ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, novembro 30, 2010

A esperança é uma coisa perigosa. Além disso, tem vontade própria e instala-se sempre no pior lugar da sala, divertindo-se a colocar os actores em total desconcentração. Aliada a uma confusão de desejo, na qual já não se tem sequer a noção do que se anda exactamente a fazer, surge e molda tudo a uma lógica probabilística que não passa de tretas incutidas a martelo pelo imenso medo da perda definitiva, e o contraste pela ausência desta. Tudo o que não a signifique surge como um pequeno beiral que detém a queda no precipício onde os dedos se encaixam e suportam os rigores da gravidade que impulsiona todo o corpo para baixo. As dores nos braços são imensas, toda a posição obscenamente desconfortável e vulnerável, e a vertigem da queda é mais que provável. No entanto, aqueles dedos suportam o peso, a queda detém-se e, num ápice, nada mais conta. A surdez selectiva parece quase um truque de magia, como o pó da fada sininho, que projecta numa queda perigosa após a passagem do efeito do mesmo. E aí de nada adiantam os pensamentos felizes.

segunda-feira, novembro 29, 2010

Esta é a era da auto-avaliação. O instante da prestação de contas, as viagens internas, o atrevimento do auto-conhecimento. Este é a época das perguntas incómodas, da multiplicação de perspectivas, das análises dos amores e dos desamores dissecados. É o período do atrevimento, a lógica da exigência, o medo pelo isolamento dos pensamentos, a bravata dos direitos internos às ameaças de felicidade.

Este é o tempo no qual quem se é tem de prevalecer sobre quem se escapa de si mesmo sem saber porquê. Este é o hiato do sofrimento histriónico, dos gritos à injustiça pela solidão, da assumpção da imperfeição através de um distintivo holístico colado à identidade. Esta é a altura de quem ouve por um honorário, de quem se distancia para poder compreender, da legitimação externa do direito a ser.

Esta talvez seja a inevitabilidade de um círculo de contenções que a vida foi determinando, ou o final da vergonha silente face ao que causava sofrimento por privação. Esta é a fase na qual se clama, se não por quem se é, por quem se quer tentar ser.

Este é o tempo da confusão, do clamor, da chamada de atenção para quem corre o risco desgraçado de mostrar nem que seja algo parecido com uma alma. Estes são os dias da preocupação fundamentada, ou da reconstrução escorada. Este é o tempo em que a racionalidade tenta apanhar os sentimentos, para que estes, quando pintados de luz negra, não destrocem completamente o portador

Este é o tempo das terapias, dos profissionais, das confissões, das sensibilidades, da evidência das parcelas de género oposto na personalidade de cada um, do desejo nem que seja de um pouco de holofote.

Este é a era do eu. Do estou aqui. Do agora também quero falar.

Esta é uma oportunidade para democratizar a real capacidade de ouvir e “empatizar”.

Só espero que não lixemos tudo, como de resto é hábito.

A começar por mim, e pelas coisas que (ainda) não me convencem.

Cabeça de paralelepípedo...




Escrita Paralela.

Sendo que a divulgação da escrita é também em si o seu fundamento, o blog volta à vida como forma de restaurar aquilo que lhe era devido.

Aqui era o local onde depositava aquilo que ia vertendo em textos mais ou menos inconsequentes. Agora segue como um espelho. As palavras estarão espalhadas em dois locais, embora este seja de facto o local onde tudo nasce. Seja ou não uma cidade fantasma.