Há situações complicadas. De facto. Daquelas que nada têm a ver connosco, das que não dizem respeito ao nosso dia-a-dia, daquelas que não assentam na nossa compreensão dos que chamamos de nosso ou característico. E no entanto, ao vislumbrarmos o desespero com que essas situações são "desempenhadas", há toda uma aura de seriedade que nos lança na dúvida entre tentar a todo o custo calçar aqueles sapatos, ou simplesmente achar que há um limite para tudo.
Eu não tenho ideias muito concretas acerca desse assunto. Já sei que calçar os meus sapatos é do caraças, e por vezes sei até que ponto algumas situações são complicadas de gerir ou mesmo resolver. E no entanto... há pontos aos quais se chega onde já nada parece pulsar, onde soçobra apenas uma indignidade. Esta é feita de qualquer desejo que já não se identifica como o admirável estertor teimoso de vida, mas como uma espécie de agrura prolongada, na qual as mãos já ensanguentadas batem num peito que jamais se moverá por si.
No entanto, nos olhos há aquele desespero, aquela recusa, aquela infinda pressuposição de que os dias assim nada mais são que um estender de imobilidade dorida. Aos vislumbrá-los, resta apenas o silêncio do respeito, a mão aparentemente inútil sobre o ombro, o calor da proximidade feita de pés demasiado pequenos para os tais sapatos.
E ainda assim, há alturas em que, de facto, já basta. Por muito que não o possa dizer, ou seja inútil que o faça, espero que na minha contenção possível se leia o que outros olhos também já transpiram.
Já basta. Mesmo que não seja para melhor, o dia amanhece, e de facto, nunca sabemos o que ali vem...
ESTAÇÕES DIFERENTES
"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."
Stephen King - "Different Seasons"
Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com
Stephen King - "Different Seasons"
Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com
segunda-feira, fevereiro 21, 2011
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Publicar um comentário