ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, março 17, 2009

Recuperar velhos textos é uma aldrabice, mas perante aquilo que parece acertado, para quê inventar?
"A dor não é mitigável. Quando é real é bruta, incontida. É um dente farpado da realidade, cravado numa infecção envelhecida. A dor aparece sempre injusta. Aparece como o reflexo de uma desordenação do estado natural de tudo. Escapa ao entendimento por ser uma imaterialidade constituída por um mau estar. Uma sensação.A dor é sempre uma via dual. Alguém é sempre responsável e alguém responsabilizado. A dor real é o conjunto de todos os segundos de solidão concentrada num esgar de mal-estar produzido por um qualquer deus interno e obscuro.A dor é subestimada. Encarada como um luxo. É uma espécie de muleta aos discursos socialmente correctos e interpretativos da necessária alternância de sorte. Pior ainda, em muitos casos é ignorada como um recorte de personalidade.A dor não pede licença. E não se combate. A dor é o abraço de um porco-espinho ferrugento, o perpassar de todas as mágoas de todos os conceitos num filamento afiadíssimo cujo corte, inclemente, teima em permanecer.A dor não é relativizável. A dor é sempre relativa ao observador, e é talvez a maior injustiça quando o seu surgir está sempre precedido da total incapacidade de a afastar. Não salvamos, e mesmo não culpados, aparecemos sempre como responsáveis.A dor é a reprodução do inferno em que se tornam os outros. É um instante. Terrível e inexplicável. Sem pretensões a razoável, mascara-se de eterna, como qualquer outra emoção real.A dor colhe todas as estrelas num céu nocturno e deixa apenas a escuridão. No seu esplendor, é uma massa intransponível e incompreensível, como a ordem ilegítima de um tirano sem rosto sequer.
A dor é em si mesma um mundo, que ao sentir alheio parece até bela, cheia de significado. Mas a certo ponto é uma inutilidade destrutiva. O veículo para os recortes derrotados e horríveis de todos os conceitos-chave.
A dor é parcialmente necessária, porque a alternância é o estado de sobrevivência obrigatória da alma. Mas à semelhança do Diabo, o seu maior truque é convencer toda a gente da sua mitigada existência.
A dor está lá, e em momento algum, quando é real e carnívora, se desejaria que assim fosse."
2005/Hoje/(Sempre?)


1 comentário:

Nuno Amado disse...

Grande actuação de Bono Vox, muito bem escolhido esse video.