ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, dezembro 24, 2008

Ora, pois faltam 15 minutos para abrir as prendas.
E é sempre ocasião para fazer determinados balanços, apanhados e perspectivação. Não que alguem vá ler, afinal estão todos de volta das prendas e da festa familiar, mas aproveito a minha taxa de alcolemia para deixar algumas coisa sairem, especialmente nestas ocasiões onde tudo se exacerba. E embora eja difícil acertar nas teclas, e possa apagar tudo mais tarde se assim me aprover, aproveito, como dizia Alan Poe, para tirar carga ou peso à alma, e simplesmente dizer uma ou duas coisas nesta noite de Natal.
Primeiro, falar da sorte que tenho, e olhar para o meu pai, com os seus setenta e nove anos, e vê-lo sorrir forte e feliz no seis daqueles que congregou.É pensar nas pessoas que perderam nem que seja cinco minutos do seu tempo para pensar no momento em que cruzei no seu caminho. É renovar os instantes de acrimónia perante todos os idiotas que nada mais fazem que pensar no seu umbigo e estragar a vida ao próximo. É olhar para mim e tentar perceber onde andam as minhas cicatrizes e as incapacidades que as mesmas geraram, e o que delas deriva.
Feliz Natal para quem se cruza por aqui, ou quem possa de algumas forma cruzar o meu caminho. Apesar de uma crença titubeante, esperarei que quem por mim passe e fique nem que seja um instante, pelo menos pense que não foi uma absoluta perda de tempo.
Boas Festas.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Das piores coisas que me podem fazer é com que sinta que o meu esforço é para mandar ás couves. Como se o mesmo, feito com boa vontade e aplicação, fosse algo de despiciendo, porque simplesmente cada um gere as suas prioridades sem uma única vez olhar para fora do círculo do seu umbigo.
Magoa-me profundamente sentir vergonha da ursice que é pensar que todo o cuidado e esforço para fazer apenas algo por alguém como marcar um jantar ou coisa parecida é vista como uma espécie de merdice, que por acaso até é, e pela qual se correm riscos e abdicam de coisas complicadas e importantes.
É muitíssimo triste pensar não que essas pessoas estão erradas, mas que se é burro, e que de alguma forma ficamos envergonhados porque deviamos simplesmente ver as coisas como elas são, e não fantasiar que por mais do que raras vezes, as coisas poderiam ser um bocadinho diferentes.
Mas como lá dizia a Aimee Mann, "Wise up!"
E já estou a tirar notas...

quarta-feira, dezembro 17, 2008


Só posso imaginar...
Por vezes pede-se às pessoas que tentem definir-se numa palavra. Entre muitas formas parcelares e incompletas (não por culpa delas mas minhas), tenho (também) esta.

AUTODEFINIÇÃO:


Ralph Waldo Emerson dizia que a única dádiva real consiste em entregar um pouco de nós próprios.
As formas diferirão, certamente, porquanto as pessoas tendem a proteger-se devido ao que a experiência lhes acaba por matar ou ferir de morte.
Mas ainda assim, quanto as pessoas transcedem aquele aforismo e conseguimos reconhecer essa capacidade, ele ganha tanta mais força quanto a nossa capacidade em reconhecer isso mesmo. E a forma de honrar essa forma de estar é procurá-la noutros locais, como flores ou animais raros que urge reproduzir e usar em certa forma de contaminação das formas de estar.
Por isso:
Hey, my friend
It seems your eyes are troubled
Care to share your time with me
Would you say you're feeling low and so
A good idea would be to get it off of your mind
See, you and me
Have a better time than most can dream
Have it better than the best
And so can pull on through
Whatever tears at us
Whatever holds us down
And if nothing can be done
We'll make the Best of What's Around
Turns out not where but who you're with
That really matters
That really matters
And hurts not much when you're around
When you're around
And if you hold on tight
To what you think is your thing
You may find you're missing all the rest
She ran up into the light surprised
Her arms are open
Her mind's eye is...Seeing things from a
Better side than most can dream
On a better road I feel
So you could say she's safe
Whatever tears at her
Whatever holds her down
And if nothing can be done
She'll make the best of what's around
Turns out not where but what you think
That really matters
That really matters
That really matters
See, you and me
Have a better time than most can dream
Have it better than the best
And so can pull on through
Whatever tears at us
Whatever holds us down
And if nothing can be done
We'll make the Best of What's Around
Turns out not where but who you're with
That really matters
D. Matthews



Estive aqui.
3:30 H de concerto. Até o "Footsteps" tocaram. Maravilhoso.
Para mim o melhor de sempre, apenas recentemente equiparado a Dave Matthews no Atlântico.
Há 12 anos o céu desceu a Lisboa.

