Embora possa ser entendido como um raciocínio lógico, atacar especialmente onde se situam as fraquezas surge sempre como um último recurso quando nada mais funciona. Porque atacar onde se sabe que os danos são certos e de debelação lenta, pressupõe conhecimento. Pressupõe uma confidencialidade, aceite pela natureza daquilo que se partilhou, e cujo acesso não previa qualquer espécie de publicitação. É em si um arma, mas daquelas que deveria estar apenas em exposição, como um subentendido semelhante às determinações da Convenção de Genebra.
E no entanto, como resíduo de uma eficácia certa para infligir violência, é uma regra violada uma e outra vez, porque nos estados emocionais subjacentes a confrontos dessa natureza não basta a igualdade. É necessário provocar baixas, e depressa, e diz, para mim, a idiotice própria de quem acha que a emoção justifica (quase) tudo, que em certos contextos valerá tudo.
Mas não é verdade. Não vale tudo. Como os delatores, os ataques pelas costas, ou o uso de armas ilegítimas pela previsão de dano máximo é um exercício de maldade mesquinha. É simplesmente prever, friamente, que certa acção acabará por causar danos que muitas vezes ultrapassam em muito ao origens e fundamentos da contenda entre as pessoas. A desproporcionalidade, muitas vezes, cria cicatrizes perenes.
Em meu ver não há qualquer justificação para tal coisa. É como atacar a perna de um manco numa luta, ou atingir abaixo da linha da cintura no boxe, ou simplesmente achar que os fins justificam todos os meios. E em situação nenhuma, e muito menos no amor e na guerra, como diz o brocardo, tal raciocínio tem legitimidade para passar da eficácia conceptual para o dano pessoal.
É triste, desleal, indecente, e não produz nada mais que terra queimada num contexto onde a urbanidade já destruiu muito do capital confiança entre pessoas, que é coisa débil e triste nos dias que correm.
O ataque baixo é próprio de pessoas rasteiras.
Tão simples como isso.
4 comentários:
Olhar em volta? Ou auto-descrição?
:)
Concordo plenamente, em abstracto e no particular.
Cumps.
Está a tornar-se um vício ler o que escreve.
Obrigada pelo bom vício.
Não, não é auto-descrição. Não é carapuça que me sirva.
Muito obrigado. Não há nada melhor para quem escreve que ser lido e ter a ideia de que pelo menos nãao diz (demasiados) disparates. :)
Dizia "auto-descrição" no sentido de "ser alvo de", não de "fazer a"...
:)
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