Aproveito uma das faixas que ouvi ultimamente e das que mais gostei para adereçar uma questão acerca da qual ainda no outro dia se dissertava em conversa engraçada. O mote, no entanto, não é assim tão "giro", à falta de melhor termo.
Olhando para as pessoas em grupo, ou mesmo individualmente, na sua esmagadora maioria, há um défice mais preocupante de capacidade de ouvir do que o verificado no espaço Europeu. As pessoas que me rodeiam, e em especial nas mulheres em grupo, têm uma capacidade mínima para ouvir. O intercalar do discurso parece quase um talento para além da capacidade subjacente à simples convivência.
Quando em conversa, é quase um concurso para ver quem fala mais alto, quem se sobrepõe aos outros. Numa conversa deve haver a vez a todos, aliás, parece-me um bocado monocórdico quando a coisa é unilateral, mas a verdade é que se pararem para pensar um bocadito e olharem para a maioria das pessoas que falem connosco, a incapacidade para ouvir, na justa medida do interesse bilateral que deve pautar uma conversa, é, a espaços, confragedora.
Conheço pessoas que, numa mesa, simplesmente não dão a palavra a ninguém, e o mais curioso, é que nem se apercebem que o silêncio dos outros é, em muitos casos, em directa proporção ao alarde que o seu discurso ininterrupto provoca. São pessoas que, calculo devido às mais variadas razões, parecem crer no observador em silêncio, na ausência de resposta ou dialéctica.
Em muitos, casos, não sei exactamente o que pensar sobre o assunto. Nem sequer sei bem enquadrar as motivações. Para mim sempre me pareceu natural que se converso com alguém, estou interessado em ouvir o que esse alguém tem para dizer, na mesma medida da minha vontade em transmitir seja o que for. Monólogos são para o teatro, e julgo que histórias e opiniões vivem da troca com outras histórias e opiniões. Parece-me sempre estranho que alguém fale e fale e fale, e simplesmente não se incomode com o silêncio que ali está, com a ideia ou frase que não surge, com a ausência da troca. Será uma questão de holofote? Para alguns, creio que sim, mas o que mais me preocupa não são as motivações para quem o faz, mas o que poderá estar (ausente) na cabeça de alguém que acha normal simplesmente dominar uma conversa e nem sequer reparar na ausência da intervenção daquele que deveria ser o seu interlocutor. É, julgo eu, uma falta de atenção relativamente ao outro, e em alguns casos, roça a falta de educação básica. É simplesmente não reparar, o que é uma coisa estranha e que calculo que acabe por magoar ou tornar as conversas com essas pessoas uma coisa frustrante. Talvez por ser algo incompreensível, e porque muitas vezes algumas pessoas talvez até não façam por mal.
Mas não tenho a mínima dúvida que há uma escassez gritante de capacidade para ouvir. Então para a chamada escuta activa, é melhor nem falar. Um bom ouvinte não é uma face impávida e silenciosa, que simplesmnte aguarda que o outro despeje. Parece-me que está tudo na alternância, e no interesse subjacente a essa alternância, que explica a diferença entre um conferencista e alguém que troca ideias, sentimentos, partes de si através desse grande veículo que é a conversa por palavras ditas.
Uma conversa é tudo mesmo um conceito unívoco, unilateral ou em relação de domínio. É chegar até alguém, trocar histórias, e aprender e viver mais um pouco. E isso raramente se faz sozinho. Acho eu...
Olhando para as pessoas em grupo, ou mesmo individualmente, na sua esmagadora maioria, há um défice mais preocupante de capacidade de ouvir do que o verificado no espaço Europeu. As pessoas que me rodeiam, e em especial nas mulheres em grupo, têm uma capacidade mínima para ouvir. O intercalar do discurso parece quase um talento para além da capacidade subjacente à simples convivência.
Quando em conversa, é quase um concurso para ver quem fala mais alto, quem se sobrepõe aos outros. Numa conversa deve haver a vez a todos, aliás, parece-me um bocado monocórdico quando a coisa é unilateral, mas a verdade é que se pararem para pensar um bocadito e olharem para a maioria das pessoas que falem connosco, a incapacidade para ouvir, na justa medida do interesse bilateral que deve pautar uma conversa, é, a espaços, confragedora.
Conheço pessoas que, numa mesa, simplesmente não dão a palavra a ninguém, e o mais curioso, é que nem se apercebem que o silêncio dos outros é, em muitos casos, em directa proporção ao alarde que o seu discurso ininterrupto provoca. São pessoas que, calculo devido às mais variadas razões, parecem crer no observador em silêncio, na ausência de resposta ou dialéctica.
Em muitos, casos, não sei exactamente o que pensar sobre o assunto. Nem sequer sei bem enquadrar as motivações. Para mim sempre me pareceu natural que se converso com alguém, estou interessado em ouvir o que esse alguém tem para dizer, na mesma medida da minha vontade em transmitir seja o que for. Monólogos são para o teatro, e julgo que histórias e opiniões vivem da troca com outras histórias e opiniões. Parece-me sempre estranho que alguém fale e fale e fale, e simplesmente não se incomode com o silêncio que ali está, com a ideia ou frase que não surge, com a ausência da troca. Será uma questão de holofote? Para alguns, creio que sim, mas o que mais me preocupa não são as motivações para quem o faz, mas o que poderá estar (ausente) na cabeça de alguém que acha normal simplesmente dominar uma conversa e nem sequer reparar na ausência da intervenção daquele que deveria ser o seu interlocutor. É, julgo eu, uma falta de atenção relativamente ao outro, e em alguns casos, roça a falta de educação básica. É simplesmente não reparar, o que é uma coisa estranha e que calculo que acabe por magoar ou tornar as conversas com essas pessoas uma coisa frustrante. Talvez por ser algo incompreensível, e porque muitas vezes algumas pessoas talvez até não façam por mal.
Mas não tenho a mínima dúvida que há uma escassez gritante de capacidade para ouvir. Então para a chamada escuta activa, é melhor nem falar. Um bom ouvinte não é uma face impávida e silenciosa, que simplesmnte aguarda que o outro despeje. Parece-me que está tudo na alternância, e no interesse subjacente a essa alternância, que explica a diferença entre um conferencista e alguém que troca ideias, sentimentos, partes de si através desse grande veículo que é a conversa por palavras ditas.
Uma conversa é tudo mesmo um conceito unívoco, unilateral ou em relação de domínio. É chegar até alguém, trocar histórias, e aprender e viver mais um pouco. E isso raramente se faz sozinho. Acho eu...
1 comentário:
Que bom que mais alguém acha que o lugar dos monólogos é no teatro. :)
;) Beijinho.
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