Como já aconteceu outras vezes, conclui-se com a sensação honesta de conhecimento de causa, mas incompleta perante a realidade.
Sem malícia é certo, mas confunde-se força de vontade, que existe, com calmaria, paz ou qualquer espécie estranha de alívio. Na real expressão do que marcamos para nos próprios como sagrado e intransponível, como medidas de honra a fazer lembrar os romances de cavalaria que lançavam Rocinante contra paredes arredondadas perdidas na Mancha, está a suprema dificuldade. Aquela que nos leva a negarmos a simplicidade terrivelmente tentadora da rendição por obediência à medida. E perante o encurralamento de algo que mais parece feito do pathos inexoravelmente lançado para catarse, que nos era ensinado nas primeiras aulas acerca das tragédias gregas, pode assumir-se o destino e responsabilidade pelas agruras de um vento cortante e necessário, mas nunca traduzido num silêncio que mais pareça ignorância, passagem ou desmemória.
Essas benesses não há cá. Quis dar para esse peditório do esquecimento, mas há muito que há regras estritas e rigorosas quanto à inclusão de novos membros.
E não há nada de pacífico ou equilibrado no empedernir.
Há medo, e sobretudo há uma sensação de combate ainda mais feroz para que os monstros que são cabos não ganhem dentes onde antes só havia rugidos.
As memórias, por definição, não são cicatriciais.
São, como em tudo o que exibimos, relevos, e como tal, visíveis e morfológicos.
São provas do que o que dói fazer-nos crescer e reagir, mas nunca esquecer.




terça-feira, dezembro 16, 2008

segunda-feira, dezembro 15, 2008


É na contra-corrente dos dias, no inusitado que as pessoas nos trazem, que a confusão e a real noção de estar vivo se faz bem presente.
É estar num momento com as tripas em cima da mesa, e no seguinte, vermos uma luz no conceito de pessoas que há muito me havia deixado. É de alguma forma perceber que a solidão conceptual é em si parcelar. Que as expectativas, somadas às cicatrizes, podem ser receios de morte assim como são ameaças de vida.
E conviver assim, com tristeza real e alegria surreal, e simplesmente não entender muito do que se passa, mas saber que isso, pelo menos em parte, não é negro, mas azul, como me disseram. Sei que a parcela de negrume que inevitavelmente puxa parte de mim é algo de insofismável. Mas sei também que existe uma outra parte, uma luminosidade teimosa que teima em querer fazer sempre as mesmas perguntas, e que apesar das descrenças parcelares, tudo fará para equilibrar os pratos de uma balança feita de cicatrizes, por um lado, e muito de maravilhoso para contar, por outro.
Porque nem sequer as dentadas dos carnívoros de maior porte são más. São vida.
Nunca sabemos até que ponto a pertença nos reclama, e onde nos encontramos, em parcelas que nos identificam.
É bom chegar a alguma casa.
É bom perguntar pelas coisas boas, e esperar os dias com cores.
Ainda que o negro lá esteja, como em qualquer espectro.

Amigas:

Como é sobejamente conhecido, eu não sou uma pessoa a quem o pio falte facilmente, nem que tenha dificuldades em reagir seja ao que for. E sobretudo que as palavras possa surgir desconhecidas e teimosamente desconexas perante um qualquer evento.

Mas à semelhança, creio eu, dos outros felizardos que foram contemplados com esta absoluta maravilha, foi preciso tempo para digerir o que sucedeu, para conseguir enquadrar a completa amálgama de emoções e constatações que me foram dadas experienciar no dia 13 de Dezembro de 2008, dia que ficará na memória por tudo o que significou e pelas percepções que foram marcadas no que me constitui enquanto pessoa.

