"Pensou, enquanto embrulhava num pano suave os dois objectos que ela lhe dera, que a própria natureza não celebrava ou condenava o facto. O dia da sua morte amanhecera sem extremos, caracterizado por um ar tépido e uma luz branda, o que lhe pareceu um conceito abastardado entre paz e injustiça face à natureza aparentemente transitória das coisas. Gabriel sabia que condená-lo era inútil. O protesto que quase lhe assomava aos lábios era justo, mas pueril, como seria reclamar do vento ou do tamanho das montanhas quando o sol já vai baixo. A Primavera amena trazia a homenagem da normalidade, a necessidade de negação do desespero do fim, a terrível e ineficaz lógica da renovação face à tristeza real. E ainda havia algo mais a fazer, para que algo se aproximasse do que ele reconhecia como sentido. Não porque efectivamente o fosse, mas porque precisava dele. E na sua necessidade estava encontrada a própria justificação, embora essa aceitação só viesse a surgir muito mais tarde."
Últimos parágrafos...
At last...
(*)
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