Quando existem confrontos de personalidade entre as pessoas, especialmente na directa proporção da sua intimidade ou proximidade, um detalhe vem ao de cima. Trata-se de um detalhe que parece absolutamente fulcral no que diz respeito ao esforço de entendimento mútuo. Que detalhe é esse? Saber. Saber o que o outro quer. Descobrir até que ponto a manutenção da onda empática pode assentar numa espécie de movimento quase inconsciente, como um espasmo muscular, ou descobrir se está na hora de perguntar direcções.
Este é, parece-me, um claro pau de dois bicos. Não me parece que ninguém seja obrigado a adivinhar tudo, nem sequer julgo que seja possível. Claro que na defesa das idiossincrasias, talvez muita gente, senão toda, acha que algumas coisas devem ser obtidas e nunca apresentadas. No fundo, não é só o amor que não se pede. Há mais umas coisinhas, a bem dizer. Mas levar isso ao exagero é encerrar a pessoa num labirinto do indecifrável, e, claro está, a mais das vezes, não há pachorra nenhuma. Existem coisas que podem e devem ser ditas, quanto mais não seja porque a informação nunca servirá para nada se a pessoa em causa não interiorizar o que está subjacente ao espírito daquela. Se a vontade e a intuição não existirem, a informação é apenas mais um conceito que se fica rotineiramente esquecido no rol de itens de supermercado não escritos.
Não obstante tudo isto, até que ponto se poderá de facto "ensinar" as pessoas a fazer coisas? Poderemos ensinar a perceber? Poderemos ser ensinados a perceber necessidades e preferências? A produzir detalhes? A ter criatividade na dialéctica do "taco-a-taco"? Poderemos ser ensinados a recordar a tomada de iniciativas ou a perceber os disparates que se calhar até não o são?
Lamentavelmente acho que não.
Se acredito que ninguém deve encerrar-se num cofre e esperar que uma equipa de assalto lá retire algumas supostas preciosidades, também não creio que perante as pistas e o andamento da dinâmica entre as pessoas possa ser completamente corrigido o desconhecimento recorrente e total, bem como os tiros que acertam sempre vinte metros ao lado. Se temos de ensinar tudo a alguém, ou esse alguém a nós, a verdade é que a vivacidade necessária a sobrevivência de qualquer lado perde-se numa espécie de aula de GPS.
Existem coisas que só uma espécie particular de percepção permite apanhar, ou pelo menos, formular as perguntas certas. Essa percepção permite o jogo, o desarme e o confronto com a simplicidade das coisas mais importantes entre as pessoas. E o jogo é feito das pistas. Caraças, que piada teria o velhinho jogo do Cluedo se antes de começar já se soubesse que teria sido a Srª Corte Real, com o candelabro, na salinha?
A verdade é que a incompreensão perante o que deveria ser a normalidade das partidas cria cenários onde uns jogam ténis e outros correm atrás das bolas de lacrosse. Objectivos, regras e até sistemas de pontuação diferentes. Passando as metáforas desportivas, não se mostram cartões amarelos num jogo de basquetebol. E a incompreensão de códigos diferentes não deve surgir como exigência. E tentar entender deve sempre preceder o exigir. A análise antes da cobiça ou do ganho. E se o esforço empático for bem sucedido, deixa de ser esforço. É uma naturalidade emersa na liberdade absoluta que é entender alguém, e agir em conformidade com o que de especial a pessoa tem, e que acaba por ser a nossa motivação primordial.
Eu pelo menos acho que deveria ser.
Certas coisas não se explicam, e muito menos se exigem, por maior que seja a tentação.
Nada de excessos. Nem nos subentendidos, nem no evidenciar constante.
Este é, parece-me, um claro pau de dois bicos. Não me parece que ninguém seja obrigado a adivinhar tudo, nem sequer julgo que seja possível. Claro que na defesa das idiossincrasias, talvez muita gente, senão toda, acha que algumas coisas devem ser obtidas e nunca apresentadas. No fundo, não é só o amor que não se pede. Há mais umas coisinhas, a bem dizer. Mas levar isso ao exagero é encerrar a pessoa num labirinto do indecifrável, e, claro está, a mais das vezes, não há pachorra nenhuma. Existem coisas que podem e devem ser ditas, quanto mais não seja porque a informação nunca servirá para nada se a pessoa em causa não interiorizar o que está subjacente ao espírito daquela. Se a vontade e a intuição não existirem, a informação é apenas mais um conceito que se fica rotineiramente esquecido no rol de itens de supermercado não escritos.
Não obstante tudo isto, até que ponto se poderá de facto "ensinar" as pessoas a fazer coisas? Poderemos ensinar a perceber? Poderemos ser ensinados a perceber necessidades e preferências? A produzir detalhes? A ter criatividade na dialéctica do "taco-a-taco"? Poderemos ser ensinados a recordar a tomada de iniciativas ou a perceber os disparates que se calhar até não o são?
Lamentavelmente acho que não.
Se acredito que ninguém deve encerrar-se num cofre e esperar que uma equipa de assalto lá retire algumas supostas preciosidades, também não creio que perante as pistas e o andamento da dinâmica entre as pessoas possa ser completamente corrigido o desconhecimento recorrente e total, bem como os tiros que acertam sempre vinte metros ao lado. Se temos de ensinar tudo a alguém, ou esse alguém a nós, a verdade é que a vivacidade necessária a sobrevivência de qualquer lado perde-se numa espécie de aula de GPS.
Existem coisas que só uma espécie particular de percepção permite apanhar, ou pelo menos, formular as perguntas certas. Essa percepção permite o jogo, o desarme e o confronto com a simplicidade das coisas mais importantes entre as pessoas. E o jogo é feito das pistas. Caraças, que piada teria o velhinho jogo do Cluedo se antes de começar já se soubesse que teria sido a Srª Corte Real, com o candelabro, na salinha?
A verdade é que a incompreensão perante o que deveria ser a normalidade das partidas cria cenários onde uns jogam ténis e outros correm atrás das bolas de lacrosse. Objectivos, regras e até sistemas de pontuação diferentes. Passando as metáforas desportivas, não se mostram cartões amarelos num jogo de basquetebol. E a incompreensão de códigos diferentes não deve surgir como exigência. E tentar entender deve sempre preceder o exigir. A análise antes da cobiça ou do ganho. E se o esforço empático for bem sucedido, deixa de ser esforço. É uma naturalidade emersa na liberdade absoluta que é entender alguém, e agir em conformidade com o que de especial a pessoa tem, e que acaba por ser a nossa motivação primordial.
Eu pelo menos acho que deveria ser.
Certas coisas não se explicam, e muito menos se exigem, por maior que seja a tentação.
Nada de excessos. Nem nos subentendidos, nem no evidenciar constante.
3 comentários:
Porque raio as pessoas se preocupam tanto com o que os outros querem e nunca se perguntam verdadeiramente a si mesmos o que querem?
...
siobiose emocional necessária. Sangue para a empatia, melhor dizendo :)
http://a-skim.blogspot.com/2007/08/re-vi-sto.html
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