mais vezes do que seria aconselhável. Viu uma nódoa na lapela que o azul escuro tornara invisível. Ou assim ele esperava. As mãos tremiam. O mundo lá fora era um estômago torcido em forma de nó de marinheiro. Podia ser o atum ou a pressão.
A conversa começou como tantas outras. Discorrer sobre o passado, extirpar os supostos anseios e projectos de futuro. Percorrer os detalhes, ver uma espécie de anseio de vitória nos olhos, perceber os gestos. André estava em estado para tudo menos isso. Tinha uma dor de cabeça extrema, produto de uma descrença forçada pelo tempo e inadequação.
Acabou por saltitar com a máxima confiança que lhe era permitida entre as questões, as verificações de coerência, a suposta fluência do discurso, os variados registos em determinados cenários propostos. A entrevista correu mal, mas não tão mal como ele esperaria. talvez fosse chamado dali a três meses, mas ele não sabia, nem sequer poderia supor que algo passasse da normalidade da negação. Nada lhe fora adiantado. Tudo era um registo de faces cordiais mas duras, de retorno a um nada, do passar dos minutos sem fim ausentes do vislumbre de uma bandeira branca que dançasse como as tréguas da realidade.
Às três da tarde daquele dia, as mãos estavam vazias, o corpo perdido e transpirado dentro do fato, e as ideias fixadas numa ausência de soluções. Pressão na cabeça, fadiga constante, ideias mais ou menos trágicas ululando uma mensagem incoerente.

Retornou para o nada que tinha. Como habitualmente.
E abriu novamente o jornal..."



É muito engraçado este vídeo.
Sempre achei que Jack Johnson tentou ser um novo Ben Harper, mas, perdoem-me os fãs do senhor e como dizia um saudoso amigo, quando o mestre Ben entra em casa, nada a fazer. Johnson é apenas uma tentativa, e em meu ver, não chega aos calcanhares de Harper.
Eu vi este músico ao vivo, que deu um espectáculo maravilhoso de arte, sentimento, entrega e humildade no Pavilhão Atlantico, e saí de lá arrepiado.
A música deste tipo é... enfim.
Mestre Ben, you're on...




sexta-feira, maio 16, 2008

Sempre gostei de canto à capela...

Com a colaboração da gentil Helena, encontrei esta pérola.

Obrigado.




A apatia que se instala aquando os desgostos reais, permite, no entanto, efectuar uma observação quase divertida do mundo, o qual continua a rolar à mesma velocidade. Há uma total descrença circunstancial em qualquer coisa que pressuponha investimento pessoal mínimo, o que, ao que me diziam, torna a pessoa divertida. A mim deixavam-me dizer quase todos os disparates precisamente porque achavam que eu não estava no meu perfeito juízo.
Old Habits die hard...

A mulher mais perturbadora do mundo, como já tive ocasião de dizer inúmeras vezes...



quinta-feira, maio 15, 2008


Anda aí um burburinho no universo feminino relativamente ao lançamento do filme oriundo da série "Sexo e a Cidade". É inegável o séquito de seguidoras que as aventuras das quatro nova-iorquinas juntou, assim como é inegável uma espécie de código de conduta ou forma de estar na vida que pareceu legimitar. Girl Power, yeah... ou assim parecia.

A primeira série da dita série, passo a repetição, era uma pedrada no charco. Trazida pela HBO, chamava finalmente os bois pelos nomes e conseguíamos ouvir pessoas a falar de forma real e não como se vê na grande maioria da ficção onde, por exemplo, as pessoas em pura fúria homicida se dirigem uns aos outros com termos como "palerma", "idiota", "parvo", "indecente", fazendo lembrar a claque bem comportada dos gatos fedorentos. E se fosse só esse o problema dos diálogos, mas enfim, adiante.


A 1ª série estava igualmente matizada de cinzento, mostrando pessoas com características vincadas, mas sempre divididas entre elementos plausíveis, com reacções que espelhariam certamente as hesitações e perplexidades de qualquer vida adulta num ambiente cosmopolita.

Mas alguém se deve ter convencido que assim não se marcaria qualquer posição, e a coisa começou a descambar. De personagens convictas começou-se a mergulhar na caricatura, no exagero, e numa, em muitas situações, perfeitamente própria de um neo-feminismo condescendente, onde a figura masculina é pouco mais que um simplório com pénis e todos aqueles clichês supostamente de "gaja" são glorificados como uma espécie de tatuagem virtual de pertença à tribo feminina.

