Uma frase que ouvi em conversa era evidente. Evidente pela dificuldade da premissa, e porque ao dizê-la, sei exactamente o que querias dizer. Sei que o passar do tempo, a marca dos dias, o feixe de dor nos músculos pelo percorrer dos degraus, tuso isto só implica uma forma de descanso. Descanso não, erro meu, e também não é pacificação, não em estou a adiantar ao que me disseste. A frase era reportada ao que eras. A quem eras. Mesmo perante a dificuldade em reconheceres a dificuldade que é saber o que fazer com algumas coisas que és, sei há muitos anos o que isso significa para ti. Começou na lembrança de coisas como franjas persistentes e na impossibilidade de aceitar histórias recontadas. Quem sabe o que é a tua luta? Mas podiam saber algo disso... por tão impossível que parece.
Se estás ou não, é complicado dizer, porque é como perguntar a mim, acerca de mim, e já adivinhamos o problema não é? Sabemos explicar? Não caraças. O problema é mesmo esse, porra, num só segundo, uma só vez, não completem a merda das frases, não adivinhem os enunciados, apenas não anunciem a morte quando temos de pedir demasiadas vezes.
Não sabes, eu não sei, porra, terá sido assim que o desenharam, e não disseram, não deram cavaco nem instruções. Não sabes, não sei, tenho duas mãos esquerdas para desenhar uma simples palavra que signifique um pedido. Tu também.
E por isso, será assim. Será que não estamos?
A tua frase era essa. Essa mesma. A certa altura, todos temos de ser alguma coisa. Ou é o que acham, e é aí que a porta se fecha, e os trancamos todos lá fora.
É esse o meu temor. Porque temo por ambos. Há anos...
ESTAÇÕES DIFERENTES
"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."
Stephen King - "Different Seasons"
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quarta-feira, fevereiro 16, 2011
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