ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, fevereiro 27, 2009


Por vezes, muitas mesmo, encontro que estar calado é a coisa mais acertada, e no entanto, a mais complicada de lograr. Talvez porque de certa forma a estupidez suprema seja perceber que ainda que fale, de nada adianta, ainda que argumente, não o faço no idioma certo, ainda que conceptualize, não o consigo desenhar.

E é do caraças perceber que aquilo que em alguns aspectos se jugava de percepção automática é apenas uma teimosia afectiva por algumas coisas que são pilares individuais, mas de forma nenhuma são passíveis de suster outras estruturas.

É a verdade, mas é do caraças.


Julgo que há uma grande diferença, que eu próprio nem sempre consigo discernir, entre o reconhecimento das empatias e os efeitos dos seus supostos desencontros.
A verdade é que a empatia é, em meu ver, uma espécie de desejo abstracto, um local bem escondido, com mapas pouco precisos, mas que no fundo nunca é estático, e passeia-se bem perto dos seus supostos destinatários, ou melhor dizendo, descobridores.
E não se julgue que a inexistência de empatias gera pensamentos muito clarificados na mente de quem as anseia. A verdade é que é complicado fazer com que até mesmo amigos se importem com aquilo que é importante para nós. É uma solidão terrível não conseguir passar essa ideia, ou não conseguir contaminar outrem com aquele gosto ou emotividade dos juízos perante certas coisas. Mais complicado ainda é perceber quanado nem sequer passa a importancia que tais coisas podem ter para o sujeito que as encarna, ou as tenta passar a alguém, como uma espécie de percurso pontilhado para aquilo que é o conhecimento de si mesmo.
Mas ainda assim, o que deve ressaltar é que por vezes não fica muito claro que aquilo que desgosta é precisamente o que digo acima, e não que as pessoas não partilhem gostos ou ideias. O que desgosta é uma certa incapacidade de abarcar parcelas de universos que não os seus, num ecletismo que se calhar é apenas aquilo que de mais precioso temos para dar. E custa, não gera acusação, porque uma coisa é desejar que numa mesma nuvem, diferentes olhos vejam pelo menos efígies semelhantes, e outra é acusar o formato de entendimento diferenciado como cegueira. E sei bem que nem sempre consigo ter este raciocínio, talvez porque como em tantos outros casos, o desejo de universalizar a experiência da Beleza ou Bem supremos sejam tão velhas como qualquer experiência de qualquer forma de amor por qualquer coisa que seja.
Não, não quero de forma alguma que vejam como eu. Que num Rorcharsh vejam as mesmas formas, ou que as mesmas notas causem os mesmos arrepios de pele. Claro que num plano de linguagem e interacção humana, desejo por vezes que pelo menos sintam algo parecido quando contemplam as coisas que me tiram a fala ou geram um sentimento de simples contemplação por algo tão grande, belo ou perfeito. Mas não acho que tenham de ver.
E sim, nem sempre tenho esta ideia tão clara. Por vezes sim, tendo a pensar que muitas pessoas se limitam não porque não vejam o brilho nos objectos das minhas paixões, mas porque sinceramente acho que muita gente não vê brilho em coisa alguma, nem abre o que tenha de si para que tal aconteça. Mas ainda assim, é uma postura que não é facilmente defensável, e tenho uma clara consciência disso. E é então que me calo, silencio, e opto por sair da sala quando esta está em alvoroço. É nessa altura que deixo simplesmente que se discutam outras rotas, e guardo o mapa esfarrapado dos meus tesouros, como qualquer folheto esquecido em cima de uma mesa, porque honesta e realmente, não passará muito disso. E nem tem de passar, como é evidente.
No fundo, trata-se apenas de ir pregar a outra freguesia, e como em qualquer clube, partilhar aquela unanimidade de que falava o Dickens por algumas razões que se explicam, e outras que nem tanto. A empatia é, em certa medida, a simpatia inata e progressiva assente nos juízos estéticos ou éticos que geram paixões que em alguns casos se seguem durante uma vida inteira. É concordar com motivos, e não conseguir explicar todos.
A discórdia é solidão conceptual, e perante essa, fica o silêncio, a educação e apenas água rasa.
E nada mais se pode pedir, ainda que muito se deseje.



quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Não é incomum termos confrontos com pessoas. Nem sequer é incomum que tal aconteça com pessoas de quem até gostamos ou com quem normalmente nos damos bem. Mas pergunto-me a mim até que ponto deve haver paz quando do outro lado há apenas descuido, causado por uma inconsciência própria de quem acha que os recortes de personalidade devem ser aceites, e como tal, não importa o que façam.
A questão que me coloco é se não devemos colocar essas pessoas imediatamente na ordem. Mostrar-lhes que aquilo que fizeram não é de forma alguma aceitável, e que o cházinho que nos dão enquanto pequenos, segundo me disse alguém com muito sentido de humor, deve reverberar na nossa conduta.
O problema desta situação é que os "agressores" só ouvirão se a coisa partir para a ignorância, e como se sabe, no meio da baderna, não há razão que o valha, precisamente porque foi a razão que faltou no início da altercação.
Algumas pessoas acham que é justificável desculpar certas recorrências de má educação ou ataque gratuito como recortes de personalidade. Como são assim, a malta trata de desculpar.
E aí a escolha é muito clara. Ou chamamo-los à atenção, e aí a coisa azeda porque a postura altiva e descuidada que originou o embate manter-se-á pela discussão do comportamento em causa, ou deixamos passar, e a impunidade vem ao de cima, como resultado menos feliz do comportamento de alguém que assim se acha justificado a tomar tais atitudes. É normalmente mais comum em pessoas que têm um peculiar problema com holofotes, ou a falta deles. É uma coisa de atenção, uma puerilidade de pessoas para quem nunca são suficientes as vezes em que se passa a mão no respectivo pêlo.
E sinceramente, nunca tive grande pachorra para gente mimada, que é apenas uma metáfora para egoísmo onde normalmente se confunde má-educação com petulância ou irreverência.
Por isso talvez valha a pena, quando isso acontece, levar as tropas para o campo. Talvez a visão os leve a chatear a molécula para outro lado, ou a procurar outras pessoas que mais depressa aceitem os desmandos da mimalhice anacrónica.
A dita deferência e calma zen já cansa...


quarta-feira, fevereiro 25, 2009

E eis que retornei ontem do Fantasporto, e consequentemente de algo que desejei fazer durante anos, e só agora acabou por ser possível.
E após sete filmes em dois dias, o saldo é incrivelmente positivo, especialmente pelo ambiente, pelo gozo que é deslocar-me em busca de algo como cinema. O ambiente é curioso, alguns dos credenciados com lugar cativo no Rivoli são mesmo estranhos, mas é excelente dar de caras com filmes fora do circuito comercial.
Confesso que o gore não me cativa muito, para não dizer nada, mas gosto muito do cariz fantástico na arte e claro está, no cinema. Salvo melhor opinião, quando a coisa começa a parecer-se com um matadouro de três em três minutos, nos quais as entranhas se colam constantemente ao argumento, é porque este me começa a desinteressar um bocadito. Não digo que seja mau, ate porque Mikee é um cineasta bem conceituado, e há amigos meus que o seguem com muito interesse e me garantem que é óptimo, mas não me apela suficientemente. A violência pode ser necessária para contar uma história, e alguns dos filmes da minha vida têm-na, mas acho que há um limiar a partir do qual a coisa entra no exagero, e a mim pessoalmente, nada me diz.
De entre sete filmes, destaco dois, sendo que um deles não vi no âmbito do certame.
Coraline, filme em Stop-Motion, absolutamente maravilhoso e delirante em termos visuais, oriundo de uma história por sua vez saída da mente do genial Neil Gaiman, é um filme de animação que deveria contaminar todo o cinema da pequenada. É inteligente, lindo, assustador, esperto e bem intencionado sem ser minimamente moralista... Enfim, tudo e mais alguma coisa. A animação Stop-Motion é absolutamente perfeita, e as cores, especialmente quando visto em 3D, parecem quadros ou colagens vintage.
O outro, inserido no certame, é uma absoluta jóia chamada "The Chaser". É um filme, em meu ver, absolutamente brilhante. Cómico, dramático, ternurento, horrível, assustador, desconfortável, os adjectivos são tantos quantas as mudanças no seu ritmo frenético e na história que lhe está na base. Não poupa o espectador e no entanto, a violência, sendo tremenda, nunca é excessiva, e a câmara sabe quando deve ter o pudor de se afastar e deixar-nos a imaginar coisas terríveis. Os americanos compraram os direitos para um remake, mas duvido que tenham os tomates de fazer algo absolutamente fiel à obra, que nos dá esperança e a retira cruelmente quase no último estertor da narrativa. Os actores são fantásticos, o humor é delicioso, enfim, tudo em duas horas e vinte cinco que passam a correr.
Portanto, e esperando que no ano que vem possa fazer pelo menos uma semana de certame, recomendo vivamente a todos que, quando tiverem a oportunidade, se desloquem ao Porto e saboreiem algo tão raro e admirável como a oportunidade de ver algum cinema que só talvez os clubes de vídeo mais obscuros possam ter, e que é uma perda caso não sejam vistos.
Have fun and enjoy!




quarta-feira, fevereiro 18, 2009



Este vídeo não era exactamente aquele que eu gostaria de colocar aqui, embora a frase do refrão me pareça adequada à ideia que tenho sobre o assunto. Deixo à consideração tal adequação.


Na sequência de uma conversa bem engraçada sobre o tema da atracção (para muitas moças da minha geração o Michael Hutchence já será em si um ícone, calculo), ou daquilo que fundamenta tal (sensação, emoção?) em cada um de nós, dei comigo a pensar numa frase emblemática de uma canção dos Everclar:



"And you're beautiful,


in an ugly way..."



