ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, março 24, 2010

O problema das memórias é também a sua virtude.
Mas é verdade que tem problemas. Questões subjacentes à forma como lidamos com a nossa forma de vier, com as aprendizagens que como qualquer dinâmica, têm altos e baixos. E é engraçado verificar como se posiciona a nossa mente, e como ela escolhe qual o registo a manter. A memória é uma perpetuação da última forma de escolha que fazemos perante um conceito. E é, em parte, involuntária, porque quando fechamos os olhos, é sempre esse reflexo que retorna, ainda que a racionalidade nos obrigue, a espaços, a olhar para todo o panorama e a fazer equilíbrios.
Acho que é uma coisa boa sermos capazes de os fazer. É bom sentir que a pressão instintiva da memória não nos força a negatividades quase automatizadas. Que há uma espécie de deferência analítica, a qual permite ver todos os lados de algo ou alguém que, por ser complexo, nunca é em si só uma história ou tendência. Mas reconheço que nem sempre é possível, porque nem todos são capazes, (e ninguém diz que o tenham de ser), de perspectivar.
Há, no entanto, uma escolha relativamente às impressões de memórias análogas nos seus estragos, mas muito diferentes nas suas interpretações. Em alguns casos, a terraplanagem contém ou segura uma dignidade de "feitio" ou "característica". Noutros casos, no such luck. E no fundo, como em tudo, é um juízo afectivo, e em nome do mesmo, surgem as escolhas, mais volitivas ou de reflexo incondicionado, mas sempre numa opção.
E é por isso que a memória tem problemas nas suas virtudes. Porque no reflexo, no imediatismo das imagens e sensações que traz, mantém-se toda uma caracterização de um juízo afectivo, que como se sabe, em alguns casos, tem dificuldades em desenhar todas as voltas de cada contorno.
É a forma mais eficaz de mágoa que se guarda, e muitas vezes, traduz-se apenas num calmo e prolongado juízo de tristeza. Abana-se a cabeça em gesto de consternação, não pelo efeito, mas pelo contraste entre a aceitação contemporânea em comparação com as imaginações de outrora.
Mais do que um direito, é uma inevitabilidade.
Mas ainda assim, é apenas uma perspectiva.



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