ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, dezembro 07, 2010



E num instante está lá, ao virar da esquina. Já não é um vulto, uma sombra, uma abstracção que desaparece com o vazio reconfortante do quarto ou a luz do sol que entra pela janela nos primeiros estertores da manhã. Está lá, começa a ter contornos e textura de realidade, e leva a perguntas complicadas. Perguntas feitas em instantes em que tudo está necessariamente recolhido, contido, seguro no controlo possível, se bem que acre.
E tenho medo. Sim, medo por ti, por todos nós. Mesmo sem razão, ele está lá. É um vulto ainda, mas move-se. Racionalizo, racionalizo, mas ele está lá. É meu, mas isso é a única coisa que me liga a ele. A única interacção possível.
Andemos e esperemos que a luz venha e a sombra se desvaneça. Fecho os olhos e vejo-te. Uma e outra e outra vez.
E não sei bem o que fazer, como nunca se sabe exactamente. Ao contrário do que sempre penso, não há uma gaveta ou um arrumo. Existo eu, à espera que me digam como é que se faz isto. E vejo-te. Uma e outra e outra vez. Com os nossos olhos tão parecidos e a vulnerabilidade em que nos espelhamos. Uma e outra vez.

2 comentários:

Anónimo disse...

Esse vulto crescerá e criará formas ainda maiores quanto mais espaço lhe der. Não faça isso.
Não dê espaços. Acredite, seja, exista plenamente e não espere... faça!
Medo... medo de quê?

(Mais uma vez, escolha musical brilhante! Uma favorita...)

Anónimo disse...

A curiosidade de saber se tinha colocado algo mais aqui, contrasta com a(lguma) desilusão por não encontrar algo (de) novo.
Mas valeu pela nova leitura que fiz aos seus postais.
Parabéns pela sua escrita!

(Re)li novamente o que escreveu... Ainda sente medo?

(Espero que não...)