Algumas pessoas conhecem-nos. Isso não está nunca em questão. Conhecem o que é possível, assim como conhecemos o que elas possibilitam. Um quid pro quo,nem sempre consciente, mas já muito antigo. Reconhecível. E no entanto, de uma recorrência espantosa.
Outras, poucas, levam isso um pouco mais longe. Arranjam uma chave mestra, e levam-nos às conclusões mais díspares acerca de nós, e até a atitudes ou juízos afectivos contraditórios. Em simultaneidade, tocam e repelem, agradam e incomodam, um pouco como um queridíssimo amigo que volta e meia entra com os pés sujos e patinha alguns tapetes. Mesmo que saibamos que o mal pode estar no tapete, que não é assim muito bonito e mais vale estar mas é arrumado na garagem, ainda assim a coisa não é pacífica.
Essas pessoas enervam-nos, mas tocam. Exaltam, mas desenham (nos).
E eu, pessoalmente, reconheço que nem sempre lido bem com todas as manifestações dessas raras pessoas, por muita razão que efectivamente lhes dou.
No entanto, ainda assim, há de facto coisas que nem essas pessoas presumem. Raciocínios que não batem exactamente certo, confusões que nem sequer começaram a ser mapeadas pelo próximo, afectos que dança na cabeça como prateleiras de apoios fendidos que arriscam desequilíbrios à ordem do sótão. Há coisas que não são efectivamente como os visitantes julgam, partes da casa que não estão exactamente na planta.
E é por isso que as coisas acontecem, e por vezes nada podemos fazer contra ou em função disso.
Afinal, o traçado do arquitecto dificilmente aceita sugestões ou protestos do edifício. Mesmo que se calhar em alguns aspectos o projecto seja as linhas de um automóvel.
Brincadeiras à parte, mesmo para que nos conhecem e aí navegam com a maior
das seguranças, há que entender que o rio nem sempre obedece às margens.
E aí tudo é diferente.
ESTAÇÕES DIFERENTES
"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."
Stephen King - "Different Seasons"
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segunda-feira, março 14, 2011
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1 comentário:
...! Certamente por mera distracção algo escapou(me).
Concerteza que todos temos dias menos bons. Mas a nossa essência (de cada um) não muda.
E as pessoas, essas que nos rodeiam, com quem partilhamos o nós e o nosso, o deles... o de todos... contam com a estabilidade do que somos. Pense antes de agir. antes de falar. Porque essas pessoas que tantas vezes nos irritam... normalmente irritam-nos porque têm razão no que dizem e no que nos apontam.
Não será assim?
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