ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, fevereiro 15, 2011

Nunca fui propriamente partidário da ideia de que tudo acontece por uma razão. Fatalismos não são comigo, porque me parece qualquer coisa parecida a determinar o percurso das particulas de pó quando empurradas por uma ligeira brisa. Isto, no entanto, não quer dizer que ignore o sentido de determinadas coisas que, ao sucederem, transferem um formato para o entendimento, quase como colocar um escantilhão na realidade e formar máximas.
E no entanto algumas pistas transformam-se em realidades, e perante as mesmas, limpamos as gotas de suór do rosto e expiramos. Em certa medida, relembramos não só porque vivemos, mas porque afinal talvez tenhamos escapado de algo. Não que saibamos exactamente o quê. Mas é pungente e recortado como a memória persistente de um sabor. Imaginamos o que seria, a espiral, a impossibilidade de dobrar a luz ou comandar o vento, e como isso poderia transformar-se num jogo de culpa ao invés da assumpção de uma natureza. No fundo, seria injusto para todos os envolvidos. Um querer que provavelmente seria apenas matéria para dentes em viagem, para questões justas, mas cujas consequências poderiam levar a cenários de (ainda mais) resistência ao mundo alternativo porque iluminado.
Há quem lide com a realidade, responda a perguntas, sujeite-se, pelo menos na maioria dos casos, à vergastada da verdade na sua pior dimensão. E vive-se com isso, em locais escuros visitados pelo menos dez vezes por dia, na tremedeira do sofrimento causado pelos medos, angústias, incapacidades, insuficiências. Mas por vezes é necessário olhar para fora e não perceber, mas dar a entender. Nem que seja um pouco. Sob pena das verdades parecerem simbologias herméticas, fechadas em desejos de ecos que ignoram que para isso precisam de um som.
A verdade é que, não sendo adepto de fatalismos, reconheço que algumas coisas parecem ter em si mesmas algum sentido. Piscam-nos os olhos porque nos deixaram escapar, porque sabiam que eram reais, mas eram já morte antes mesmo de pulsarem irrestritas.
E por isso mesmo, há que recordar... E resistir a essa ideia. Sempre. Mesmo que pareça ou seja inútil...


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