Alguns elementos de atracção poderão, e julgo que serão objectivos, mas nunca deixam de ser correlacionais. Quero com isto dizer que a beleza nunca anda sozinha. Não é conceptualmente una, não existe numa característica de materialidade externa ou interna.


A beleza externa e extrema, erguida só sobre si mesma, pode ser efectivamente o que diz o refrão da música abaixo transposta (que na realidade fala dos flagelos do mundo da moda parece-me), ou seja, o surgir de uma pessoa elegantemente desperdiçada.


Um contorno próximo da adequação ao ícone de beleza mormente aceite em determinado tempo só sai da bidimensionalidade através da interacção. No fundo, quando o boneco se mexe, interage, penetra alguma esfera pessoal, substitui-se o funcionamento da aprovação estética (sim, pode ser carnal, claro), pela actual atracção.


Pensem bem.


Com quantas pessoas absolutamente lindas (no contorno) já nos deparámos na nossa vida? Quando saímos à noite, quando vamos à praia, quando andamos de um lado para o outro numa exposição ou quando suamos no ginásio, elas aparecem sempre. E sinceramente, de quantas nos lembramos ainda hoje? Diabo, de quantas nos lembramos vinte minutos depois? Ou no final da semana? Talvez uma. Talvez nenhuma. Talvez o que fique na mente sejam fragmentos de algo que funcionou em termos dos impulsos que a genética e a aprendizagem cultural nos instilaram, mas o facto de ser algo alheio á nossa esfera de conhecimento faz com que se desvaneça.
A verdade é que a atracção é um pouco a persistência de uma memória simples. Assenta na mistura entre curiosidade e pulsão de cobiça em razão de um juízo estético. É algo que entra e fica, dure dez minutos ou dez anos. É algo que passamos a conhecer de algum modo.
Bem sei que já me pronunciei sobre este tema algumas vezes, e a verdade é que embora reconheça que a beleza, ou o auto-cuidado seja algo de louvar e incentivar, a verdade é que o despotismo que assiste a algumas pessoas em razão da bondade da natureza para com elas de nada vale na persistência da memória. Uma pessoa esteticamente cativante pode ficar connosco duas horas, ou o tempo necessário em que a contemplação é possível. Uma pessoa gira (na termonologia de uma Amiga minha) fica connosco para além do baixar do pano. Pode ser por qualquer motivo. Por qualquer impulso. Mas só causa impressão na interacção, acho eu.
No fundo, acho que isolados, os componentes da existência de alguém são sempre mais fracos do que o progresso tendente à complementaridade. E se sempre defendi que o aspecto não é nunca despiciendo, e mantenho, a verdade é que isolado, fechado sobre si mesmo como uma "oferta única", é apenas mais um cartaz de rua, mais um poster de revista, mais um instante de fantasia distante e inconsequente que não perdura na memória nem modifica a pessoa. Sem interacção, sem o material da personalidade verificável, são olvidáveis.
Ainda hoje me lembro do solstício de Verão no qual tomei banho no Guicho às dez da noite, e o magnífico crepúsculo desse dia.
Não me recordo da face ou corpo da míuda mais gira que possa ter visto há 5 dias atrás, quando fui sair.

Dito isto...

terça-feira, fevereiro 17, 2009

A percepção do irrecuperável é uma das coisas mais complicadas de gerir internamente. Seja porque somos animais de hábitos, ou porque efectivamente, em meio a tanto cinismo e fórmulas de conforto, lá conseguimos abrir o coração e deixar que nos finquem as unhas, a verdade é que o simples “já não dá” custa muito a engolir. Como uma toalha de piquenique num dia ventoso, não assenta, e em alguns casos, pode nunca assentar, pelo menos parcialmente. Claro que o vento é sopro nosso.

A distância temporal pode tornar as conclusões muito mais analíticas e fá-lo normalmente, mas não existe realismo suficiente para conseguir explicar o afastar a ideia de que, por vezes, aquilo que somos capazes de sentir perante outra pessoa é, acima de tudo, perigoso e digno de respeito. Pianinho, como dizia a minha mãe. Quando o esquecimento lá finca estacas e tendas, a dissecação é fácil. Mexer e abrir algo morto quase que não personaliza o objecto da análise, e abre-se espaço e tolerância para todas as perspectivas, modos de vida e escolhas.
Mas num caldeirão a ferver ninguém consegue imaginar gelo.
Para isso o despreparo é pouco menos que absoluto.




