Pode parecer estupido, mas é uma dúvida transcendental. Para mim. Aliás, nestes dias. Aliás, após aquilo que achava vivência suficiente. Ao que parece há uma qualquer cartilha sobre o assunto. Toda a gente se põe a discorrer sobre aquilo que provoca reacções que mais se parecem com inconsciência legitimadora, mas é uma engraçada contradição em termos porque, aparentemente, o primeiro requisito é uma espécie de desproporcionalidade directa entre intensidade e capacidade de pensar.
Ao que parece, o acto de sentir,( que é, aparentemente, mais uma uma recção do que uma acção, diga-se, porque qualquer espécie de controlo desvirtua a coisa) tem regras. Aliás, mais engraçado ainda, tem validações. E assemelham-se a velhos códigos, ou à simples percepção de que o rei vai nu. Afinal, ao que parece, tenho mesmo um vasto desconhecimento sobre o universo do sentir. A mim deve tocar-me alguma coisa intermédia, uma antecâmara, ou usando uma metáfora que tanta gente hoje em dia acarinha, um daqueles tipos dos ídolos que nem é suficientemente cromo para merecer longa humilhação televisionada, nem suficientemente bom para massacrar uma ou outra cover. Estás lá quase, talvez pensem.
Para a ideia de sentimento, recordo-me sempre da metáfora da intuição intelectual. Sentir é algo semelhante à luz de uma lanterna numa sala absolutamente escura, ligada e depois desligada com a maior das velocidades. O que fica é uma percepção meio estranha, quase extracorpórea na sua génese, mas tão ligada a nós como todos os ossos debaixo da pele e carne. A luz traz uma identificação de algo que abana as fundações e leva a mente a procurar pelo menos identificar o que raio foi aquilo que a lanterna iluminou. Em meu modesto ver, essa luz é um pouco de ordem na desarrumação de um quarto caótico, e não só porque está escuro. A claridade súbita de um sentimento ajuda a pensar na forma como a nossas ruínas parcelas em ruínas podem arriscar uma qualquer sustentabilidade. Sentir é afinal um passo mais à frente no acto de viver, porque me reconheço fora de mim mas como se todo o mundo tivesse entrado sem permissão ou aviso. E procuro pensar, porque no supremo instante de vida que possa ter agrada-me saber que tento perpetuar pelo acto de o reviver em ideias na minha cabeça. E como o tal quase cromo, bem canto, mas não alegro. E sigo em frente, com algo entre a brancura de algo refrigerante, ou a calmaria desajustada à cartilha da vivência.
Mas tudo isto são ideias, e como tal, uma espécie de contrasenso em si. O que, em parte, entristece, e por mais do que uma razão.
É que dava um jeito do caraças que as dores desaparecessem, precisamente porque ao serem pensadas, não podiam jamais ser sentidas.
Mas, como digo, não percebo nada disto... acho.
1 comentário:
Seremos, então, 2 que não percebem nada disto...!
E numa 1ª leitura das suas palavras concordo quando diz que dava um jeitaço que as dores desaparecessem.
Mas ao reler as suas palavras inquietei-me, confesso...
Mas e, depois? Como se vive sem sensações... sem sentir? Será que sem sentir vivemos, realmente?
Não creio!
É que é toda essa panóplia de sensações e sentimentos (alegria, dor, tristeza, beleza, amor, "desamor", desejo, ilusões, desilusões...) que nos prova que estamos vivos.
Como podemos apreciar tudo o que a vida nos dá e ainda tem para nos dar sem sentirmos?
Então... contrariando o que referi logo no início ao concordar consigo, se pensar bem só vive plenamente quem sente!
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