ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Poderão dar-lhe o nome que desejarem. A verdade é que poucas coisas se multiplicam mais no comportamento que as estratégias de defesa. E são tão mais eficazes precisamente porque em muitos casos já ultrapassam a vontade do seu detentor. Assim como afectos teimosos ou incapacidade de desgostos figadais persistentes, muitas defesas também não dão cavaco ao seu portador, e exibem-se como um banho de prevenção ou uma aura de escalpelização através da qual o cérebro parece arrumar tudo num terrível porque claro sucedâneo de causas e efeitos. Elas erguem-se como um parlamentar de retórica imbatível. São ondas do próprio que depois se tornam arguidas nos seus pequenos crimes.

As defesas ficaram na moda. Há todo um "boom" de terapias, quer porque alguém as quer, ou porque outro alguém as quer descartar, ou porque em certa medida ainda há aqueles para quem a voz interna grita tão alto que a única solução é a dormência do quase sono. São como os últimos segundos de um crepúsculo silencioso, onde até a natureza se cala perante si mesma, e repetidos indefinidamente. As defesas também podem ser assim, induzidas, criando uma calmaria que encerra em si mesma nada mais que a necessidade do posterior, do pós-luz, de algo diferente.

Mas a verdade é que o receio é honesto. A protecção surge como um apelo suave de respeito pelo que é frágil. É simplesmente pedir um pouco de calor porque se está nu. E quando isso é repetidamente posto em causa, resta aquilo que qualquer animal acuado fará, por mais pequeno ou debilitado que esteja.

É discutível, é verdade, mas é tão real e frequente que, em muitos casos, é como fazer queixas do vento. Ou abrigamo-nos, ou esperamos que passe.


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