Pressão.
E tempo.
Dizia um autor que é tudo o que é preciso, na realidade.
Pressão e tempo.
Embora este aforismo esteja incluido numa das histórias da minha vida, e faça perfeito sentido lá, a verdade é que não renego o perigo que pode ser transpô-la para o exterior. Ou melhor, para o interior. Cá dentro. Tripas e o que passa por cérebro.
A pressão e o tempo parecem conduzir a um estreitamento. Não quero dizer definhar porque os teimosos não definham. Emagrecem os recursos de alma, se quisermos ser mais elegantes, mas não definham. Definhar parece traduzir fraqueza, o que de certa forma acaba precisamente por ser a definição certa. E livremo-nos de deixar sair isso cá para fora. Dá uma asneirada desgraçada, porque é bem sabido que os desejos alheios de vulnerabilidade e sensibilidade, seja lá isso o que for, são falsas questões. São, em bom rigor, falácias próprias de uma certa incapacidade de olharmos para outra pessoa e sabermos exactamente onde arrumar a sua caracteristica desarrumação.
Claro que imaginar não é impossível, e desejar muito menos. Este último é inevitável, assim como perigoso. Ao virar da esquina pode estar a capacidade de revolver os mesmos temas sem cansaço, a ironia provocadora do riso da longevidade e mais umas coisas.
Mas bem vistas as coisas, se estas estão presas por dentro, se alguma coisa simplesmente não funciona porque no limite há coisas que não se conseguem conformar, tudo se torna uma espiral. Quanto mais fome se tem, menos vontade de comer gera. O que passa por estômago deixa de roncar, e os movimentos adaptam-se a uma ausência de langor, já que a adrenalina, gerada pela tentativa de escapar, substitui qualquer fraqueza afectiva.
Lá está. Emagrece-se, não se definha. Não há langor, mas uma bravata bem ao estilo dos mustelídeos. Uma vez encurralados, reagem,mas cedo ou tarde o tamanho do oponente vai levar a melhor, ou escapa-se após umas mordidelas ferozes mas com marcas próprias.
Claro que tudo isto seria mais fácil se fosse possível ignorar as pessoas. Aquilo que trazem, e especialmente o que levam.
A pressão e o tempo são isso mesmo. É a recordação que nunca mais se caracteriza. É ser sempre presente aquilo que deveria ser memória, e por inerência, indicia o que teima em não suceder.
Até que a pressão seja demasiado e quebre a resistência.
E aí sim não se definha.
Mas morre-se.


(...)
Could everyone agree that
No one should be left alone
Could everyoone agree that
They should not be left alone yeah
And I feel like a newborn
(...)
Could you take my picture?
Cuz I wont remember
Could you take my picture?
Cuz I wont remember





segunda-feira, fevereiro 16, 2009


Foto: "Fipas"

http://olhares.aeiou.pt/vidas_foto1219503.html


Todos estamos a fazer qualquer coisa, acho eu. A nossa coisa. As nossas coisas, as nossas pequenas viagens, o exercício das pequenas manias e o cultivo dos grandes medos. Acho que todos, a certa altura, sentem o eco que o interior faz, como se a voz não fizesse mais do que um "richochete" nas paredes auto-erguidas.

Não sou diferente da maioria das pessoas, acho eu. Tenho a ideia, meio esperançosa, é certo, mas nunca a pretensão ou sequer veleidade, de que eu efectivamente me faço entender. E em certas matérias, as idiossincrasias devem ser insuportáveis, como outras o são para mim. Acho que elas nascem da percepção que alguém tem de que, a espaços, as coisas não podem simplesmente ser como eu as vejo. Que diabo, deve ser verdade, porque a espaços, nem eu acho que alguns fenómenos correspondem minimamente às interpretações que deles faço.

"A falta de julgamento é matéria de infinita esperança", dizia o Fitzgerald. Certamente tê-lo-á escrito enquanto caia da cadeira, de tão bêbado que estaria naquele dia. E no entanto a ludidez desta ideia é assombrosa. Assustadora mesmo, porque existem certas coisas que eu não consigo entender, e talvez não aceite que o mesmo raciocínio seja feito relativamente a mim. Debato-me ferozmente, argumento, e na maioria dos casos, é apenas uma diferença de perspectiva. É apenas cada a um a fazer as suas coisas, e eu as minhas.

Parece-me profundamente falacioso, e por vezes tenho de relembrar-me disso mesmo, achar que poderei entender tudo. Sim, esforço-me, mas ocasionalmente lá me sairão os juízos de desaprovação que certamente serão rugidos muitas vezes quando as minhas costas se viram. E aceitar isso é tão difícil como aceitar que por vezes não se dizem as coisas certas, que a espaços se fazem as coisas na solidão clara de uma perspectiva que é, exteriormente falando, talvez inaceitável. E no entanto, naquele instante de silêncio onde não dá para mascarar nem dourar coisa alguma, faz sentido. Faz sentido na unidade disléxica em que o absurdo do dia a dia nos mergulha, e por onde a única reacção possível parece ser aquela idiotice (abstracta?) que acabei de fazer.

Mas claro que depois existem outras coisas. Existe a verdade. A verdade que por vezes, ao ser descodificada, surge como incrível. A descrença veste-se de resistência, como qualquer forma de negação. Não se ouve nada. A verdade parece uma partida estúpida, como dar uma pipa de massa por uma informação (aparentemente) inócua.

