Não sei bem se será. Em bom rigor, acho que em grande parte a consciência da lógica predatória de poder deixa apenas lugar às "pequenas" bondades, honestidades e morfologias de amor. Começa a ser cada vez mais complicado ter a noção de um "Bem" enquanto substrato universal, na sociedade em geral, com base em perspectivas que não sejam relativizáveis com o velho argumento da "cultura". Talvez o que seja possível sejam as "pequenas bondades", os gestos, o microcosmos de humanidade que dispensamos nas acções mais comuns e quotidianas. Diziam os ingleses que "casa" é onde está o coração. Eu tenho outras ideias, vá, somadas a essa. Talvez a ideia de coração, da concretização da nossa "finalidade" enquanto seres sensíveis e portadores de afecto, esteja no que consideramos casa ou quintal. Aquele pedaço de mundo que ainda é "nosso", onde se cultivam coisas que plantámos, outras que nem sabemos como lá aparecem, e que se alimentam do que de bom realmente lhe possamos fazer. Não vejo aí uma espécie de convicção de obrigatoriedade, mas somente uma evidência cristalina e plena nos seus efeitos.
No fundo, é a essa mesma casa que estamos sempre a tentar chegar... Acho eu. E se o mundo não serve e a honestidade é uma espécie de pilhéria infantil a disciplinar rapidamente, então só resta a simples faculdade de dar qualquer coisa a alguém, como reduto último dessa liberdade inexpugnável.
Talvez seja... mas muito mais pequeno...
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