ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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domingo, janeiro 03, 2010

Wilson: "I guess nobody get to choose who their parents are... I' not even sure anymore we get to choose who our friends are..."

Em certa medida, e claro que ajudará todo o contexto do episódio em causa, a amizade improvável destas duas personagens não é, mesmo em toda a aparente aleatoriedade, despida de razão.
A expli...cação, é certo, pode ser estranha, mirabolante mesmo. Pode assentar em argumentos que nem sequer se parecem com tal coisa. Pode parecer, e se pensarmos a frio será, um feixe de disparates. Mas em certa medida, para mim pelo menos apenas parcialmente, nem sempre sabemos exactamente a medida daquilo que nos atrai ou aproxima de alguém. Ou a persistência de tais afectos perante determinadas circunstâncias, ou a hipótese de que elas se concretizem.
Como qualquer coisa viva, esses afectos podem morrer, se a negligência for longa e prolongada, ou as agressões demasiado intensas e certeiras. Mas a génese de alguns laços pode comparar-se a um cacto, que quase tudo suporta, sem termos bem a noção do desígnio da natureza ao criá-lo assim. E como os cactos, têm espinhos, e o potencial para a dor é imenso. É, digamos assim, uma expectativa necessária perante a paradoxal beleza que o faz sobreviver aos momentos de sol ardente, à privação própria de qualquer deserto inóspito.
Outros serão como outras coisas mais frágeis, bonsais mariconços que mal aguentam uma brisa.
Seja como for, não é que a escolha esteja posta de parte. É a parcela desta que funciona involuntariamente que, em directa proporção à sua raridade e resistência, coloca questões interessantes, e mantém cactos vivos mesmo nos locais onde somos mais inóspitos e, consequentemente, também assim humanos.