No esforço de entendimento entre as pessoas, e não me excluo, acho que há dificuldade em trocar realmente informação. Em aceitar que por vezes não se está preparado para os contornos daquele que está ali á frente. Em interiorizar que uma coisa é desprezar uma ideia discordante ou duas, e outra é não deixar que isso contamine o portador. Muitas pessoas dizem poder aceitar os recortes de outros, por amor às aberrações internas que por vezes se confundem com atracção pela diferença. E quando a verdade desce, e ainda assim é só parte daquilo de que é feito o todo, a aceitação transforma-se na exculpação de uma incapacidade. Olhamos e não conseguimos aceitar. Baralhamos as cartas, voltamos a dar, e ainda assim não há jogo. As regras não se aplicam quando o objectivo do jogo afinal não parece ser o mesmo.

Cada um faz as suas coisas, e eu faço as minhas.

Sei que tento julgar o menos possível, e entender cada espiral retorcida. E ao falhar, se calhar em muitos casos, mais do que falha minha, é desconhecimento da diversidade. E segue-se em frente, com imagens e ideias que mais parecem a recordação de um local que por alguma razão me tocou de formas inviesadas, ou um quadro que se sabe ser de um mestre e que no entanto, jamais fica na memória.

Porque, pelo menos para mim, o melhor seguro da memória é precisamente entender.

Tentar são intuições.

Perceber continuamente é uma sorte quase obscena.




Cameron - "So, your last day's Friday.
Wilson - " I'm going to miss you."
Cameron - "You shouldn't go."
Wilson - "Did House ask you to talk to me or are you trying to save the patient? Because there will always be—"
Cameron - "House asked me."
Wilson - "And you're doing it—"
Cameron - "I told him to go to hell."
Wilson - "Thanks."
Cameron - "But I think he's right. You think you're making a rational choice. You think the worse is over. And then six months later you look back and you realize you didn't know what you were doing."
Wilson - "Are you saying the pain doesn't go away?"
Cameron - "It gets easier. Not in two months. Not in two years. But no. It never really goes away."
Wilson - " Being here— This building— I was just in the lounge. I kept staring at Amber's locker."
Cameron - "I saw a guy wearing a scarf this morning. The color reminded me of his eyes. We lived 500 miles from here."
Wilson - "I have to do something."
Cameron - "Then do it. But don't think it's the right choice. Because there isn't one."



sexta-feira, fevereiro 13, 2009


A propósito de um filme que gostei muito, mas tem muito mais aplicações significantes. Para mim, claro.


"A separação final dos personagens é algo que me toca muito. Talvez incremente a minha noção de qualidade porque é idiossincrático, mas senti aquele momento várias vezes. O instante em que abrimos mão de algo que parece tão naturalmente encaixado em nós, e que perpassa pelas formas mais simples de estar com a mira certeira de uma empatia sem justificação apriorística. Aquela despedida feita a coisas e pessoas que se afastam, e a dúvida que nos fica acerca da necessidade de progredir caminho "versus" a nostalgia das coisas que não deveriam perder-se."




Está para chegar o dia dos namorados.

Ok, como já li em alguns textos, a piroseira das decorações roça o inenarrável, mas a verdade é que as lojas têm de vender, a economia tem de andar para a frente, pá!

São os corações, malfadado orgão impulsionador de sangue que por vezes é tão maltratadinho no folclore urbano, os ursinhos, os restaurantes que abarrotam, em muitos casos com malta que se senta e não troca duas ideias, o que é possivelmente dos cenários mais sinistros que consigo imaginar. São todas essas coisas e aqueles olhares de algumas pessoas que, face à alternativa, se perguntam se não valia mais suportar esta estucha que andar por aí, como me dizem muitas pessoas, "aos caídos".

Well, fuck that!

Não tenho qualquer problema com as efemérides, é um facto. Muito pelo contrário. Natal, Páscoa, dia disto e daquilo, sou daqueles reputados vendidos que compra sempre qualquer merda nessas ocasiões. E faço-o com gosto, até porque só a minha carteira me limita em termos de prendas e quejandos para pessoas de quem gosto.

Mas assim como não tenho a mínima pachorra para os detractores das efemérides porque se imbuem dum qualquer espírito de denúncia de consumismo e merdas que tais, também não há saco para a malta que olha para os "encalhados" (bonito termo, assim como outros) com aquele olhar de quem vê um miúdo a esfolar continuamente os joelhos e a abanr a cabeça condescendentemente.

(Claro que depois o olhar de tédio, de hábito, de rotina impregnada até aos ossos, da chamada "vida de responsabilidades" que lhes rouba a muitos qualquer brilho no olhar, são apenas "normalidades" ou o "normal decurso das coisas", mas nem vou por aí.)

A verdade é que a identificação directa entre o crescimento e as morfologias típicas do gregarismo dito "amoroso" são uma falácia absoluta, apenas aplicável, claro está, a quem as sente efectivamente. E como dizia o Júlio Machado Vaz, se calhar esses, que invejamos terrivelmente, contamo-los pelos dedos de uma mão.

