ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, janeiro 04, 2011

Por vezes damos connosco a tentar imaginar aquilo que permitimos. Em nome de uma afeição, um princípio, por medo, por necessidade, por uma série de coisas inexplicáveis que fazem com que um certo princípio quase orgânico de contenção seja inexpugnável. Konrad Lorenz, num magnífico livro acerca desses mesmos mecanismos entre os membros da mesma espécie, dissertava, fascinantemente, acerca de uma cerca faculdade de manuseio da agressividade latente, até de espécies ferocíssimas, relativamente aos seus.
Mas o que em alguns casos é instinto, noutros é um pensamento lógico e coordenado. E no entanto, é pleno de coisas que, de um momento para o outro, deixam de ter qualquer justificação. Parecem piadas de mau gosto, erros clamorosos, uma espécie de humilhação consentida, na qual há vítimas colaterais que se lamentam e carregam como a superlativização desses mesmos erros.
E é essa uma das principais perplexidades. Como é que se permite tal coisa, durante tanto tempo? Como é que, nesse processo, expiamos o processo que vitimou aqueles que deveriam ser acolhidos e não sujeitos a tribunais de tendência por força de afeições adoentadas e convicções próprias de um porvir pretensamente melhor? Como é que se opera a redenção face aos que ficaram, por força daquilo que nem sequer se sabia manter? Não faço ideia. Talvez esteja para além de qualquer acção, mas a tomada de consciência é talvez a primeira forma de fazer paz com isso e outras coisas. Quem sabe...
E no entanto, há um basta. E nesse basta, começa a reacção. Porque um dia, em algum momento, haverá um erro. E esse erro irá pagar-se caro. Nunca fui crente em lógicas de retribuição por força da providência. Mas acho que nunca na vida esperei tanto que a retribuição chegasse.
Por hora fica a clara noção de que se acabou a brincadeira. Os dentes estão de fora.
E dentro, onde conta, a memória é persistente e a esperança paciente...
É uma derrota carregar pesos no coração, especialmente porque, dada a sua raridade, têm uma vida ultra longa. Mas por vezes não há alternativa. And memory will stay sharp until payback day. Por mais que queira pensar que sim, não esquecerei. Com tudo o que isso acarreta...