De todos os anos em que o final de ano traz alguns auspícios menos luminosos, este é talvez aquele que mais temor traz. E isto por várias razões. Há toda uma precipitação subjacente a esta altura do ano, em que inúmeras coisas teimam em acontecer, e todas em simultâneo. Uma delas poderá nem sequer ter solução, e quebrar-se assim a ténue e suave haromina calorosa de um tempo que, embora possa ser qualificado como escapismo, para mim é uma lufada de ar fresco, com retornos a tempos antigos de ideias menos tingidas pelo passar de algumas matizes menos felizes.
Por alguma razão estranha, surge-me como uma luz sobre a recordação necessária de pequenas coisas. Pequenos nadas, minusculos fenómenos que jamais passam despercebidos, mesmo perante aqueles para quem o findar do ano não passa de um aumento de neón nas noites que surgem precoces.
Mas este é um ano diferente. E no entanto, algo resiste, embora eu próprio já não saiba muito bem como nem porquê. Só espero que continue a funcionar de forma inconsciente ou automática. Estou farto de pensar.
1 comentário:
É curioso, sempre me disseream que pensava demais.
Afugentava qualquer hipótese de um acto impulsivo ou menos reflectido... E por essas e por outras, muitas vezes, pensei se não estaria a deserdiçar uma boa oportunidade... de ser feliz, pex! Mas era mais forte que eu...
Se existe uma luz... agarre-a ou vá ao seu encontro. Porque não? O que tem a perder?
Há sensações que existem por uma razão, mesmo que - agora - não a consigamos ver. Mas está lá.
Deixe-se ir nesses raios de luz!!!
Tantos anos vivemos protegidos por uma armadura que nos ajudou em tantos momentos da na nossa vida. Mas chega uma altura em que devemos arriscar! Livre-se da sua. Viva a vida como ela se lhe apresenta... cheia de fragilidades, emoções, alegrias...até mesmo dor. Porque também faz parte.
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