Por isso, sem qualquer preconceito, espero que os ditos casais se divirtam amanhã, e se possível, na maior parte dos outros dias também. Esqueçam a ideia de que se vão divertir sempre, mas se calhar até podem divertir-se mais vezes do que pensam. Acho que a palavra é simplificar nos problemas e densificar nas aprendizagens. E rir, claro está.

Eu cá vou ver quem andará na mesma noite com o tal olhar "desolado"(yeah, right...), e perceber um bocadinho acerca de quem toma que tipo de opções.

Porque se o Valentim foi decapitado (perder a cabeça por causa de mulheres... já no sec. I a coisa nãoera original, portanto imaginem o Shakespeare...), e a malta celebra aquilo que mais me parece uma outra forma de afloramento de uma pré-primavera, há aqueles que mantêm a cabeça, e que podem achar mais ou menos piada à coisa. São tudo sortes ou perspectivas. O truque é perceber onde achamos que estamos enquadrados, o que muitas vezes, pode variar ao dia...

Enfim...

Como se fosse possível algum momento em que um coração ande completa e universalmente vazio...




Do que Sou(mos) - Parte I

Primeiro ouvir isto - mms://195.245.168.21/rtpfiles/audio/wavrss/at1/oamore6_40514-0902090910.wma - , especialmente a primeira parte relativa aos apartamentos e à irritação pelos juízos acerca de quem é capaz ou não de sentir afecto, bem como as transições necessárias de amor e sexo e das falácias generalizadoras que tantas vezes ocorrem.

Matéria para muiiiito debate.

Na parte II e outras darei a minha modesta opinião sobre alguns dos assuntos.

Mas é de ouvir com atenção...

Os meus profundíssimos agradecimentos a um outro animal selvagem pelo acesso esta peça mas especialmente ao que gerou em termos de reflexão (divertida, claro, mas com muito mais coisas).



quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Tudo são ciclos e renovações. Pelo menos é o que me dizem algumas pessoas. Ou muitas, se pensar bem. Mas a verdade é que em certa medida, em algumas coisas, nunca seremos o que fomos. Não que não possamos ser melhores, ou claro, temer ser piores. Não que as coisas não fiquem mais ricas, sei lá, que não me torne apenas um passador das influências que um mundo de que teimo querer fazer parte.
Mas a verdade é que há coisas que o tempo parece mascarar de fantasia ou sonho de outros tempos. A memória esforça-se tanto por perspectivá-la que mais parece os fumos mal materializados de um sonho acabado de ter. Um sonho de rapaz, precisamente.
Há algo nesta faixa que parece fazer parte da base daquilo que reconheço enquanto pessoa. Creio que cada pessoa terá uma canção, um livro ou um filme deste género. Coisas que alicerçam uma personalidade pelos amores perenes que a penetram como os espinhos necessários em certas flores. Coisas que relembram um estado daquilo que fui, daquilo que parecia um rio onde nadar era uma descoberta lado a lado com multiplas tentativas de afogamento. Um impacto. Um embate em mim, como diz o rapaz.
Foram milhares de horas, centenas de milhares de minutos em que estes acordes simplesmente me revelaram a nudez do que eu era. Foram instantes em que a beleza triste da sua completude marcaram a memória que me permite perceber onde já não estou, e o que ficou em tal casa de portas agora escancaradas.
Tudo são ciclos e renovações, mas no fim, mais do que aquilo que fiz, sei bem aquilo que fui. E não é possível olhar a espaços e perceber a imensidão do tempo que não retorna, da devolução daquilo em que me reconhecia que nunca acontecerá.
Por isso hoje ouço-a. Ouço-a como a banda sonora parcial de uma vida contada pela benfazeja carícia de uma morte. Uma morte não. Uma transformação. Uma transformação e nada mais. Um baixar de cabeça, um cerrar de olhos, e uma espécie de abraço a um velho amigo que me conhece desde aquela pouca vergonha, daquela nudez na qual qualquer toque mais áspero era sangue. E no entanto, este nunca parava. Nunca se detinha. Como o ciclo da água, esta música, mais do que a lembrança de uma identidade, é a denúncia de crescimentos bastardos pela antítese.
Esta canção representa tudo o que se pode agradecer pela rendição, tudo o que é perigoso porque é maior, tudo o que é o sabor da vulnerabilidade.
E na morte daquilo que a ela se colava, surge a memória em que se torna.
E nas mortes reais, há sempre uma vénia respeitosa, um silêncio desarticulado, uma inabilidade de expressão. Um passo perdido, uma pergunta quase como de retórica.
Paz à sua alma...
And a crash...
But no more into me...


quarta-feira, fevereiro 11, 2009

E assim de repente...

Não quero nem saber de tanta coisa....

