ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, março 03, 2009


Há algo em muitas mulheres que tem uma dupla vertente. Não é discutível e é passível de deixar uma pessoa perplexa. Não é discutível porque a realidade dos factos tem-no demonstrado a torto e a direito, e no entanto essa perplexidade existe porquanto é em si mesma paradoxal. A propósito do filme do Woody Allen, ou do conflito Lori-Alan no Boston Legal, e da mística que que ditos "cabrões" ou "maus rapazes" exercem sobre a população feminina, surgem-me perplexidades.
Sendo que cada vez mais me considero um "whatever makes you happy kind of guy", não está em causa que cada uma goste do que goste. Encontre-se uma só pessoa que não tenha um elemento pouco claro ou menos congruente acerca dos seus gostos e atitudes, e as religiões do mundo podem cair por terra. O que está em causa é uma dupla consequência que chega a ser enervante, ou em muitos casos, cómica.
Há uma espécie de ideia muito clara acerca desse tipo de moços. Quem seja suficientemente mentiroso, hábil, e com meio palmo de cara ladeada por uma argúcia observadora, poderá fazer quase tudo o que lhe der na real gana. E nesse aspecto já conheci pessoas que roçavam a sociopatia, tal era a determinação desprendida relativamente ao seu objectivo. O que por mim não me chateia muito, se não fosse a questão da conversa do bandido, da história, do processo oleoso de adulação que a mais das vezes se topa à légua. No fundo não está em causa o que eles são capazes de fazer ou com quem, mas o uso indiscriminado de lérias com ar de verdades que, em alguns casos, chegam mesmo a fazer estragos em pessoas mais incautas.
Mas retomando a ideia original, a verdade é que a apetência pelos ditos "cabronazos" é muito respeitável. É aceitável, é uma expressão de gosto, de preferência, de uma tendência para o drama ao qual muitas mulheres são simplesmente incapazes de deflectir. É o gosto pela chapada na tromba, por mais metafórica e velada que ela possa parecer. E quem sou eu para julgar?
Mas outra coisa completamente diferente surge quando a crítica é vociferada aos sete ventos. Que os homens são todos assim ou assado, e que são todos uns cabrões. Ora esta é uma inverdade tortuosa por dois motivos. Em primeiro lugar porque todas as generalizações estão erradas, incluindo esta, como dizia o Twain, e em segundo lugar porque o ar de queixa, de denúncia, de asco ou mal-querer é, em muitos casos, absolutamente falacioso. O que não se aguenta são as denúncias das madalenas arrependidas ou virgens ofendidas que no seu currículo e preferências favorecem claramente o artista que, pela sua natureza, fará o que o deixarem fazer. E esses moços são assim por natureza. Ponto final.
Chiça, mas porque é que esse grupo de moças simplesmente não assume? Porque carga de água é que há que defender uma espécie de imagem de Ashley quando querem é um Rhett? Será que julgam que a cortina de fumo da queixa tornará o ar mais opaco e convencerá outros onde as as próprias não o fazem?
Os ditos "safardanas" têm certamente outro encanto. Há algo de desarranjado, de indomável, de inteligência prática e pró-activa que instila aquela malfadada ideia do "aqui não deves meter a mão", que como se sabe, tem a eficácia de uma usina de açúcar perto de um formigueiro. Portanto, caraças, porque raio não admitir? Porque raio é que se tem o desplante de pedir por um protótipo que, a existir, seria lançado pela janela ao fim dos dois primeiros meses? (E não estou a falar de choninhas, entendamo-nos...)
Se é uma incongruência, então é assumí-la com tudo. É vê-la como um recorte de personalidade, uma tendência que talvez até se queira quebrar, e quem sabe, permita que a originalidade daqueles que não ostentem a cabronice ao peito acabe por ser determinante numa escolha que não assente no que se julgam ser os reais gostos...
Apenas a título de nota final, não consigo levar a mal nenhum dos dois. Nem o cabronazo, nem as falsas apologistas da decência (seja lá isso o que for). Só levo a mal que não caminhem com a pele que ostentam, e defendam para si aquilo que se calhar até lhes parece bem conceptualmente, mas que simplesmente não faz tocar o sino.
Como diz a minha mãe, cada um come do que gosta, e cada um é como cada qual.
Mas que não se peçam emprestados desejos de coisas que não somos, porque as identidades falsas, cedo ou tarde, descobrem-se. E se é certo que a natureza não muda, também é igualmente provável que enquanto não se saiba bem qual é a nossa, todo o mundo é uma esperança de diversidade, onde talvez tenhamos sorte.
Sei lá...



6 comentários:

Anónimo disse...

Quem me dera, que as mulheres voltassem a ser assim...

Elas deixaram de saber sonhar e nós prendemo-nos na rede física do inamovível...

Vivemos num mundo de ilusão, mas eu gosto das coisas paradas...

Aquele abraço amigo!

Anónimo disse...

"Achamos os homens instáveis excitantes; os homens em que não se pode confiar um desafio;os imaturos encantadores(...). Os homens coléricos precisam da nossa compreensão. Os infelizes precisam do nosso conforto. Os ineptos precisam do nosso encorajamento, e os frios do nosso calor. Mas um homem «bom» não pode ser melhorado, porque já é bom como é, e se é amável e se interessa por nós, então, nem podemos sofrer."

Robin Norwood
(P.S.honestamente roubado no «Não Compreendo As Mulheres»)

:D

SK disse...

Mais palavras para quê?:):)

Anónimo disse...

O tipo de mulher da minha eleição é mesmo aquela que não se importa com as características do homem desde que tenha uma imprescindível: QUEIRA CASAR!!!

Por incrível que possa parecer ainda há mulheres que dão tudo por um casamento. Que começam relações apenas porque "este quer casar" ou que acabam porque o outro "não quer casar"...

No fundo estão no seu direito. Se bem que a definição das mesmas está na cara para quem quiser ver.

Mas, por outro lado, também há homens que gostam deste tipo. Gostam de saber que elas sentem que eles nasceram para elas.
Gostam de acordar a ouvir dizer "Nasci para ti..."

Resumo, há gostos para tudo, não há SK?

L'enfant Terrible disse...

Bem, ia comentar, mas realmente está aqui tudo.

Resta-me dizer que quem nunca fez de cabrão, não sabe o que perde ;I.

Anónimo disse...

Continuas a lutar contra moinhos de vento... Hoje como ontem.
Desde que saibas que não há dragões... Como diz a tua mãe, cada um come o que gosta...