ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, abril 11, 2011

A lógica suicidária não passa só pelo plano material. Há pessoas que se esforçam mesmo muito por morrerem num universo onde talvez fossem imediatas ou quase consequência de se limitarem a ser. E o tempo passa, alargando a perspectiva do desperdício. Acentua-se a ideia da entrega de certo ouro a uns tipos disfarçados de funcionários da Wells Fargo. E como tal, esse aparente disfarce simplesmente se dilui no tempo, retirando a identidade dos agentes, e deixando apenas os factos. O lastro é um cinzel de personalidade, rombo, tosco a espaços, e que em alguns pontos nem a erosão do tempo consegue suavizar.

Os agentes "matam-se". Tornam-se o pó de realidades mascaradas de pele descartada por crescimento e secura. E fica, nos momentos silenciosos, a inexplicável e intraduzível sensação do caminho trilhado e como, em alguns pontos, as passadas lá dadas nem o benefício fatalista de uma ideia de destino conseguem dignificar. O som que surge é igual ao de uma bota velha em cima de solo árido, pedregoso e pleno de cardos antigos e teimosamente agarrados a uma paródia de vida.

Os suicidários são assim, dualidades.

Está esquecidos, cada vez mais, enquanto indivíduos, e vivem apenas como depositários de ideias que, em alguns casos, nunca deveriam ter o formato ou consequências que tiveram. Porque parece que foram apenas provação sem moral no fim. Pensem no princípe feliz sem ouro para dar...

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