Ufff....
"(...)Change your tune.
It's only the love of fools that's dismal and distils tears.
If it doesn't laugh and sparkle, love's feeble and gruff.(...)
La Boheme - Puccini
Rir é o maior dos quebra-gelos.
As pessoas mais brilhantes do mundo são as que conseguem fazer rir. Não há exercício mais genial que ter piada. Não há instrumento mais perscrutante que a graça.
Fazer rir é do caraças. É difícil. Manusear a piada, que pode ir, em termos de consequência, da gargalhada lacrimal ao sorrir sincero da ironia fina, é o expoente máximo da tesão.
Não há nada pior, ou melhor, ou mais eficaz que um algoz com piada.
Se for alguém de quem gostamos que tenha piada, qualquer zanga está fodida. Porque o humor a torna insolúvel, devido ao génio, ou porque a torna inconsequente, por mera força atractiva.
Rir é absolutamente íntimo. É como o sexo. É pele com pele, é uma zona erógena constante sem pausas de saciedade. A capacidade de fazer rir é como uma sensualidade superior. É a verdadeira força da fatalidade nos mecanismos de criação de desejo. Talvez porque perdure, ou porque seja próprio daquilo que nos é mais imediato. A mim é, certamente.
Rir não é exactamente o melhor remédio.
Talvez seja eficácia.
Aquilo que constitui uma parcela de humanidade da qual é mais difícil separar-me.
Talvez por isso raramente aconteça.
Mas também fazer rir os selvagens é fácil... não é?
Esteve um dia soalheiro.
As pessoas brilham.
Acabou a miopia do cinzento feita da tirania dos tecidos grossos e da hesitação genérica em abraçar o ar porque era frio.
Não é novidade para ninguém que não entendo muito do que se passa entre muitas pessoas. Que diabo, se mal entendo o que se passa comigo, quanto mais ter a noção de que posso saber o que vai pela cabeça daqueles que tenho a sorte ou o azar de observar. No entanto, tento sempre. Há algo de fascinante no exercício, por vezes comparativo, de observação da disfuncionalidade. E não o digo com intuito de ofender.
A disfuncionalidade, ou o que passa por ela, é talvez a mais engraçada de todas as formas de exercer autoridade sobre os rumos da própria vida.
E nessa tentativa de entender, antes de a minha pequena cabeça arranjar escaparates para as conclusões a que chego, existem sempre coisas que ficam aquém das respostas que gostaria de ter. Vejo, e não são raras as vezes, que no quotidiano das pessoas com quem me vou cruzando, a disfuncionalidade de que falo acima assenta numa fome de conflito que pouco passa do arrufo infantil no qual acho que toda a gente, ocasionalmente, acaba por cair.
Vejo, ou melhor leio, pessoas que anseiam por conflitos, por trocas zangadas de pontos de vista, como se a dialéctica só vibrasse com a troca de diatribes levada a cabo pelos respectivos envergadores de capas com o dito brazão.
Dou comigo a observar a protecção dos quintais, a defesa acérrima das lógicas de vida dita "arranjada", como se elas em si mesmas não fossem tão disfuncionais como tantos outros formatos.
Como alguém dizia, o sentido de humor e a defesa afectiva de algumas traves mestras são aquelas coisas que permitem a diplomacia do arco-íris. Não tenho qualquer pretensão ou ideia de que estou "livre" de telhados de vidro ou paixões conceptuais que me elevem a mostarda ao nariz na respectiva defesa. Certas manifestações de comportamento, assentes numa diversidade pela dissenção (ser do contra, por outras palavras), surgem-me sem sentido de humor. Sem uma tentativa de assumir o papel do outro, de tentar rir com uma piada que não é contada pelo próprio. E sinceramente, detesto quando sou incapaz de o fazer, e quando o sou, dificilmente o reconheço sem esforço. Em algumas situações, nem o reconheço.
Como disfuncional que sou (muito, diriam alguns), encontro a beleza desarticulada de outras disfunções na forma como os seus proprietários as comunicam. Encontro no disparate mais íntimo a única real pista para chegar até aquilo que julgo importar relativamente a cada pessoa de quem tiro pelo menos um pouco e junto ao espólio de vida que posso ter.
E embora ache que sou mais capaz de me rir de mim mesmo nos dias que correm, lamentando ainda assim o indiscutível facto de que levo outras coisas muito a sério (demasiado, dizem alguns, mas sinceramente é coisa que nem sequer me preocupa), concluo que no meio da confusão que é progredir, está a fundamentação de toda a experiência. Histórias. Do ponto A ao ponto B. Partir e chegar. Entumescimento e orgasmo. Amor e ódio. Adrenalina e "tanatomonotonia".
Seja lá o que for.
Temo que num certo punhadito de coisas a ideia seja clara.
Quanto mais contestadas, mais vividas.
Porque entre os escombros do que não se pode proteger, ao menos que haja algo para contar. Uma história que gere uma conversa, que gere um acontecimento, que é em si uma história.
"And the dance goes on..."

