Esta é a era da auto-avaliação. O instante da prestação de contas, as viagens internas, o atrevimento do auto-conhecimento. Este é a época das perguntas incómodas, da multiplicação de perspectivas, das análises dos amores e dos desamores dissecados. É o período do atrevimento, a lógica da exigência, o medo pelo isolamento dos pensamentos, a bravata dos direitos internos às ameaças de felicidade.
Este é o tempo no qual quem se é tem de prevalecer sobre quem se escapa de si mesmo sem saber porquê. Este é o hiato do sofrimento histriónico, dos gritos à injustiça pela solidão, da assumpção da imperfeição através de um distintivo holístico colado à identidade. Esta é a altura de quem ouve por um honorário, de quem se distancia para poder compreender, da legitimação externa do direito a ser.
Esta talvez seja a inevitabilidade de um círculo de contenções que a vida foi determinando, ou o final da vergonha silente face ao que causava sofrimento por privação. Esta é a fase na qual se clama, se não por quem se é, por quem se quer tentar ser.
Este é o tempo da confusão, do clamor, da chamada de atenção para quem corre o risco desgraçado de mostrar nem que seja algo parecido com uma alma. Estes são os dias da preocupação fundamentada, ou da reconstrução escorada. Este é o tempo em que a racionalidade tenta apanhar os sentimentos, para que estes, quando pintados de luz negra, não destrocem completamente o portador
Este é o tempo das terapias, dos profissionais, das confissões, das sensibilidades, da evidência das parcelas de género oposto na personalidade de cada um, do desejo nem que seja de um pouco de holofote.
Este é a era do eu. Do estou aqui. Do agora também quero falar.
Esta é uma oportunidade para democratizar a real capacidade de ouvir e “empatizar”.
Só espero que não lixemos tudo, como de resto é hábito.
A começar por mim, e pelas coisas que (ainda) não me convencem.
Cabeça de paralelepípedo...
1 comentário:
Gostei muito deste texto, principalmente da parte que começa assim: "Este é o tempo da confusão, do clamor, da chamada de atenção para quem corre o risco desgraçado de mostrar nem que seja algo parecido com uma alma."
Escrita muito bonita.
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