Muitos, como Diablo Cody, dizem que o melhor que podemos esperar é dar de caras com qualquer pessoa que nos aceite como somos. E isto em qualquer registo.
Mas ao fazermos isso mesmo, dificilmente conseguiremos que a premissa se verifique. Porque leva algum tempo e muito esforço até que alguém veja algo do que realmente somos. Que dê sopa nas intimidações, que seja sujeito e protagonista em coincidências, que simplesmente ouça histórias e perceba de e para onde vão.
Ninguém aceita ninguém aprioristicamente. E se há dois ou três detalhes que justificam a investigação, é um amor a coisas várias, desde a quase-loucura dos detalhes ao vociferar dos disparates, que blinda a diferença. O mesmo que gera a confiança. Que instala o descodificador. Que se torna o dicionário da aparente surdez colectiva perante o recorte do indivíduo.
Portanto acho que me atrevo a "ajustar" a frase da senhora, já que para mim, o melhor que podemos esperar é alguém que queira saber, aceite indicações e se ria sarcasticamente perante a previsão de uma parede de tijolos. É alguém que queira realmente perceber se somos suportáveis sendo como somos.
2 comentários:
Criar empatia com alguém, criar laços, sentir a pertença, conseguir encontrar alguém com quem nos sintamos em casa pode demorar, dar trabalho, obrigar-nos a destruir paredes todos os dias, a penetrar naquelas pequenas fendas que se vão abrindo mas tudo compensará o saboroso prazer que se tem no final.
Acho que a ambição de cada um de nós passa por aqui. Só nos sentimos verdadeiramente humanos quando lá chegamos. Com uma, duas,dez ou cem pessoas.
E o prazer que me dá retirar os tijolos, um a um, com jeitinho, quebrando o cimento de muitos anos... ;-)
E voltar a reconstruir tudo, montando o puzzle peça a peça e depois ficar a observar o resultado final.
Muitas vezes de longe que é, afinal, sempre tão perto.
E depois há aquelas pessoas (poucas... poucas) que nos olham directamente através da parede de tijolos e vêem mesmo, mesmo quem lá está.
Beijinhos.
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