Hank Moody

sábado, fevereiro 07, 2009

Acabei, há cerca de 5 minutos, de ver a 4ª série de House. E confesso que, quando a fui apanhando aos poucos na televisão, ela não me entusiasmou por aí além. Parecia-me desgarrada, em busca de uma continuidade de argumento para a personagem.
Mas vendo-a de rajada, quase numa espécie de sessão contínua, tive a sorte de perceber que, pelo menos no caso de alguns episódios, com destaque para o maravilhoso e ultimo par deles, talvez tenha estado perante o melhor que a série alguma vez tenha dado, e, pelo menos para mim, a mais inteligente e melhor série de televisão que já vi. O par de episódios "Cabeça de House" e "Coração de Wilson" são belíssimos, impiedosos, cortantes e complexos como só as reais manifestações de amor o podem ser. E Zeus me livre de querer reduzir o que acabei de ver a uma metáfora sobre o amor o os efeitos que a sua ausência, em qualquer manifestação, podem causar. É apenas uma incompetente tentativa de manifestar o que os génios que escrevem esta série conseguiram com estes dois momentos. Apenas uma confissão rendida perante aquilo que acho que a arte deve ser. Sinceramente, que se lixe se sou demasiado estúpido para sentir tremores no meu universo estético com os planos de meia hora do Tartosvsky ou do Oliveira. A verdade é que provavelmente sou mesmo. Mas não há como explicar aquilo que por vezes vemos por outros meios ou como as linguagens que, como dizia Poe, conseguem atingir a mais inacessível das cordas no coração e fazê-la reverberar. Se alguma vez agradeço ter gosto por algo, por sentir que artistas fazem alguma coisa que me parece dirigida, então este é um desses momentos. E para mim é isto que é importante. Aquilo que me fez vir aqui, a esta hora, e ter de deixar sair alguma coisa. Celebrar os pequenos e insignificantes instantes em que vivi mais um bocado, nos quais me senti um pouco mais completo, mais perto daquilo que é estar bem e sentir que vale a pena perceber coisas feitas por outros.
Nesta pequena(??) maravilha, soltam-se todos os demónios que julgo que perseguirão todas as pessoas nos caminhos que percorrem todos os dias. Como se rebelam muitas vezes contra a tristeza provocada pela areia vivencial que parece escorregar-lhes das mãos todos os dias. Como tudo parece enorme, e esmagador, e belo e doloroso quando a chuva e o mar se tocam num beijo de linguas que parecem perder-se uma na outra. Como sabemos que teremos muita sorte se a grande parte da merda que nos arranca coisas erráticas e desejos de histórias não passar de amor perdido e mágoa ecoante por toda uma vida expectante e ao mesmo tempo agri-doce pelo simples reflexo da procura.
Como diz House, a vida não deveria ser arbitrária. Nem aleatória.
Mas a verdade é que o é.
E é belíssima, é horrível, e por vezes enche-os até que pensemos que numa madrugada, subimos até ao cimo de nós mesmos, e implodimos para mais um dia, convictos que só qualquer forma de amor ou afecto pode parecer uma forma de salvação, seja lá isso o que for ou quiser dizer.
Há que sair do autocarro.
E sorrir, mesmo com lágrimas na cara.
Há simplesmente que viver.
Sem mais merdas...



quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Muitas coisas, até a criação de uma nova fobia, são muito mais fáceis quando algumas pessoas fazem algumas coisas.
A essas poucas, que sabem perfeitamente quem são, e ao que têm feito, a minha vénia e gratidão sincera.
Muito, muito obrigado.
Nos dias que correm, apesar do que pensava, não é fácil escrever aqui. Tentarei porque isto é o mais próximo de um diário que tenho, e já que não consigo manter um, esta página é, nas palavras do Dr. Lecter, o que tenho em vez de uma vista (para o passar do tempo e eventos, entenda-se. Por isso, até daqui a uns tempos.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

E eis-me a blogar de um local improvável.
A bata não fecha devido aos velcros já demasiadamente lavados, mas o quarto é de génio, e as comodidades são a toda a prova. Estou à janela, embora o céu esteja plúmbeo, como é costume.
E no entanto, a perspectiva num local destes é sempre desconfortável.
É uma experiência, mas há algo nestes locais, talvez devido a demasiadas visitas noutros tempos, que deixa um desconforto, uma espécie de comichão na parte de trás da mente.
As enfermeiras são simpáticas, mas em nada se ajeitam para os apreciadores dos velhos fetiches clichés desde tempos imemoriais. Atenciosas, mas profissionais.
A cama é daquelas articuladas, e, claro está, lá dei comigo a mexer as engrenagens e a encontrar um posicionamento simpático.
Não como desde ontem às dez da noite, e a coisa está para durar. Tirando uma dorzita de cabeça, nada a assinalar, e tendo em conta o que sei de comida destes locais, pois não é coisa que me desagrade por aí além.
Cuecas descartáveis e umas meias anti-embolismo que mais parecem meias de liga para o can-can com a consistência de uma peúga branca, mas são surpreendentemente confortáveis,
Portanto bem deitado, em silêncio, com acesso à net e um bom livro, pois, que mais há-de um tipo querer?
Bem, que a coisa seja rápida.
Se a coisa se proporcionar, vejo-vos mais logo, após o evento.

Até já