"Para mim não existem encantamentos por explicar. Não totalmente. A afeição que podemos ter por alguém, seja expressa em amor violento, amizade ciosa ou simples atracção sexual, tem um qualquer elemento explicativo. Nem que seja parcial. Isto não me fará certamente ganhar pontos de mérito junto dos românticos, nem constituirá glosa junta aos elogios do chamado amor verdadeiro. Mas se é tão verdade que este último pode existir, seja lá o que isso for, para mim ele é tão permeável, discutível e constantemente vivo e moribundo como qualquer emoção violenta que alguma vez possa experimentar. A inaplicabilidade reside na sorte que se pode ter em evitar essas mesmas poças ou armadilhas e mantê-lo vivo. E muitas vezes nem assim. Porque nos processos de cura ou entrega, passamos muito tempo a explicar muitas coisas, em discursos de voz interna e insuportável e quando damos por isso, explanamos as consequências de nadar no inferno ou as singularidades de um esquecimento gradual. Este é o mais difícil. Na ausência da pessoa e da realidade, permanece a recordação dos efeitos e a penosa noção da dificuldade monstruosa que é a repetição dos pressupostos. Podemos simplesmente não ter tanta sorte ou tanto azar novamente."
ESTAÇÕES DIFERENTES
"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."
Stephen King - "Different Seasons"
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quinta-feira, maio 08, 2008
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2 comentários:
Acho que, sinceramente, misturas conceitos independentes entre si. O conceito de romantismo ou crença no amor verdadeiro subsistem vitoriosamente no meio e ao lado de todas as explicações mais que plausíveis para um encantamento, amor ou/e amizade.
Saber que se gosta (no matter what) de alguém, na sobrevivência de todas as condicionantes e juízos de sentimento, é possível e é uma mais valia quando se sabe o porquê de se sentir de determinada forma.
Tal como é possível arranjar-se todas as justificações possíveis para se poder afirmar que se gosta de determinada pessoa, até mesmo quando aquilo já "não abana". Teimosia, preguiça e comodismo podem estar na base de muitas relações, que acabam sempre por soar forçadas...
Também é possível gostar-se de alguém desesperadamente, ao mesmo tempo que a pessoa se repete a si mesma todas as variantes da impossibilidade da relação...
Há tantos exemplos.
E muitas vezes nem assim. Porque nos processos de cura ou entrega, passamos muito tempo a explicar muitas coisas, em discursos de voz interna e insuportável e quando damos por isso, explanamos as consequências de nadar no inferno ou as singularidades de um esquecimento gradual. Este é o mais difícil. Na ausência da pessoa e da realidade, permanece a recordação dos efeitos e a penosa noção da dificuldade monstruosa que é a repetição dos pressupostos.
Isto deixou-me curiosa pelo simples facto de não compreender afinal qual é a ideia do que escreves neste parágrafo. Existe aqui uma contradição, senão vejamos: existe um esquecimento gradual que te é penoso ou as recordações permanecem vivas e por isso, os tais pressupostos e armadilhas repetem-se, nem que seja dentro de ti? Não entendi isto. Não considero que o tal esquecimento seja doloroso (nunca é total) mas cabe a cada um de nós e pela nossa própria forma de ser e de estar agarrar o que cada experiência teve de bom ou mau nas nossas vidas. Creio que assim funciona com toda a gente.
Eu costumo dizer que não esqueço, nunca esqueço. É a única forma de não repetir os mesmos erros do passado. Burro é todo aquele que ao magoar-se e ao magoar terceiros com as suas atitudes e acções, volta a cometer os mesmos erros.
Mas cometemos novos erros. Sempre.
Nobody's perfect.
:) beijinhos
No fundo concordas comigo :)
O inexplicável nunca surge completamente despido das sustentação determinável, dos motivos ou razões.
Quanto ao segundo elemento, são ambas as premissas. Esquece-se porque foi penoso, e porque foi penoso, algumas coisas surgem como indeléveis, e como tal, os pressupostos tornam-se raros.
Beijinhos :)
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