Vão ver isto... A sério. Saiam de casa e vão ver este filme.
Existirão muitas pessoas que olharão para este filme e, à semelhança de uma parte considerável da sala onde estava, deixarão escapar risos de nervosismo e incredulidade. Deixarão que esse riso talvez tape a idea absolutamente tresloucada, brilhante e arriscada que este realizador conseguiu transformar num filme tão (pessoalmente) belo que se tornou no primeiro a fazer-me engolir em seco desde o "Big Fish" de Tim Burton.
Este filme, esta pérola indie de humanismo é talvez a antítese de Dogville, se me é permitido o antagonismo. É uma história magnífica acerca da solidão, dos efeitos da culpa, das intensidades do sofrimento interno e da quietude da própria desagregação interna, que afinal pode acontecer sem histrionismo. É uma narrativa tocante acerca de algo que talvez possa parecer pouco provável mas é, gosto de acreditar, ainda plausível num microcosmo como aquela cidade cheia de neve, cinzentos e becos sem saída. As pessoas podem de facto escolher ser tolerantes e dar uma ajuda. E isso vai chatear a corneta a muita gente cuja tradução de qualidade ou honestidade é, hoje em dia, traduzida em niilismo.
Patricia Clarkson e Ryan Gosling são luminosos. Aquela brilha em qualquer filme em que entre, em qualquer frase que diga. Este é certamente um talento seguro da nova geração de actores e compõe aqui um personagem desconcertante e afável.
Até a porra da boneca faz um papel muito bom, destronando certamente a bola de voleibol de o náufrago como melhor personagem inanimado.
No fundo a ideia que me fica é muito simples.
É um filme que dividirá consoante a capacidade ou desejo de imaginar e perspectivar de cada um. Acho que de certa forma apela à capacidade de cada um em formar juízos improváveis, no meio de ciclones pessoais, no meio dos quais é necessário continuar a viver. Mesmo que doa, ou no caso de Lars, mesmo que queime.
Saí da sala de cinema com aquela sensação própria das coisas que realmente nos tocam. Aquela ideia de que digam o que disserem, algo neste filme é impassível de ser destruido ou vilipendiado. É tão internamente imenso que fica e resiste a tudo. De forma simples, despretenciosa e bela.
"Pequeno" grande filme.
Este filme, esta pérola indie de humanismo é talvez a antítese de Dogville, se me é permitido o antagonismo. É uma história magnífica acerca da solidão, dos efeitos da culpa, das intensidades do sofrimento interno e da quietude da própria desagregação interna, que afinal pode acontecer sem histrionismo. É uma narrativa tocante acerca de algo que talvez possa parecer pouco provável mas é, gosto de acreditar, ainda plausível num microcosmo como aquela cidade cheia de neve, cinzentos e becos sem saída. As pessoas podem de facto escolher ser tolerantes e dar uma ajuda. E isso vai chatear a corneta a muita gente cuja tradução de qualidade ou honestidade é, hoje em dia, traduzida em niilismo.
Patricia Clarkson e Ryan Gosling são luminosos. Aquela brilha em qualquer filme em que entre, em qualquer frase que diga. Este é certamente um talento seguro da nova geração de actores e compõe aqui um personagem desconcertante e afável.
Até a porra da boneca faz um papel muito bom, destronando certamente a bola de voleibol de o náufrago como melhor personagem inanimado.
No fundo a ideia que me fica é muito simples.
É um filme que dividirá consoante a capacidade ou desejo de imaginar e perspectivar de cada um. Acho que de certa forma apela à capacidade de cada um em formar juízos improváveis, no meio de ciclones pessoais, no meio dos quais é necessário continuar a viver. Mesmo que doa, ou no caso de Lars, mesmo que queime.
Saí da sala de cinema com aquela sensação própria das coisas que realmente nos tocam. Aquela ideia de que digam o que disserem, algo neste filme é impassível de ser destruido ou vilipendiado. É tão internamente imenso que fica e resiste a tudo. De forma simples, despretenciosa e bela.
"Pequeno" grande filme.
2 comentários:
pois...é esse mesmo...
:)
Assim que tiver sacado...
:)
ri-me com a expressão "onde quer que estejas".... estou no FIM DO MUNDO!!!!!!
:)
esse Ryan Gosling é um assombro de actor. a ver. sim.
beijos
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