ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, dezembro 06, 2010

Pode parecer estupido, mas é uma dúvida transcendental. Para mim. Aliás, nestes dias. Aliás, após aquilo que achava vivência suficiente. Ao que parece há uma qualquer cartilha sobre o assunto. Toda a gente se põe a discorrer sobre aquilo que provoca reacções que mais se parecem com inconsciência legitimadora, mas é uma engraçada contradição em termos porque, aparentemente, o primeiro requisito é uma espécie de desproporcionalidade directa entre intensidade e capacidade de pensar.

Ao que parece, o acto de sentir,( que é, aparentemente, mais uma uma recção do que uma acção, diga-se, porque qualquer espécie de controlo desvirtua a coisa) tem regras. Aliás, mais engraçado ainda, tem validações. E assemelham-se a velhos códigos, ou à simples percepção de que o rei vai nu. Afinal, ao que parece, tenho mesmo um vasto desconhecimento sobre o universo do sentir. A mim deve tocar-me alguma coisa intermédia, uma antecâmara, ou usando uma metáfora que tanta gente hoje em dia acarinha, um daqueles tipos dos ídolos que nem é suficientemente cromo para merecer longa humilhação televisionada, nem suficientemente bom para massacrar uma ou outra cover. Estás lá quase, talvez pensem.

Para a ideia de sentimento, recordo-me sempre da metáfora da intuição intelectual. Sentir é algo semelhante à luz de uma lanterna numa sala absolutamente escura, ligada e depois desligada com a maior das velocidades. O que fica é uma percepção meio estranha, quase extracorpórea na sua génese, mas tão ligada a nós como todos os ossos debaixo da pele e carne. A luz traz uma identificação de algo que abana as fundações e leva a mente a procurar pelo menos identificar o que raio foi aquilo que a lanterna iluminou. Em meu modesto ver, essa luz é um pouco de ordem na desarrumação de um quarto caótico, e não só porque está escuro. A claridade súbita de um sentimento ajuda a pensar na forma como a nossas ruínas parcelas em ruínas podem arriscar uma qualquer sustentabilidade. Sentir é afinal um passo mais à frente no acto de viver, porque me reconheço fora de mim mas como se todo o mundo tivesse entrado sem permissão ou aviso. E procuro pensar, porque no supremo instante de vida que possa ter agrada-me saber que tento perpetuar pelo acto de o reviver em ideias na minha cabeça. E como o tal quase cromo, bem canto, mas não alegro. E sigo em frente, com algo entre a brancura de algo refrigerante, ou a calmaria desajustada à cartilha da vivência.

Mas tudo isto são ideias, e como tal, uma espécie de contrasenso em si. O que, em parte, entristece, e por mais do que uma razão.

É que dava um jeito do caraças que as dores desaparecessem, precisamente porque ao serem pensadas, não podiam jamais ser sentidas.

Mas, como digo, não percebo nada disto... acho.

1 comentário:

Anónimo disse...

Seremos, então, 2 que não percebem nada disto...!
E numa 1ª leitura das suas palavras concordo quando diz que dava um jeitaço que as dores desaparecessem.

Mas ao reler as suas palavras inquietei-me, confesso...
Mas e, depois? Como se vive sem sensações... sem sentir? Será que sem sentir vivemos, realmente?
Não creio!
É que é toda essa panóplia de sensações e sentimentos (alegria, dor, tristeza, beleza, amor, "desamor", desejo, ilusões, desilusões...) que nos prova que estamos vivos.
Como podemos apreciar tudo o que a vida nos dá e ainda tem para nos dar sem sentirmos?

Então... contrariando o que referi logo no início ao concordar consigo, se pensar bem só vive plenamente quem sente!