A lógica suicidária não passa só pelo plano material. Há pessoas que se esforçam mesmo muito por morrerem num universo onde talvez fossem imediatas ou quase consequência de se limitarem a ser. E o tempo passa, alargando a perspectiva do desperdício. Acentua-se a ideia da entrega de certo ouro a uns tipos disfarçados de funcionários da Wells Fargo. E como tal, esse aparente disfarce simplesmente se dilui no tempo, retirando a identidade dos agentes, e deixando apenas os factos. O lastro é um cinzel de personalidade, rombo, tosco a espaços, e que em alguns pontos nem a erosão do tempo consegue suavizar.
Os agentes "matam-se". Tornam-se o pó de realidades mascaradas de pele descartada por crescimento e secura. E fica, nos momentos silenciosos, a inexplicável e intraduzível sensação do caminho trilhado e como, em alguns pontos, as passadas lá dadas nem o benefício fatalista de uma ideia de destino conseguem dignificar. O som que surge é igual ao de uma bota velha em cima de solo árido, pedregoso e pleno de cardos antigos e teimosamente agarrados a uma paródia de vida.
Os suicidários são assim, dualidades.
Está esquecidos, cada vez mais, enquanto indivíduos, e vivem apenas como depositários de ideias que, em alguns casos, nunca deveriam ter o formato ou consequências que tiveram. Porque parece que foram apenas provação sem moral no fim. Pensem no princípe feliz sem ouro para dar...
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