Acho que almoçava no outro dia com os meus pais, quando a TVI passou, na sua habitual qualidade, uma reportagem sobre os efeitos do "pensamento positivo" nas curas, especificamente de doenças mortais e debilitantes. Depois falou uma senhora com ar de hippie anacrónica, a exultar os benefícios do pensar positivo sobre o... debelar de doenças e na "capacidade de curar " que pensar positivo pode ter.
Bem... enfim, sem discorrer sobre o logro que é o manancial profuso de charlatanice roiundo da auto-ajuda, do qual os segredos da menina Byrne é o expoente máximo, a reportagem chocou-me. E chocou-me não pela feliz recuperação ou resiliência das pessoas que escaparam à morte ou a uma vida de incapacidade, mas ao ar de bruxaria de trazer por casa ou filosofia da pacotilha que envolvia tudo o que ali era dito ou referido. Não se referia ali a um conceito mas a uma espécie de metodologia disponível num livro ou numas sessões de conversa new-age a 19,99€...
É um facto que a atitude positiva e combativa da pessoa impedirá a derrocada física precoce perante maleitas, ou poderá ajudar o corpo a encontrar forças para de alguma forma os mecanismos naturais inverterem uma tendência. A tristeza mata, é um facto. Relembremos sempre Vergílio Ferreira, ou o caso de casais de velhotes que morrem com pouquíssimo tempo de intervalo entre si, como se o corpo desligasse ou simplesmente deixasse de pensar em manter-se vivo, por desistência ou cansaço.
Mas uma coisa completamente diferente, e até me parece algo irresponsável, é passar uma espécie de metodologia, de processo, de mézinha que certamente terá resultados em maleitas para as quais a ciência, infelizmente, não arranjou ainda resposta. Parece-me irresponsável perante aqueles que terão medo, por si ou por pessoas queridas, do toque da morte celular, e que no desespero tentarão tudo. Parece-me até algo cruel vender uma espécie de possibilidade, muito parecida com os pensamentos felizes do Peter Pan que faziam voar.
A auto-ajuda é, em muitas medidas, um logro de conveniências e mental coaching, onde as pessoas ouvem uma espécie de doutrina de doze passos, que suposta e milagrosamente lhes trará tudo... ora entre isto e o Prof. Bambo, só me parece diferir o pagamento a prestações que o último permite. E há teorias para tudo. Poder da mente, poder do pensamento positivo, poder do desejo, etc, etc etc... É querer e já está... ( será que no Rwanda, Iraque, Coreia do Norte, IPO de Lisboa não se vende a cartilha de Rondha Byrne e quejandos... que pouca sorte...)
Olhando para aquelas pessoas que, por desígnios da natureza e sim, talvez algo de força de vontade, conseguiram escapar à cegadeira e pensando nas muitas outras que certamente não terão desejado menos que estas mas foram vencidas pelo inexorável poder da natureza, concluo que nada tenho contra o optimismo, o pensamento positivo, a vontade de viver, a "espevitadice". Mas tenho todas as reservas contra a venda de tais "métodos" ou "filosofias" em enlatados, a qualquer coisa e 99 cts, contra a afirmação de eficácia de algo que perante o desespero e o medo dos muitos que infelizmente não escaparão, surgirá como uma possibilidade que na sua esmagadora maioria não passará de uma esperança vã assente em premissas falsas.
Por tudo isto considerei a reportagem da TVI uma irresponsabilidade, e em certa medida, uma crueldade para aqueles que compreensivelmente lançarão meio de tudo para salvar a sua vida, e que ali provavelmente encontrarão meia dúzia de lugares comuns sobre bom humor diário, mascarados de filosofia, ou método, ou pior, ciência. Essas pessoas mereciam e merecem mais respeito, acho eu...
Bem... enfim, sem discorrer sobre o logro que é o manancial profuso de charlatanice roiundo da auto-ajuda, do qual os segredos da menina Byrne é o expoente máximo, a reportagem chocou-me. E chocou-me não pela feliz recuperação ou resiliência das pessoas que escaparam à morte ou a uma vida de incapacidade, mas ao ar de bruxaria de trazer por casa ou filosofia da pacotilha que envolvia tudo o que ali era dito ou referido. Não se referia ali a um conceito mas a uma espécie de metodologia disponível num livro ou numas sessões de conversa new-age a 19,99€...
É um facto que a atitude positiva e combativa da pessoa impedirá a derrocada física precoce perante maleitas, ou poderá ajudar o corpo a encontrar forças para de alguma forma os mecanismos naturais inverterem uma tendência. A tristeza mata, é um facto. Relembremos sempre Vergílio Ferreira, ou o caso de casais de velhotes que morrem com pouquíssimo tempo de intervalo entre si, como se o corpo desligasse ou simplesmente deixasse de pensar em manter-se vivo, por desistência ou cansaço.
Mas uma coisa completamente diferente, e até me parece algo irresponsável, é passar uma espécie de metodologia, de processo, de mézinha que certamente terá resultados em maleitas para as quais a ciência, infelizmente, não arranjou ainda resposta. Parece-me irresponsável perante aqueles que terão medo, por si ou por pessoas queridas, do toque da morte celular, e que no desespero tentarão tudo. Parece-me até algo cruel vender uma espécie de possibilidade, muito parecida com os pensamentos felizes do Peter Pan que faziam voar.
A auto-ajuda é, em muitas medidas, um logro de conveniências e mental coaching, onde as pessoas ouvem uma espécie de doutrina de doze passos, que suposta e milagrosamente lhes trará tudo... ora entre isto e o Prof. Bambo, só me parece diferir o pagamento a prestações que o último permite. E há teorias para tudo. Poder da mente, poder do pensamento positivo, poder do desejo, etc, etc etc... É querer e já está... ( será que no Rwanda, Iraque, Coreia do Norte, IPO de Lisboa não se vende a cartilha de Rondha Byrne e quejandos... que pouca sorte...)
Olhando para aquelas pessoas que, por desígnios da natureza e sim, talvez algo de força de vontade, conseguiram escapar à cegadeira e pensando nas muitas outras que certamente não terão desejado menos que estas mas foram vencidas pelo inexorável poder da natureza, concluo que nada tenho contra o optimismo, o pensamento positivo, a vontade de viver, a "espevitadice". Mas tenho todas as reservas contra a venda de tais "métodos" ou "filosofias" em enlatados, a qualquer coisa e 99 cts, contra a afirmação de eficácia de algo que perante o desespero e o medo dos muitos que infelizmente não escaparão, surgirá como uma possibilidade que na sua esmagadora maioria não passará de uma esperança vã assente em premissas falsas.
Por tudo isto considerei a reportagem da TVI uma irresponsabilidade, e em certa medida, uma crueldade para aqueles que compreensivelmente lançarão meio de tudo para salvar a sua vida, e que ali provavelmente encontrarão meia dúzia de lugares comuns sobre bom humor diário, mascarados de filosofia, ou método, ou pior, ciência. Essas pessoas mereciam e merecem mais respeito, acho eu...
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