Não há forma de agradecer, ou de explicar convenientemente o meu embaraço feliz, a falta de reacção adequada, o espanto, a desconexão perfeita entre intenção e acção. Não tenho qualquer arquétipo reactivo que possa demonstrar o que foi estar naquela tela, perante aquelas pessoas, motivar aquele esforço. Não há forma de recortar em palavras justas aquilo que significou para mim um dos mais singulares e fantásticos momentos da minha vida, e digo-o sem hesitação alguma. Não tenho igualmente forma de me desculpar pela trapalhice em agir de acordo ao profundíssimo agradecimento e amor que suscitou uma das mais cabais demonstrações de afecto de que tenho memória ou sequer imaginação para conceptualizar. Senti-me ao mesmo tempo enorme e pequeno perante a vossa generosidade, perante o afecto que me foi dado e perante a grandeza de gestos que nascem da imaginação que só a mais profunda e férrea emoção podem gerar.

A noite de 13 de Dezembro de 2008 foi, para mim, um marco. Uma espécie de rendição perante algo que o meu cepticismo ultimamente andava a gerar perante a raça humana. Vocês devolveram-me duas coisas que não há uma vida inteira de gratidão que possa pagar devidamente. Alguma crença nas pessoas e um senso de real pertença, de ser parte de algo, de alguém, da perenidade de que são feitas as histórias de felicidade e triunfo pelas quais vale a pena viver a vida.

Faço-vos uma vénia sentida e rendida, abraço-vos com aquilo que extrapola os meus braços, com a perfeita consciência de que é pequeno e incompleto perante cada minuto gasto a tomar atenção a mim, e claro, a cada um de nós. Sou, e digo-o com um feliz tremor, como aqueles que me assaltaram naquela noite e me roubaram a capacidade de reagir, vosso, e com o mais explosivo orgulho.
Se a nossa amizade foi capaz de gerar aquele momento, só por ele já teria valido a pena em cada instante. E sinto o calor de felicidade em pensar os vinte anos que por aí vêm.

Como disse a alguém a certa altura, o mais complicado já está. Os primeiros vinte anos, a constância, a solidez de um laço, a sensação de pertença que a tantos escapa, infelizmente, e da qual faço parte.

Tenho ainda que agradecer o facto de proporcionarem o momento à minha família, especialmente aos meus pais, que sei que muito apreciaram e que, juntamente com todos os outros, foram também as estrelas do evento.

Não tenho nem nunca terei forma de vos agradecer o que ali se passou.
Não tenho nem a capacidade, nem consigo transpor o que para mim significou e significa fazer parte de algo assim, e sentir que fui motivo para tanta criatividade, esforço e afecto.

Agradeço-vos.


Rendido e Vosso.

SK
P.S. - A música que segue abaixo foi a que escolheram. E muito bem, diga-se.


sexta-feira, dezembro 05, 2008

AUTO(?) RETRATOS ELABORADOS POR TERCEIROS COM OLHO VIVO...






Bem, eis-me como "Simpsonized character".

Não me ocorrem muitos comentários, a não ser o retrato está mais ou menos fiel, embora o meu queixo seja bem mais proeminente. O amarelado da pele, de acordo com a minha senhora minha mãe, cada vez que lá passo para almoçar ou jantar, é exactamente o que se me aplica nos dias que correm. A t-shirt preta, de bailarino húngaro como a reputa o meu irmão, está adequada.

A barba de um dois dias é um bocadinho menos cinzenta... mas só um bocadinho. E sim, tento, sempre que possível, sorrir sem mostrar os dentes. Estes tipos sabem o que fazem!









Aham...(pigarrear...) "That my days have been a dream; Yet if hope has flown away(...) All that we see or seem Is but a dream within a dream." Aqui, ler E.A.Poe ( mestre dos mestres) talvez menos fiel que o retrato amarelado acima, mas ainda assim não foge muito da realidade. embora a minha cara não seja tão bolachuda, a cor dos olhos ao menos está certa.

quarta-feira, dezembro 03, 2008



E porque se calhar há mesmo um velhote de barbas brancas, e porque, e porque, e porque joguei no Euromilhões e deve ser desta, e inspirado numa ideia alheia (sorry!), cá vai uma wishlist daquelas mais plenas do impensável, portanto, Volume I :