ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quinta-feira, abril 09, 2009


Desatino solenemente com pessoas que sabem tudo. Aquelas pessoas que se erguem do alto da sua experiência ou suposta sapiência, e toca a moldar a realidade de acordo com as suas vivências, como se tivessem o formato de um livro de instruções para a vida. Disfarçam a sobranceira com uma espécie de sentido de humor histriónico, com o qual adquirem aquela velha frase entre pares "deixa lá, ela é assim".
São pessoas que raramente ouvem, muitas vezes cortam as frases dos outros a meio, sobrepõem o que lá acham que é opinião válida, e ouvem as invectivas ou opiniões alheias com o ar desdenhoso de quem escuta os balbuciares inseguros de uma criança ou coisa que o valha.
Essas pessoas, que em alguns casos até têm uma bagagem cultural ou experiencial digna de nota, borram a pintura toda porque o que poderia ser opinião informada parece quase discurso panfletário, próprio do snobismo assente num subentendido que eles tomam por história própria e que, assim bem espremidinho, nem meia laranjada dá... Mas passeiam com a leveza de quem não toca no mesmo chão que os outros, ou trauteiam um qualquer hino de segurança superlativa, onde até a filhaputice parece transformada numa perfeita e lógica justificação de "feitio", porque, sabem lá eles o que é...
Não há nada que mais aprecie do que aprender com as pessoas. Algumas conseguem ter sempre algo a dizer, algo a emergir do intelecto que acrescenta algo ao dia, sejam motores a dois tempos, Santiago Calatrava, ou colorações de cabelos, whatever. Outras exibem a caganeirice, envolta na velha máxima segundo a qual quem fala mais alto é que tem razão, e aquilo com que contribuem, que até poderia ser válido em conceito, não passa muitas vezes de ruído.
Bem sei que algumas pessoas têm problemas com défice de atenção, mas não há pachorra para os holofotes "wannabe" em salas plenas de lâmpadas idiossincráticas, e por isso, interessantes...


1 comentário:

Anónimo disse...

:)


«Calar-me, porém, como? Se a razão é a
sem-razão com que me calo ou grito?»
Jorge de Sena

...aos gritos, responde a voz baixa, sussurante.
Branco.
Ou mesmo transparente.