E num instante está lá, ao virar da esquina. Já não é um vulto, uma sombra, uma abstracção que desaparece com o vazio reconfortante do quarto ou a luz do sol que entra pela janela nos primeiros estertores da manhã. Está lá, começa a ter contornos e textura de realidade, e leva a perguntas complicadas. Perguntas feitas em instantes em que tudo está necessariamente recolhido, contido, seguro no controlo possível, se bem que acre.
E tenho medo. Sim, medo por ti, por todos nós. Mesmo sem razão, ele está lá. É um vulto ainda, mas move-se. Racionalizo, racionalizo, mas ele está lá. É meu, mas isso é a única coisa que me liga a ele. A única interacção possível.
Andemos e esperemos que a luz venha e a sombra se desvaneça. Fecho os olhos e vejo-te. Uma e outra e outra vez.
E não sei bem o que fazer, como nunca se sabe exactamente. Ao contrário do que sempre penso, não há uma gaveta ou um arrumo. Existo eu, à espera que me digam como é que se faz isto. E vejo-te. Uma e outra e outra vez. Com os nossos olhos tão parecidos e a vulnerabilidade em que nos espelhamos. Uma e outra vez.
2 comentários:
Esse vulto crescerá e criará formas ainda maiores quanto mais espaço lhe der. Não faça isso.
Não dê espaços. Acredite, seja, exista plenamente e não espere... faça!
Medo... medo de quê?
(Mais uma vez, escolha musical brilhante! Uma favorita...)
A curiosidade de saber se tinha colocado algo mais aqui, contrasta com a(lguma) desilusão por não encontrar algo (de) novo.
Mas valeu pela nova leitura que fiz aos seus postais.
Parabéns pela sua escrita!
(Re)li novamente o que escreveu... Ainda sente medo?
(Espero que não...)
Publicar um comentário