ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, março 30, 2010

Olhar para as coisas com olhos de ver não é fácil. Para ninguém. Nunca.
Ver os exactos contornos com tantas coisas a passar à frente, ao bom estilo do trânsito na India ou Vietname, é uma tarefa complicada. Há sempre tendências, condicionantes, é tudo complicado pá, sabes, isto não é exactamente fácil e tal. Repito, acontece a todos.

Mas há igualmente uma lógica que assiste a este tipo de situações. E essa lógica assenta numa coisa muitíssimo simples. Repetição. Empirismo. Simples constatação de facto. Olhar e ver a coisa bem delineada. Se há coisa que não dá para escamotear é a percepção. Aquele instante em que vemos. Não queríamos ver, maldita a hora em que olhámos, em que a ignorância vou parar ao espaço, mas merda, já vimos, e a percepção não se evita. O esquecimento leva tempo, e é durante esse tempo que as conclusões se avolumam e tudo parece feito de um peso terrível. Porque não era como queríamos, porque nao resultou na medida dos nossos esforços, porque é injusto, e por aí fora. E o mais complicado é aceitar aquilo que efectivamente somos capazes de fazer uns aos outros com a mais arrepiante das calmas.
Quem nunca foi cruel ou egoísta que atire a primeira pedra. Quem não puxou a brasa à sua sardinha quando definitivamente não era a sua vez de o fazer, que atire a segunda. Mas esses são momentos. Dificilmente se qualifica no terreno do calculismo, daquilo que é auto-complacente. Dificilmente se pode entender quando a percepção forma um conceito, por mais doloroso que ele seja. E o problema não é fazer "a" ou "b". Que diabo, que as pessoas façam o que lhes apetece, pelas motivações que lhes assistam. Mas como em qualquer jogo, há que ter as regras bem presentes, e isso deriva da percepção. Deriva da interpretação pelo menos algo objectiva, da correlação conceptual necessária, porque um dado não é um obelisco, e como tal, não o podemos rolar para fazer andar as peças do Monopólio.

Recordando alguns conceitos filosóficos básicos da minha formação enquanto pessoa, surge-me sempre a figura da intuição intelectual, que a minha professora de liceu tão bem definia como ligar uma lanterna num quarto absolutamente escuro durante dois segundos. E que fica na memória não é o detalhe, a minúcia, mas aquilo que, de tão evidente que é, nem sequer é passível de expulsão pela memória, a não ser quando o tempo o tornar insignificante. E interpretar o evidente como a aparência de algo fugidio e ilusoriamente complexo é uma semente de dor, de inadequação previsível, de salvação pessoal a prazo.
Acho que não vale a pena. A queda posterior é muito mais danosa.
I shit you not...


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