Ele não era exactamente uma pessoa macambúzia ou tristonha. Sim, era algo aluado, mas sempre o fora. No entanto, se pudessem olhar para ele de frente, veriam a marca de algo que passou momentaneamente mas que perduraria sempre. Marca subtil, expressa naquela qualidade indefinível que são os olhos mergulhados em intensidade. Uma intensidade triste, sofrida, mas plena da forma suave que todas as dores realmente importantes assumem. E digo isto porque creio que qualquer dor real acaba por tornar-se muda e discreta. Nem que seja por necessidade. Revela-se com clareza, mas sem alarde, como uma espécie de impermeável impossivelmente diáfano. Mostra-se como algo omnipresente, mas enraizado na pessoa que domina, sem que esta no entanto perca as suas características. Conheci em tempos uma outra pessoa assim e sei as marcas que cá ficaram.
Tais pessoas tendem a vasculhar-nos, penso eu.
1 comentário:
E, uma vez, vasculhados, o que é que fazemos? Vasculhamos ou vasculhamo-nos ainda mais?
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