Acho que era a Mary Schmich que dizia:
"Accept certain inalienable truths:
Prices will rise.
Politicians will philander.
You, too, will get old.
And when you do, you'll fantasize that when you were young,
prices were reasonable,
politicians were noble,
and children respected their elders."
Esta verdade é um ponto de partida para um par de ideias muito claras acerca do status quo daquilo que eu julgava ser um mundo tendente à inclusão, ao respeito pela diferença e à clareza de ideias quanto o que é a vida em sociedade, ou em meu modesto ver, o que deveria ser na óptica dessas mesmas lógicas.
"Accept certain inalienable truths:
Prices will rise.
Politicians will philander.
You, too, will get old.
And when you do, you'll fantasize that when you were young,
prices were reasonable,
politicians were noble,
and children respected their elders."
Esta verdade é um ponto de partida para um par de ideias muito claras acerca do status quo daquilo que eu julgava ser um mundo tendente à inclusão, ao respeito pela diferença e à clareza de ideias quanto o que é a vida em sociedade, ou em meu modesto ver, o que deveria ser na óptica dessas mesmas lógicas.
E tendo em conta que a política tem uma carraça agarrada que é a corrupção, os jeitos e arranjos, a falta de sentido de estado e honestidade em todas as facções ideológicas, a verdade é que prefiro, e fico contente, que a franja (ainda) vencedora seja uma que tenha em conta o respeito pelos direitos civis, pela diferença, por aquilo que diverge da chamada "maioria".
Prefiro um Estado de Direito onde a descriminação seja abolida do enquadramento legal, onde a argumentação para sectarizar minorias sejam argumentos boçais e primários como as qualificações de "anormalidade". Prefiro um Estado que tem tem mais consciência do que é estar calçado com outros sapatos, que respeita o que surge normal para uma pessoa numa coisa tão intocável como é aquilo de que e de quem se gosta. Prefiro um Estado que procura incluir e proteger aquilo que é uma realidade tão digna como outra, que dignifica aquilo que faz parte de algo tão estruturante como a organização familiar por laços de afecto e não desconchavadas lógicas nostálgicas agarradas a letras da lei que nada mais fazem que estabelecer uma "tendência" que o mundo provou desajustada. Prefiro um Estado que permita que alguém que sofre de "locked-in Sydrom" possa morrer condignamente.Prefiro um Estado no qual pessoas do mesmo sexo que se amam e como tal (e sou insuspeito para falar porque não acredito minimamente no casamento e sou profundamente heterossexual) desejam solenizar e proteger patrimonialmente os seus escolhidos, o possam fazer, não aceitando esse Estado, e bem, que essas pessoas possam ser descriminadas em razão da sua orientação sexual, que é algo que lhes pertence, lhes é natural e próprio de uma liberdade que deve ser respeitada a todo o custo. Prefiro um Estado que realmente não dá ouvidos a argumentos como "não são normais", ou "põe em risco a família" ou "a continuidade da espécie", que são claramente argumentos vazios, sem sustentação real. Gostava que me explicassem porque raio é que se uma pessoa resolver casar com outra do mesmo sexo, a espécie vai estar em risco? Será que, por força desse casamento, os heterossexuais deixarão de o ser? Ou será que esses mesmos, por um truque mágico estranho, deixam de ter vontade de ter filhos, mesmos que não se casem? Hummm esperem, se calhar acham que o casamento gay vai criar uma espécie de vontade irreprimível que toda a gente mude de orientação sexual, ou que deixe de querer ter filhos, ou pior ainda, um crime de lesa-majestade certamente, que o casamento seja o único método para perpetuar a espécie... (pois, a Manelinha tinha dito um disparate desses, claro...)
A verdade é que prefiro um Estado que respeite, tente incluir e consagrar direitos iguais a quem apenas tem uma diferença de gostos, de opções, na naturalidade de afectos que lhes surge e que é tão digna de respeito como a "normal". Portanto partindo do princípo que (some) politicians will (always) philander, gosto de pensar que se caminha cada vez mais para uma lógica de inclusão, de entendimento, de respeito pela diferença e encontro de pontos de contacto.
Fico feliz por um lado que os conservadores estejam mais uma vez afastados e as suas ideias segregacionistas, e tenho muito medo que cheguemos novamente a um estado de coisas nas quais estas liberdades e garantias sejam vistas como sonegáveis porque alguém acha que o casamento gay vai inexplicavelmente por em causa os outros casamentos, como que por osmose. Tenho muito medo que argumentos como a "anormalidade" ( e nem entremos na religião) sirvam para privar as pessoas de direitos que lhes são devidos e para cuja sonegação não há qualquer justificação possível senão um preconceito já vetusto.
E envergonha-me, sinceramente, pensar que partilho o mundo com pessoas para quem a "ghetização" de situações diferentes da sua, que para o seu modo de vida directamente, e para qualquer outro, não representam qualquer ameaça que seja, seja perfeitamente defensável pela simples incapacidade de pensarem como seria se fossem eles os alvos deste tipo de segregação e desrespeito só porque gostavam de poder casar com uma pessoa do mesmo sexo porque era com ela que queriam dar esse passo de vida, ou porque estavam fartos de ser vegetais deitados a morrer lentamento numa cama.
Para mim a inclusão e o respeito não são nem negociáveis, nem debatíveis, especialmente quando esse debate, para uns, se centra apenas num incómodo e nunca numa justificação factual apenas fantasiada por preconceitos e medos que em nada diferem de descriminações raciais que foram e ainda são uma vergonha no século passado e neste em que vivemos.
Prefiro pensar que se alargam direitos, que incluem pessoas e realidades dignas do chapéu do Estado de Direito.
Mas isso sou eu, e felizmente, uma grande fatia de pessoas.
Bem hajam.
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