Olhar para as coisas com olhos de ver não é fácil. Para ninguém. Nunca.
Ver os exactos contornos com tantas coisas a passar à frente, ao bom estilo do trânsito na India ou Vietname, é uma tarefa complicada. Há sempre tendências, condicionantes, é tudo complicado pá, sabes, isto não é exactamente fácil e tal. Repito, acontece a todos.
Ver os exactos contornos com tantas coisas a passar à frente, ao bom estilo do trânsito na India ou Vietname, é uma tarefa complicada. Há sempre tendências, condicionantes, é tudo complicado pá, sabes, isto não é exactamente fácil e tal. Repito, acontece a todos.
Mas há igualmente uma lógica que assiste a este tipo de situações. E essa lógica assenta numa coisa muitíssimo simples. Repetição. Empirismo. Simples constatação de facto. Olhar e ver a coisa bem delineada. Se há coisa que não dá para escamotear é a percepção. Aquele instante em que vemos. Não queríamos ver, maldita a hora em que olhámos, em que a ignorância vou parar ao espaço, mas merda, já vimos, e a percepção não se evita. O esquecimento leva tempo, e é durante esse tempo que as conclusões se avolumam e tudo parece feito de um peso terrível. Porque não era como queríamos, porque nao resultou na medida dos nossos esforços, porque é injusto, e por aí fora. E o mais complicado é aceitar aquilo que efectivamente somos capazes de fazer uns aos outros com a mais arrepiante das calmas.
Quem nunca foi cruel ou egoísta que atire a primeira pedra. Quem não puxou a brasa à sua sardinha quando definitivamente não era a sua vez de o fazer, que atire a segunda. Mas esses são momentos. Dificilmente se qualifica no terreno do calculismo, daquilo que é auto-complacente. Dificilmente se pode entender quando a percepção forma um conceito, por mais doloroso que ele seja. E o problema não é fazer "a" ou "b". Que diabo, que as pessoas façam o que lhes apetece, pelas motivações que lhes assistam. Mas como em qualquer jogo, há que ter as regras bem presentes, e isso deriva da percepção. Deriva da interpretação pelo menos algo objectiva, da correlação conceptual necessária, porque um dado não é um obelisco, e como tal, não o podemos rolar para fazer andar as peças do Monopólio.
Recordando alguns conceitos filosóficos básicos da minha formação enquanto pessoa, surge-me sempre a figura da intuição intelectual, que a minha professora de liceu tão bem definia como ligar uma lanterna num quarto absolutamente escuro durante dois segundos. E que fica na memória não é o detalhe, a minúcia, mas aquilo que, de tão evidente que é, nem sequer é passível de expulsão pela memória, a não ser quando o tempo o tornar insignificante. E interpretar o evidente como a aparência de algo fugidio e ilusoriamente complexo é uma semente de dor, de inadequação previsível, de salvação pessoal a prazo.
Acho que não vale a pena. A queda posterior é muito mais danosa.
I shit you not...
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