Quanto mais a série avançada, mais a caricatura surgia destilada. O que é pena. A primeira série surgiu-me como algo de qualidade, sério e irreverentemente honesto. Era, como é, sectário, apelando a um estrato social onde muita da realidade muitas vezes passa ao lado, mas existem histórias em todos os tipos de vida. O problema é a tentação que me pareceu irresistível de enfatizar algumas inverosimilhanças para que a coisa fosse mais apelativa.
Sobreveio uma mensagem que não assenta na discussão divertida acerca da igualdade objectiva entre géneros e a glorificação da diversidade subjectiva desejável (porque homens e mulheres são efectivamente diferentes), mas uma espécie de crachá de menina Cosmo, do luxo, dos maneirismos que mais do que força expressam algum alheamento pateta. Ao certeiro, divertido e politicamente incorrecto substituiu-se uma afirmação de um suposto girl power que em nada difere da condescendência machista que justamente levantou tanto brado durante tanto tempo.
Não sei o que trará este filme, mas espero que recupere a verve do início da série, e não os histrionismos Cosmo dos últimos "installments".

terça-feira, maio 13, 2008

No que diz respeito ao relacionamento entre as pessoas, tendo em conta as mais variadas formas, as coisas atingiram já um patamar de complexidade que o simples facto de se promovar contacto pode gerar um universo de pequenos ou grandes enganos que fariam Shakespeare corar de vergonha.
A verdade é que o melhor que podemos fazer é esperar que aquilo que fazemos nao acabe por magoar ou estragar o dia a alguém. E na maioria dos casos até acabamos por conseguir, pelo menos, não asneirar em demasia.
No entanto, raramente escapamos da mágoa que é acabar por fazer mesmo algo que não devíamos, por falta de uma consciência que devíamos ter, precisamente porque algumas complexidades acabam por nos escapar. O instinto é perceber e arguir que não se consegue estar sempre atento a toda a hora e que asnear faz parte do conceito de se ser finito e pessoa. Mas ainda assim, não se afasta a percepção de que o erro cometido parece fazer parte de nós, da nossa estrutura, e isso magoa. A espaços, envergonha. Retira um senso de paz que acho que todos desejam ter consigo próprios, na simples tentativa genérica de não fazer mal.
E o que podemos fazer é arrepiar caminho e esperar que os passos dados em sentidos contrários possam ser o equilíbrio sentido do que somos, como podemos sempre melhorar e vir a ser.
Fazer merda faz parte do simples facto de se fazer alguma coisa. E ainda que seja justo, que o é, pagar a factura das atitudes menos positivas que se tem, sejam elas por com dolo ou negligência, dão-se novos passos e arrepiam-se caminhos.
Com o peso na consciência ou no coração.
Sisifo dixit.
Não há outro formato.

quinta-feira, maio 08, 2008

"My birthday friend called me around two o’clock, and told me that my other friend, the female smiling one, had asked about me. I dismissed his intentions to play Cupid in about ten seconds, and somehow he understood my feelings on the matter. She had told him that almost all the other pretenders had done the same thing. It hit me as something too weird to be filed as coincidence in that suspicious and fearful region of my brain. But since I never believed in love at first site, I never got the chance to miss the imaginary touch of someone who had loved and killed me wearing the same smile. Time took it away like calm and small sea waves slowly destroy a sand castle. It became one of those strange memories that you recall on a late night chat with some really close friends."



"Para mim não existem encantamentos por explicar. Não totalmente. A afeição que podemos ter por alguém, seja expressa em amor violento, amizade ciosa ou simples atracção sexual, tem um qualquer elemento explicativo. Nem que seja parcial. Isto não me fará certamente ganhar pontos de mérito junto dos românticos, nem constituirá glosa junta aos elogios do chamado amor verdadeiro. Mas se é tão verdade que este último pode existir, seja lá o que isso for, para mim ele é tão permeável, discutível e constantemente vivo e moribundo como qualquer emoção violenta que alguma vez possa experimentar. A inaplicabilidade reside na sorte que se pode ter em evitar essas mesmas poças ou armadilhas e mantê-lo vivo. E muitas vezes nem assim. Porque nos processos de cura ou entrega, passamos muito tempo a explicar muitas coisas, em discursos de voz interna e insuportável e quando damos por isso, explanamos as consequências de nadar no inferno ou as singularidades de um esquecimento gradual. Este é o mais difícil. Na ausência da pessoa e da realidade, permanece a recordação dos efeitos e a penosa noção da dificuldade monstruosa que é a repetição dos pressupostos. Podemos simplesmente não ter tanta sorte ou tanto azar novamente."



quarta-feira, maio 07, 2008

Quando existem confrontos de personalidade entre as pessoas, especialmente na directa proporção da sua intimidade ou proximidade, um detalhe vem ao de cima. Trata-se de um detalhe que parece absolutamente fulcral no que diz respeito ao esforço de entendimento mútuo. Que detalhe é esse? Saber. Saber o que o outro quer. Descobrir até que ponto a manutenção da onda empática pode assentar numa espécie de movimento quase inconsciente, como um espasmo muscular, ou descobrir se está na hora de perguntar direcções.

Este é, parece-me, um claro pau de dois bicos. Não me parece que ninguém seja obrigado a adivinhar tudo, nem sequer julgo que seja possível. Claro que na defesa das idiossincrasias, talvez muita gente, senão toda, acha que algumas coisas devem ser obtidas e nunca apresentadas. No fundo, não é só o amor que não se pede. Há mais umas coisinhas, a bem dizer. Mas levar isso ao exagero é encerrar a pessoa num labirinto do indecifrável, e, claro está, a mais das vezes, não há pachorra nenhuma. Existem coisas que podem e devem ser ditas, quanto mais não seja porque a informação nunca servirá para nada se a pessoa em causa não interiorizar o que está subjacente ao espírito daquela. Se a vontade e a intuição não existirem, a informação é apenas mais um conceito que se fica rotineiramente esquecido no rol de itens de supermercado não escritos.

