Não há hipótese.
Pipoqueiros e conversadores são pragas, mas daquelas complicadas de matar, para a qual não se consegue imaginar pesticida suficientemente potente.
Ontem no cinema, num filme com uma dose de violência e tensão dramática consideráveis, lá estavam eles. Nos momentos de tensão silenciosa, metem a mão no recipiente das pipocas e revolvem-no, não vá a porra do milho assado estragar-se se ficar quieto. Depois metem uma quantidade alarvar de pipocas na boca, e mastigam com a boca aberta, para que a malta não se esqueça de como são boas e crocantes as pipocas! Educação, respeito pelos outros que tentam interiorizar a cena do filme, silenciosa e em alguns casos emocionalmente difícil, é coisa de ficção. Que se lixe o direito dos outros em desfrutarem da sessão. Ao menos podiam enfardar as pipocas ou sorver os copos de Cola nos momentos em que próprio som do filme abafassem esses movimentos, mas nada disso. É no momento em que se corta uma garganta ou alguém chora a perda de um ente querido que há que enfardar pipocas como os hipopótamos no jardim zoológico fazem aos nabos, cenouras e quejandos: Com a boca aberta e com alarde.
Como se não bastassem estas alimárias, há os relatores do filme. Até aqui nada contra, mas talvez fosse simpático não comentar o filme num tom de voz semelhante ao dos actores, ou fazer comentários idiotas num volume suficientemente alto para o gajo da última fila rir da piadinha.
A certa altura do filme, surge uma música do Paul Simon, e o rapaz que estava duas cadeiras ao meu lado, certamente entusiasta da música do senhor, toca a bater o pé com toda a força no chão, para acompanhar a percussão. E claro que o fez enquanto a música durou, porque certamente tinha faltado à sua lição de bateria, e era preciso praticar...
Mas a saga não termina aqui. Claro que há sempre aquelas pessoas que não sabem ler português ou de alguma forma ignoram o sinal gigantesco projectado no ecrã no qual se pede para desligar o telemóvel. Vá, não é preciso tanto, basta tirar o som. Mas não, claro que não. Volta e meia lá vem a Shakira e suas ancas que não mentem, ou a última do 50 cêntimos em toque polifónico, que depois leva uma eternidade a desligar, quando não há um artista que resolve atender em pleno filme...
Sinceramente, começo a perceber porque razão algumas pessoas preferem ver filmes em casa. As salas de cinema, infelizmente as melhores em termos de condições, estão entregues a uma cáfila de selvagens para quem o respeito pelas outras pessoas e pelo seu direito a ver a obra na tela com o mínimo de condições, como o silêncio , é uma abstracção, porque afinal eles pagaram o bilhete e podem comportar-se como se estivessem na própria sala a ver a bola.
Realmente o respeito pelos outros e a educação básica parecem uma miragem na urbanidade multifacetada de hoje, onde não há consideração por nada e por ninguém.
Se me sair o jackpot de hoje, é certinha a construção de uma sala de cinema na mansão, com direito a amigos convidados, mas, como imaginam, sem pipocas e com inibidores de sinal nos telemóveis...
Haja paciência!!!
5 comentários:
eheheh, brilhante!!!
por essas e por outras, é que me enclausuro e entaipo na minha casa branca lá alta na serra, em que ao acender incenso a queimar, chamo todos os fantasmas, monstros e monstras, para a celebração que a minha vida é!!!
numa fracção de segundo, perco-me e vôo para lugares diferentes, abandonando o corpo para os corvos esfomeados; é que eu nem sempre estou cá!!!
fui(larga o farol)
eheheh
Repito-me:
...adoro P I P O C A S, durante
T O D O o santo filme...
mas de boca F E C H A D A
...o que já não me torna essa
S E L V Á T I C A
D E S P R E Z Í V E L
C A T Á S T R O F E
da natureza ...pois não?!
P.S
transigente
do Lat. transigente
;)
clap clap clap...
:)
Nada mais irritante, sem dúvida.
Beijo, meu querido*
Pipocas de boca fechada... bem, ainda assim :):) como é que se resolve o barulho das mãos no recipiente? :)
Obrigado pelas ideias :)
Publicar um comentário