Conheci em tempos uma moça que, à semelhança das crianças, não demonstrava qualquer contenção no olhar. Aplicava um beijo etéreo nos contornos, uma pergunta ininterrupta mas sem preconceitos ou respostas aguardadas. A ausência de razões ajudava-a a entender os factos daquela maneira e agir em coerência com aquilo que poderia ser um entendimento cru, mas era no fundo um jorro de sentir que matava todas as questões. A sensibilidade não era um contributo para ela, mas em certa medida, uma simbiose entre chegada e partida. Os conceitos indistintos, as sensações mescladas, tudo era justificável numa única vontade, que dançava ilícita face à racionalidade.
Sentia, e era tudo.
E ainda assim, lá ia eu tentado cartografar nem que fossem ondas...
1 comentário:
E, Monsieur King, o que há além de sentir? a sério, de que serve a vida senão para a sentir? vale a pena saber as respostas? vale a pena explicar o porquê? é porque, pelo que me parece, ela saboreou muito mais da viagem que qualquer outro. além da partida e da chegada, há a viagem e essa? é bom que seja sentida.
Bom fim de semana.
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