ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, abril 26, 2011


Acho que é comum a ideia de um desejo de justiça como corolário da necessidade de certos eventos. Especialmente quando as pessoas têm a noção de que o individualismo ou as ferozes reclamações do próprio estômago e umbigo já foram longe demais. Sei que é uma ingenuidade, e sei que a definição das coisas está definitivamente no balanço do poder e como este pode ser gerido. Por outro lado imagino que em meio ao fogo da auto-centralização está a cegueira própria do que há já muito foi o abandono do pensamento, do senso, da lógica que não seja produzida nas entranhas.
E é engraçado como há quem simplesmente se orgulhe disto. No epicentro de uma necessidade de prevalência dessa vontade, há todo um esquecimento do que é a mínima capacidade de tentar ver o próximo. Há, sim, uma espécie de despotismo auto-justificativo, quase um culto da personalidade (que vemos, por exemplo, no nosso país) que esquece coisas simples como factos, lógicas, axiomas, consequências.
Mas, sinceramente, espero que em certa medida as coisas acabem por revelar-se pelo que são, que a verdade, como fundamentação da realidade enquanto aquilo que é, não seja apenas uma espécie de brincadeira idiota de alguns meninos perdidos, algures numa ilha tropical, com um Deus morto num trono acidental.
Que seja nítido como água de nascente que a liberdade pessoal não se tolhe, não se pede, não se circunscreve ou convence. A liberdade não é passível de acordos, de jeitos, de ajustamentos ou arranjos. A liberdade do querer não se conquista por sonegação. A liberdade importa na medida em que os que são livres, escolhem então que façamos parte dessa vontade, e não constrangimento, em ser ou fazer assim ou assado. A liberdade está em perceber que, apesar de tudo, as coisas vão sendo feitas, e sã-no por um sentido omnipresente. A liberdade está em conseguir pensar mesmo quando se fazem malditos comícios de celebração de uma espécie de ditadura do sentir, que faz de tudo terra queimada. A liberdade é respeitar. Tudo o mais é obsceno.

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