Não obstante tudo isto, até que ponto se poderá de facto "ensinar" as pessoas a fazer coisas? Poderemos ensinar a perceber? Poderemos ser ensinados a perceber necessidades e preferências? A produzir detalhes? A ter criatividade na dialéctica do "taco-a-taco"? Poderemos ser ensinados a recordar a tomada de iniciativas ou a perceber os disparates que se calhar até não o são?

Lamentavelmente acho que não.

Se acredito que ninguém deve encerrar-se num cofre e esperar que uma equipa de assalto lá retire algumas supostas preciosidades, também não creio que perante as pistas e o andamento da dinâmica entre as pessoas possa ser completamente corrigido o desconhecimento recorrente e total, bem como os tiros que acertam sempre vinte metros ao lado. Se temos de ensinar tudo a alguém, ou esse alguém a nós, a verdade é que a vivacidade necessária a sobrevivência de qualquer lado perde-se numa espécie de aula de GPS.

Existem coisas que só uma espécie particular de percepção permite apanhar, ou pelo menos, formular as perguntas certas. Essa percepção permite o jogo, o desarme e o confronto com a simplicidade das coisas mais importantes entre as pessoas. E o jogo é feito das pistas. Caraças, que piada teria o velhinho jogo do Cluedo se antes de começar já se soubesse que teria sido a Srª Corte Real, com o candelabro, na salinha?
A verdade é que a incompreensão perante o que deveria ser a normalidade das partidas cria cenários onde uns jogam ténis e outros correm atrás das bolas de lacrosse. Objectivos, regras e até sistemas de pontuação diferentes. Passando as metáforas desportivas, não se mostram cartões amarelos num jogo de basquetebol. E a incompreensão de códigos diferentes não deve surgir como exigência. E tentar entender deve sempre preceder o exigir. A análise antes da cobiça ou do ganho. E se o esforço empático for bem sucedido, deixa de ser esforço. É uma naturalidade emersa na liberdade absoluta que é entender alguém, e agir em conformidade com o que de especial a pessoa tem, e que acaba por ser a nossa motivação primordial.

Eu pelo menos acho que deveria ser.

Certas coisas não se explicam, e muito menos se exigem, por maior que seja a tentação.
Nada de excessos. Nem nos subentendidos, nem no evidenciar constante.







segunda-feira, maio 05, 2008

É engraçado que nem sabemos que, por vezes, andamos por aí algures, mimetizados ou imitadores.

sexta-feira, maio 02, 2008

Muitos, como Diablo Cody, dizem que o melhor que podemos esperar é dar de caras com qualquer pessoa que nos aceite como somos. E isto em qualquer registo.
Mas ao fazermos isso mesmo, dificilmente conseguiremos que a premissa se verifique. Porque leva algum tempo e muito esforço até que alguém veja algo do que realmente somos. Que dê sopa nas intimidações, que seja sujeito e protagonista em coincidências, que simplesmente ouça histórias e perceba de e para onde vão.
Ninguém aceita ninguém aprioristicamente. E se há dois ou três detalhes que justificam a investigação, é um amor a coisas várias, desde a quase-loucura dos detalhes ao vociferar dos disparates, que blinda a diferença. O mesmo que gera a confiança. Que instala o descodificador. Que se torna o dicionário da aparente surdez colectiva perante o recorte do indivíduo.
Portanto acho que me atrevo a "ajustar" a frase da senhora, já que para mim, o melhor que podemos esperar é alguém que queira saber, aceite indicações e se ria sarcasticamente perante a previsão de uma parede de tijolos. É alguém que queira realmente perceber se somos suportáveis sendo como somos.
Finalmente consegui ver este filme em cinema. Foi ontem, no Corte Inglês, que é de facto um dos complexos com as melhores salas de cinema de Lisboa.
E não há projecção de vídeo ou DVD ou plasma que se compare a ver este filme no grande ecrã e perceber a razão pela qual este e "Alien" são dois filmes de Ridley Scott que influenciaram e mudaram a ficção científica cinematográfica de forma absolutamente decisiva. Pensem em Matrix, Firefly, Serenity, etc, e está lá este fantástico mundo de chuva na noite e dias de sol quase morto.
Esta é a ficção científica depois de escurecer. História maravilhosamente elaborada, complexa, bela e horrenda, suja, intensa, e no entanto crua, com uma temática tão directa quão simples e importante. Vida. O desejo de viver tão bem expresso nesta cena, como em todo o filme.
Não sei se os andróides sonham com carneiros eléctricos, mas acho que o Phillip K. Dick não imaginou que a sua "short-story" pudesse gerar esta absoluta maravilha e fenómeno de culto.
Vão ver ao cinema, no grande ecrã, enquanto ainda podem.